Um sentido para Rizza

Por Manoella Oliveira e Thays Prado
Ela confia no universo e na própria intuição para escolher desde a roupa com que vai trabalhar até a trajetória de vida. Com a sabedoria adquirida em seus 50 anos e estampada nos cabelos completamente brancos, a terapeuta corporal Rizza D’Ávila nos fala de suas verdades e sente que ainda tem muito que aprender. Rizza foi à Itália descobrir a origem de seu nome e encontrou algo referente a arroz, mas prefere associá-lo ao riso. E foi sorrindo que ela nos recebeu para esta conversa.
Revista Tato: Como foi sua trajetória profissional?
Rizza: Sinto que as coisas foram acontecendo de forma coincidente. No primeiro ano de Psicologia, não entendi muito bem porque estava ali, mas resolvi terminar o curso. Depois que saí da faculdade, comecei a trilhar meu caminho. Depois de 11 anos de casada e dedicada aos filhos, resolvi me divorciar, o que foi um grande impulsionador para retomar minha profissão. Procurei alguns cursos e conheci a Leitura Corporal. Foi aí que me encontrei, porque o corpo sempre me fascinou de alguma forma. Tenho trabalhado nessa perspectiva há quase vinte anos.
O que te chama a atenção na Leitura Corporal?
A Psicologia tradicional tem um lado que é o de aprender a analisar e a interpretar, e esse movimento nem sempre me parece libertador. Na Leitura Corporal, entendemos que todas as emoções geram algum tipo de materialização no corpo físico, então toda doença é psicossomática. “Doença” vai desde virar um cílio do olho até fazer um câncer. Nós trabalhamos qualquer manifestação que o corpo demonstre: uma emoção que ficou pouco vista, vista de um jeito inadequado, não vista, negada…Partimos do físico para entender o sensorial e o sutil, e do sensorial e do sutil, para tratar o físico. Não existe uma via de mão única.
Como é a sua relação com seus pacientes?
Meu paciente é meu espelho, assim como sou o dele. Existe um movimento de troca. Não tenho a obrigação de não envolvimento. Claro que não tomo o tempo dos pacientes falando de mim (risos). Utilizamos a massagem, porque acreditamos que trabalhando o corpo físico liberamos emoções e sentimentos que ficaram impregnados, ajudamos a abrir a psique do paciente, a liberar questões que estejam causando traumas e bloqueios. Trabalhamos também com o verbal, mas a grande possibilidade é o corpo. Claro que é preciso fazer sentido para o paciente, se não fizer, não é daquela direção que ele precisa para se cuidar.
Como você vive sua espiritualidade hoje?
Acredito que não encarnamos aleatoriamente, temos uma direção, que podemos chamar de destino ou algo assim. Se conseguirmos fazer a tradução do corpo físico, compreender por que um é loiro e outro é moreno, por que um tem olhos azuis e outro tem olhos pretos vamos dar para cada um uma direção. Cada um traz uma referência única e somente ele conhece determinado “segredinho”, que precisa ser compartilhado. Temos como missão desenvolver nosso processo de expressão e contar para cada um, ou para o mundo, aquilo a que viemos, para que possamos juntar os vários “segredinhos” e fazer uma realidade global mais ampla e construtiva. Estamos ligados uns aos outros, e cada um dos nossos semelhantes vai nos auxiliar a colocar nossa verdade de forma suave ou muito difícil.
O que determina como será essa forma de expressão?
Existe uma dinâmica estimulando os seres humanos do lado positivo e do lado negativo da vida. Como humanidade, não sabemos ler o nível de estimulação que estamos recebendo. O objetivo maior é a capacidade expressiva. Todos os seres vivos encarnados e até os inanimados têm uma vibração. Ao mesmo tempo em que eles são estímulos e carregam uma sabedoria, vêm para aprender com o outro. Por exemplo, as plantas sabem respirar, nós não sabemos. Nós liberamos gás carbônico na superfície da Terra, enquanto elas o transformam em oxigênio para nós. Os minerais nos contam que é possível ter uma forma perfeita sem sair do lugar. Os cristais têm uma vibração muito sensorial e movimentam o mundo. Essa é a vibração yin, a vibração do feminino. Podemos captá-la e utilizá-la para o desenvolvimento da nossa estrutura feminina, por isso, hoje muita gente faz cura através de cristais.
É importante desenvolver uma espiritualidade?
A espiritualidade está embutida em todos os processos que são realizados. Não consigo entender a vida sem esse movimento espiritual de reconhecimento de cada vibração que habita um indivíduo, um animal, uma planta, uma situação, uma atitude. As entidades dizem que precisamos desenvolver essa espiritualidade, que é sentir o universo, sentir quem eu sou, estar presente aqui e agora. Nós temos o compromisso de estar no presente e usar o passado e o futuro para nos movimentarmos. Quanto mais presença desenvolvemos, mais estamos desenvolvendo nosso corpo físico.
Como você lida com essas entidades?
São seres de vibração muito sutil que transitam conhecimento. Eu sou um dos canais que faz o processo de tradução do que chamamos de verdades cósmicas, vibrações que têm a ver com todos os seres humanos e com cada um de forma específica. Faço um movimento constante de contato com eles, estou sempre ouvindo e colocando o que ouço dentro do meu universo imediato. Procuro sentir no meu corpo vibrações minhas ou de pessoas ligadas a mim. Quando estou com meus pacientes, tento buscar esses movimentos das entidades, dos guias, dos anjos da guarda, para que eu possa conduzir aquela possibilidade de evolução da melhor forma possível. Mas eles só se manifestam na medida em que há permissão para isso, porque são respeitosos, generosos e não invasivos.
