Seu colo de mãe - tato Seu colo de mãe - tato



Seu colo de mãe

imagem: sony world photography awards 2008

Por Thays Prado

De vez em quando eu sinto falta de mãe. E vejo que com a maioria dos adultos que conheço não é diferente. Se boa parte das crianças tem, de fato, a figura materna por perto e os adolescentes, em sua busca desenfreada por identidade, aparentemente, querem se ver livres dela, nós, adultos, nos sentimos meio órfãos. Vez ou outra, bate aquela vontade de ter um colo aconchegante, um afago no cabelo, um olhar atento, um conselho, uma alegria verdadeira por cada conquista nossa, um abraço forte e um sorriso manso que dizem, em silêncio, que tudo vai terminar bem.

Muitos de nós já não podem ter isso da própria mãe – porque ela se foi, porque mora longe, ou mesmo porque ela não sabe como fazê-lo (muito provavelmente, por também nunca ter recebido nada disso de ninguém). No entanto, a maioria de nós não se dá conta de que, como adultos, temos a capacidade de exercer essa função materna para nós mesmos. “O impulso para maternar independe da maternidade biológica, como bem o demonstram mulheres e homens que dedicam sua vida a cuidar de outros, independentemente de serem crianças ou seus filhos biológicos. Em condições normais, o amor materno é uma emoção resistente e teimosa, que pode ser expressa por todo ser humano“, escreve a terapeuta Mokika von Koss, em seu artigo “Matriz, mãe, maternidade“.

Em um outro texto, “A criança como ponto de partida“, ela diz que nossa criança interior ferida precisa de uma mãe para crescer, mas, “depois que nos tornamos adultos, nenhuma pessoa poderá preencher esta função, porque ninguém terá acesso à nossa criança, a não ser nós mesmos”. A solução está em encontrar nossa “mãe interna”, algo dentro de nós que se disponha a nos amar por inteiro. “Quando começamos a nos amar incondicionalmente, a nos aceitar como somos, sem restrições, a escolher situações que reforçam nosso valor como pessoa, então ativamos nossa mãe interna e podemos começar a recuperar nossa confiança na vida. Começamos a perceber as coisas belas e alegres, as possibilidades que se descortinam diante de nós a cada dia. Começamos a mobilizar os recursos que ficaram guardados, enriquecendo nossa vida em todos os sentidos. Começamos a nos relacionar de forma mais saudável, mais amadurecida, mais satisfatória, respeitando não apenas os nossos próprios limites, mas igualmente os limites das outras pessoas”, afirma Monika.

Nesse exercício constante de amor, ela recomenda que nossa mãe interna acolha todas as nossas partes, especialmente as que não gostamos e costumamos deixar de lado, esquecidas. “Enquanto você materna a si mesma, você estará maternando a humanidade”, diz.

Por isso, neste domingo, honremos nossas mães pelo que puderam nos oferecer, seja isso, em nosso julgamento, muito, médio, pouco ou bem diferente do que esperávamos. E botemos nossa criança interior no colo.

Um feliz dia para todas as mães internas deste planeta!

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2 Comentários

    ótimo texto.

  • Muito gratificante esse texto. Principalmente quando fala da mãe interior e que depende de nós. Parabéns!Acesse também http://www.saltoquantico.com.br vai ajudar a aprofundar o estudo.

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