A dança das emoções
É de muito cedo que se aprende que é sempre mais sensato confiar no que nos diz a razão do de se deixar levar pela emoção. A lógica cartesiana do “penso, logo existo” perdura, ainda que se tenham passado 360 anos desde a morte de seu criador. As escolas continuam mantendo as crianças assentadas em cadeiras enfileiradas, olhando para um quadro verde e giz, racionalizando o que se supõe ser necessário apreender sobre o mundo. Suas mentes, que já nasceram na era da internet e funcionam em rede, tentam encontrar uma razão para toda essa linearidade. Enquanto o coração só entra na grade curricular na aula sobre sistema circulatório, a vida real acontece lá fora.
E quando as aulas acabam, a expectativa é de que todos nós já saibamos, sabe-se lá como, lidar bem com suas próprias emoções e se relacionar de maneira saudável e equilibrada com os demais. Não é tão simples assim.
A própria palavra emoção, do latim, emovere, significa mover-se para fora. São as emoções que, muitas vezes, nos levam a agir de determinadas maneiras. Quem nunca se alterou diante da raiva que parecia lhe dominar? Quem nunca falou um monte de coisas sem pensar por puro ciúme? E quem é que não começou a chorar num lugar completamente “inadequado” por não conseguir sequer chegar ao banheiro para desabafar? Essas reações não são erradas, mas são impulsionadas pela emoção do momento. E o que nos dirá o mundo da razão? Que devemos aprender a nos controlar, a dominar o que sentimos, a abafar as emoções.
Mas se entendermos como uma emoção funciona podemos aprender a dar espaço para que ela se manifeste e, com consciência, escolher se vamos vivenciá-la, expressá-la ou modificá-la. Pode parecer inacreditável, mas é possível fazer isso sem reprimir o que se passa dentro de nós. A primeira coisa é deixar de lado nossa mente julgadora que condena os sentimentos tidos como ruins – raiva, tristeza, impotência, medo, insegurança, solidão – e exalta os considerados bons – amor, alegria, serenidade…
No livro Energia Vital, Stephano Sabetti diz que as emoções são processos, não conteúdos. É fácil perceber isso quando observamos uma criança que mal começou a chorar, já está rindo, e depois fica com raiva do amiguinho, em seguida fez as pazes e brinca, brinca, brinca e, de repente, dorme. Esse é o movimento natural das emoções. No entanto, nós, adultos, depois de todos os condicionamentos que sofremos durante a vida, não nos sentimos à vontade para expressar muita coisa. E a tristeza, em vez de se transformar em um pedido de colo, vira mágoa. O amor, que iluminaria um olhar sem pedir nada em troca, se torna uma dorzinha no peito. E quando não dá mais para segurar tanta coisa, explodimos. É aí que uma raiva, que poderia impulsionar uma conversa franca, acaba em uma briga terrível.
Ao longo da vida, nossas células vão registrando essa repressão da energia e começam a agir no automático. Sem perceber, toda vez que uma emoção nos vier, teremos, diante dela, as mesmas reações preprogramadas, baseadas apenas em nossas memórias, nas atitudes que tomamos no passado e que nos deixaram registros. Mas, apesar de a emoção ser a mesma de antes, as situações são sempre novas. Não há um momento como outro. Como podemos agir sempre da mesma maneira?
Se pararmos por alguns instantes antes de disparar a reação automática e prestarmos atenção em nosso corpo – como está sua musculatura? onde há tensão? seu coração bate rápido ou devagar? sua respiração está lenta ou ofegante? faz calor? frio? você tem vontade de se recolher ou de expandir? – ficará cada vez mais fácil identificar qual é a emoção que está ali naquele momento. Então, a próxima pergunta será: o que eu vou fazer com isso?
Depois que nos damos conta do que estamos sentindo, podemos usar esse estado a nosso favor ou mesmo modificá-lo se ele não nos for útil. Se você sente uma raiva enorme de algo que não pode ser mudado, transforme seu estado corporal e sinta amor! Como? Intencionando que outras sensações físicas percorram seu corpo. Se quando você sente amor, tem uma sensação agradável no peito, respira mais profundamente e fica relaxado, por exemplo, traga tudo isso, intencionalmente, para seu corpo. Isso não quer dizer que você vá se tornar permissivo, mas vai poupar um gasto energético tremendo e te dar mais condições de tomar uma decisão apropriada para aquele momento. E por que não fazermos isso sempre? Segundo os estudiosos do HeartMath, “as pessoas em geral não se esforçam para ativamente infundir suas experiências diárias com uma maior qualidade emocional porque elas simplesmente não sabem como”.
Quanto mais observarmos nosso estado físico quando somos tomados por uma emoção, positiva ou negativa, mais saberemos sobre ela. Com a prática, nos tornamos capazes de reconhecer facilmente o que nos atinge e de transformar uma emoção em outra, lembrando de que sua natureza é vir e passar.
*dicas de Monika von Koss, no curso Oficina das Emoções.



Muito bacana, meninas! Acreditam que eu ainda não conhecia o blog? Mas já adicionei nos meus favoritos. Fico muito feliz que vocês estejam tocando o projeto. Desejo muito sucesso para vocês!
bjos!
Ana
Ei, Ana! Muito obrigada pela visita
beijos
[...] falei sobre isso no post A Dança das Emoções, mas resolvi retomar o assunto depois de me deparar com uma pesquisa do psicólogo do Barnard [...]