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Menos Botox, mais emoção

Por Thays Prado

Toda emoção começa com uma sensação física. A frase pode soar estranha, mas é o que têm revelado pesquisadores da medicina e espiritualistas. O corpo capta antes da mente os estímulos externos e internos e dispara sensações físicas como coração acelerado, frio na barriga, nó na garganta, suor frio, respiração ofegante, relaxamento ou contração muscular, entre tantas outras. É com base nesses sinais corporais que a mente interpreta qual o sentimento presente – medo, alegria, raiva, amor, insegurança, serenidade – e julga o que exatamente vai fazer com isso: sair correndo, partir pra cima da outra pessoa, abraçá-la, falar calmamente, ficar em silêncio, chorar, gargalhar etc.

Isso também quer dizer que se provocarmos certas sensações físicas em nosso corpo, de propósito, seremos capazes de produzir determinadas emoções, mesmo que não tenha acontecido nada para sentirmos aquilo. Experimente agora: relaxe seu corpo, respire profunda e lentamente, mantenha seu peito aberto, sinta um calorzinho agradável percorrendo cada célula e visualize uma energia que sai do seu coração e se expande em ondas envolvendo todo o seu corpo e o ambiente ao redor e sorrir. Muito provavelmente, você vai sentir amor.

Já falei sobre isso no post A Dança das Emoções, mas resolvi retomar o assunto depois de me deparar com uma pesquisa do psicólogo do Barnard College, em Nova York, Joshua Davis, publicada na revista científica Emotion deste mês, e que mostra a influência das aplicações de Botox na experiência emocional. “O Botox me deixa mais jovem e bonita e isso afeta diretamente a minha autoestima”, poderia imaginar uma leitora no primeiro momento. “Com aplicações de Botox, os músculos ficam paralisados e isso restringe a expressão facial”, foi o que pensei.

Mas a pesquisa vai além. Submetidos a vídeos que estimulavam o surgimento de emoções positivas e negativas, as pessoas que haviam aplicado a toxina botulínica apresentavam uma experiência emocional menos intensa do que a do grupo de controle. A conclusão da pesquisa é que expressões faciais limitadas podem, em algumas circunstâncias, reduzir a habilidade de se emocionar, pois o cérebro tem um feedback menor para interpretar.

Agora, a escolha é sua: dar uma paralisadinha nas linhas de expressão e ficar esperando que sua cabeça perceba um olhar de aprovação (seu ou dos outros) para se sentir feliz por alguns instantes, ou sorrir bastante e sentir no corpo uma alegria genuína. Também é bom lembrar que as pessoas felizes se sentem muito mais bonitas e atraem para perto de si outras pessoas que estão na mesma sintonia.

Eu ainda opto por experimentar a vida com a maior riqueza possível de detalhes.



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