Nosso conceito de evolução
Em tempos de teorias e superstições sobre 2012, “consciência” e “evolução” tornaram-se palavras mais frequentes na boca das pessoas, na capa dos livros e em produções para o cinema. A primeira aparece em textos de temas que me interessam muito e nas melhores conversas que tenho. Enquanto a segunda, remete à revolta adolescente de quando estudava Darwin no colégio. Eu, que nunca fui fã de Biologia, sentia um incômodo especial nas aulas de Teoria da Evolução.
Por praticidade, fui parar numa escola ao lado de casa, onde a maioria dos alunos era abastada e não apresentava – ou, ao menos, assim me parecia – qualquer sinal que me fizesse acreditar no ser humano como resultado de milhares de anos de evolução. Sério que o melhor que a seleção natural poderia fazer era aquilo? Não dava para ter conduzido a nada melhor do que pessoas desinteressantes e desinteressadas que lixavam as unhas enquanto alguém tentava transmitir o mínimo de conhecimento ali na frente delas?
Era revoltante. E eu, como “boa adolescente”, deixava estampar no meu rosto a rejeição pelo sistema, por tudo que aquelas pessoas rasas representavam e, claro, por Darwin, que jurava de pé junto que aquela realidade era a mais atual e melhorada versão do que passou.
Felizmente, com o tempo, aprendi a colocar mais leveza na vida e a evitar extremismos. Mesmo porque, aqueles estudantes não eram pessoas para se levar a sério nem mesmo poderiam ser uma amostragem séria de nada. Ainda assim, vez ou outra, brota uma pontinha daquele velho sentimento quando me ocorre que ainda existem inúmeros lugares onde homens e mulheres que exercem a mesma função têm salários díspares ou quando o país se mobiliza para ver aquele conhecido programa de tevê em que pessoas são trancafiadas numa casa para se submeterem a provas de resistência física para tentar ganhar sei lá o quê.
Essas “celebridades” serão o tema das conversas de milhões de pessoas no dia seguinte. Estamos terrivelmente pautados. E isso não me inspira preconceito ou raiva, mas o mais profundo tédio. Uma preguiça que vem lá de dentro por constatar que o tempo passa e tudo continua meio igual. Há quanto tempo existe esse programa? Por quanto tempo haverá discriminação sexual?
Acredito que o conceito e os caminhos da evolução são muito mais complexos do que posso compreender agora e não tenho a menor pretensão de tentar entendê-los. O que posso (ousar) sugerir é que enveredemos pelos rumos da outra palavrinha da moda: “consciência”. Autoconhecimento, harmonia com o todo e interação cuidadosa podem não conduzir à tal evolução, mas não devem passar muito longe disso, não é mesmo?


Intrigante… Confesso que ainda hoje me permeiam os mesmos pensamentos descritos pela autora em sua adolescência, na sala de aula. E não deveria, dadas as pré-compreensões que carrego atualmente. Mas ao me deparar com a total falta de “consciência” da raça humana, continuo a hereticamente questionar: estará Darwin mesmo certo?