Hoje você tem consciência de por que encarnou?
Estou o tempo todo fazendo essa busca. Quem sou eu, o que eu quero, qual a contribuição posso dar. Por exemplo, tenho um tom de olho esverdeado. O olho é a janela da alma, e a alma tem o conhecimento do que viemos fazer nesta encarnação. O tom de olho verde diz que eu vim para aprender a me amar, a me priorizar. Em outras encarnações, eu devo ter feito mais movimentos para fora, para os outros. Meu corpo físico traz duas pintas em cima do coração, e isso é sinal de um bloqueio de afeto. O coração é um órgão que trabalha o amor por si. Tem a velha frase “Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”. A gente aprendeu a amar a Deus e ao outro, mas não aprendeu a se amar. Na medida em que eu desenvolver isso, terei condição de reconhecer em mim a trajetória que me é pedida.
Você tem medo de morrer?
Tenho. Tenho algumas memórias de morte, de vidas anteriores. Eu entendo que conseguimos filosofar sobre isso, mas para viver realmente o processo, seja com parentes próximos, ou imaginando a própria morte, ainda temos que evoluir muito. Os orientais já têm uma evolução maior nessa direção. Nós, ocidentais, ainda somos muito apegados a essa vida materializada. As entidades ensinam, falam que o procedimento de morte é mais libertador que o de nascimento. A morte amplia o indivíduo, você faz um movimento de expansão, mas para nascer, é preciso fazer um movimento de retração. Além de tudo, nunca ficamos sozinhos no universo, é como se caíssemos direto nos braços de nossa família cósmica. Ninguém morre para ser castigado. A morte sempre vem como uma possibilidade de evolução.
O que você espera para seus próximos anos de vida?
Espero amadurecer, poder compartilhar, não apenas com um companheiro, mas com uma comunidade, junto com meus filhos, netos, bisnetos. O processo de aprendizado é o que eu mais valorizo. Eu tenho metas, vontades, projetos, mas eu não quero congelá-los, quero ir sentindo e vivendo de uma forma cada vez mais ampla. Hoje eu tenho um consultório todo estruturado, amanhã pode ser que seja diferente. Aliás, todo o planeta está passando por uma mudança.
Que mudança?
A Terra está fazendo a correção de seu eixo em relação aos outros planetas e, com isso, devemos passar por mudanças muito grandes, como vem acontecendo nos últimos dez anos. Não acredito que estejamos destruindo por destruir. Existe todo um processo que não compreendemos ainda. O caos tem uma explicação, tem uma harmonia. O que gera tanta violência? O que significa violência na vida? Você estar com fome e não parar de trabalhar para comer, não buscar um agasalho quando está com frio, suportar as coisas como a gente faz. São pequenas violências que alimentam as grandes violências que estão lá fora. A energia vai continuar a mesma até aquela figura ver a violência que existe dentro dela. E isso pode demorar séculos, como tem demorado. À medida que eu foco minha própria violência, estou contribuindo para a paz, que se inicia no micro para se reverberar no macro.
Qual é a sua verdade que você quer deixar quando for para um outro plano?
Muitos de nós ainda morrem do coração, que é o órgão do amor próprio. Claro que o outro é importante, o outro é 50% do nosso caminho, mas se a gente não aprender a fazer os 50% que são nossos, nosso coração vai fazer um enfarto e nos tirar a possibilidade da experimentação da encarnação. A experiência encarnatória é profunda e não há a necessidade de sofrimento, de um modo geral, isso é só um condicionamento. A idéia de se viver com prazer é o que nos liberta. É muito bom estar vivo. Minha missão, pelo que consigo entender, é divulgar essa experiência de ampliação e de contato comigo mesma para que eu possa ter contato também com o outro. É aprender a me cuidar, a ficar comigo, a gostar de mim. Isso me faria feliz.


muito interessante. São pontos de vista e porque não dizer surpresas que revelam um ser vivido, experiente e mesmo assim ainda em busca de conhecimento. Abrç
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Muito Boa!
Eu conheço ela.
E ainda quero q um dia ela me consulte.
Ei Amada Mestra!
Minha filha descobriu vc nesse mar onde navega e realiza suas buscas e me disse:
“Mãe,acho que encontrei uma das suas pérolas”!
“A Rizza é aquela que vc falava tanto que sabe tudo do corpo,da cor dos olhos?”
Você mora no meu coração e semeou muito em minha vida!
Bom demais vê-la aqui a Rizza que tanto reconheço e sou grata.
Beijos e continue em seu caminho de luz e que a tantos norteia.
Ola Rizza , fui recomendada a ler essa materia pela Meire Pinto ( minha tia ) e me emocionei com o seu esclarecimento . Primeiro , para voce mesma , e bonito ver o individuo no seu equilibrio , buscando a sua evolucao e essa sempre feita felo apredizado . E segundo voce passando o que aprende para frente . Nao vejo a vida com outro sentido se nao o de troca . Voce faz esse cambio com muita sabedoria , e te desejo muita luz no seu caminho .
Um abraco
Clara Telles