O Milionésimo Círculo
Por Manoella Oliveira
Há cerca de 30 anos, cientistas observavam macaquinhos em ilhas do Japão. A ideia era atraí-los com batata-doce para que descessem das árvores e se posicionassem em locais onde pudesse ser melhor analisados. Um dia, uma macaquinha chamada Imo resolveu lavar o alimento no mar antes de comê-lo. Como a experiência foi bem sucedida, ela ensinou aos outros como fazer. E a prática foi se difundindo até que todos os macacos daquela ilha passaram a lavar suas batatas antes de comê-las.
O mais interessante, porém, é que os cientistas observaram que, depois de algum tempo, todos os macacados das ilhas do Japão adotaram o hábito, ainda que não houvesse nenhuma comunicação entre as colônias.
A alegoria do “Centésimo Macaco” escrita por Ken Keynes Junior e baseada na Teoria do Campo Mórfico, do biólogo Rupert Sheldrake, infere que quando um comportamento atinge seu número crítico, ele se torna um padrão para a espécie. Assim como funcionou com os macacos, nossa cultura pode mudar com a existência de um “centésimo macaco”.
É a partir daí que Jean Shinoda Bolen, M. D., analista junguiana, palestrante internacional e autora de best sellers como A Sincronicidade e o Tao, apresenta o tema em seu livro O Milionésimo Círculo, que descreve o potencial das mulheres (e homens interessados) em mudar nosso rumo ao criar um novo padrão para uma era pós-patriarcal. Para a autora, a guinada já começou.
A chave de transformação seriam os Círculos de Mulheres, encontros que fazem emergir a sabedoria coletiva de que precisamos agora, para que haja uma integração entre o yin que evoca a conexão com o sagrado feminino e a deusa e o yang (masculino) que tem dominado e desequilibrado as relações no patriarcado. De círculo em círculo, alcançaríamos um número específico (o milionésimo círculo) responsável pela mudança de padrão. Para o patriarcado mudar, precisamos unir essa sabedoria, que é materializada no Círculo de Mulheres.
O Círculo pode ser de dança, de cura, de irmandades, de costuras, de discussões temáticas, enfim, existem infinitas possibilidades da criação desse espaço de troca, confiança e conexão. Jean Shinoda afirma que “cada círculo é uma recuperação da forma arquetípica que emerge de cada Círculo de Mulheres que já existiu e cada Círculo, por sua vez, agrega energia ao campo arquetípico que tornará mais fácil a criação do próximo”.
É este o objetivo do livro: facilitar a multiplicação, acelerar o processo. Pequeno, quadrado e inspirado em livros de poesia – formato descoberto pela autora como mais eficiente para comunicar com a psique do leitor com que quer falar - O Milionésimo Círculo ensina passo a passo como criar e manter um Círculo e conta muito de suas possibilidades e contribuições. A escrita é deliciosamente fluida e o conteúdo é altamente recomendável.
O Milionésimo Círculo (The Millionth Circle)
Jean Shinoda Bolen, M.D.
Editoras Triom e Taygeta
118 p.



[...] último encontro do Círculo de Mulheres que frequento, o tema era “ouvir o coração para escolher o melhor caminho”. É o tipo de [...]