Culpa: elas demais, eles de menos
“Poderia ter ficado bem melhor”, “Eu preciso me cuidar mais”, “Não acredito que esqueci”. Você se identifica com essas frases? Já se sentiu mal por não gostar do resultado do que fez ou por ter deixado passar alguma data ou compromisso e chateado alguém? Não se sinta só. Entre nós, mulheres, isso é bastante comum. Uma pesquisa da University of the Basque Country in Spain chefiada pelo Dr. Itziar Extebarria aponta que, enquanto as mulheres têm uma espécie de culpa internalizada e excessiva, os homens são deficientes nesse aspecto: sentem de menos. O estudo foi realizado na Espanha, mas pesquisas semelhantes e anteriores realizadas em outros países mostraram resultados bem parecidos.
Participaram do estudo 360 pessoas de três grupos etários (de adolescentes a idosos) que foram submetidos a testes de sensibilidade e a simulações como o esquecimento do aniversário de algum amigo. Elas se mostraram mais culpadas por terem causado frustração ou tristeza nos outros, ainda que sem intenção. Por outro lado, eles quase não dedicaram tempo pensando nas consequências das atitudes que haviam tomado.
O problema afinal está com os homens ou com as mulheres? Essa não é uma pergunta pertinente. Os homens, por baixa sensibilidade interpessoal, não se envolvem emocionalmente nesse tipo de situação, existe uma deficiência que pode levar à debilidade de culpa. No caso das mulheres, o sentimento de empatia – estado em que nos identificamos com o outro e supomos o que ele está sentindo – é maior, por isso, quando imaginamos ter causado dor a alguém, sentimos culpa, na maioria das vezes, exagerada.
A pesquisa indica também que, apesar de o comportamento de homens e mulheres seguir esse padrão, outros elementos podem alterar esse quadro. Por exemplo: pessoas que receberam educação muito rigorosa tendem a sofrer mais quando consideraram que cometeram um erro e que, quando o dano afeta terceiros, o sentimento é mais intenso.
Não é o caso de os homens se sentirem mais culpados ou de as mulheres serem mais frias. Claro que não. Talvez, o melhor, seja ter consciência dessa diferença, acolher, e adotar uma postura mais simples em que assumimos a responsabilidade por nossos atos, sem precisar sofrer. Nossas escolhas sempre terão consequências para nós e para o outros e não há como fugir dessa dinâmica, então, não justifica o sofrimento. Mas, atenção, meninos! É legal não apenas ponderar antes de tomar uma decisão, mas perceber quais são os impactos dela para agir da melhor maneira, evitando conflitos que podem ser evitados. Mas nada de chorar sobre o leite derramado. Isso, nós, mulheres, deveríamos aprender com eles.



Ola, tenho acompanhado o site/revista e os posts, tenho achado a linha bem interessante. Mas como ser humano, bípede, com polegar opositor e do sexo masculino, achei esse post e a frase “Os homens, por baixa sensibilidade interpessoal, não se envolvem emocionalmente nesse tipo de situação, existe uma deficiência que pode levar à debilidade de culpa.” um tanto quanto difícil de ser digerida/entendida. Ou sou “feminino” demais ao ponto de sentir essas culpas ou a frase não está tão bem articulada. Confesso que achei um pouco infeliz! Mas é uma observação apenas; continuem com o belo trabalho que teem feito! Parabéns
Olá, Tiago. Realmente o tema e as conclusões da pesquisa são polêmicos. A frase não está mal articulada (rs) é isso mesmo que o estudo diz. Quando redigi o post, procurei me afastar e me posicionar o mínimo possível pq sei o quanto essas pesquisas que “afastam” homens e mulheres são complicadas de digerir – particularmente, não gosto. Apesar de o feminino ser o nosso grande tema, essa pesquisa não fala de masculino e de feminino, apenas de homens e mulheres. Tb não engoli o resultado a seco, mas achei legal divulgar pq não deixa de ser interessante. Fico feliz que esteja acompanhando a tato. Abraços e obrigada