S de saudade
Por Manoella Oliveira
Como qualquer pessoa, não gosto de despedidas. Como típica taurina, detesto mudanças. Gosto de acordar, olhar para o teto e reconhecê-lo. Nada contra um friozinho na barriga de vez em quando (de vez em quando!), mas a primeira sensação que gosto de ter ao levantar definitivamente não é a de estranhamento.
Quem quiser poder fazer pose de descolado e me achar tediosa, mas só pode falar isso quem, em pouco mais de um ano e meio, se mudou de cidade duas vezes e de casa, sete, como eu. Não chega a ser um desconforto, claro, afinal, as escolhas são minhas, mas é complicado. Mudar de casa normalmente significa ficar mais longe do trabalho, fora de mão da academia de dança, o que implica alterar a maneira com que me desloco, as pessoas com quem eu convivo e, muitas vezes, o horário em que eu acordo. É mexer em muita coisa ao mesmo tempo! E lembrem-se do meu signo.
De tudo, o que é pior é a saudade dos amigos que tenho e dos lugares a que não fui. Talvez, do estilo de vida que eu poderia ter levado, mas optei por abrir mão e saí de “lá” antes de experimentar. Costumo ir embora assim, com um gostinho de que poderia ter feito mais e melhor por mim. Normal. E começa uma nova etapa e cá estou eu recomeçando. Recomeçar não é para qualquer um, especialmente para mim. O destino (ou o universo, ou Deus ou o que vocês preferirem) sabe disso muito bem e me coloca no meio de vendavais que me jogam de um lado para o outro sob a justificativa capenga do aprendizado.
A desculpa é velha, mas eu ainda aceito porque sei que esse é um caminho para a consciência. Meio tortinho, é verdade, mas é a trilha e estou aprendendo a não brigar com o que está dado. De tudo, posso dizer que reavaliei minha capacidade de adaptação e que, mesmo para uma taurina clássica como eu, é possível mudar tudo sem perder a estrutura – pelo menos a emocional. Não vou dizer que “a casca endurece”ou “que o sofrimento nos deixa mais fortes” porque eu de-tes-to clichês e, mais ainda, essa conversa besta de que é bom se estropiar na vida para virar gente grande. Os seguidores dessa filosofia que se estropiem à vontade.
Penso que, quando as mudanças acontecem, nós enxergamos nossa capacidade de reestruturação, o que é bem diferente de aprender a estruturar na base da martelada. Nós já sabemos como fazer, mas só percebemos isso quando precisamos ir a fundo buscar por essa força.
E lá vou eu encarar mais um início com mais confiança do que antes, embora sinta a tradicional antipatia do inesperado. Moradia, móveis e transporte público são “contornáveis”. O que dói mesmo é a saudade e as despedidas que sei que estão por vir.



aff fiquei curioso com esse post… eu n sou taurino mas tbm n gosto de mudanças de casa, gosto de surpresas, mas gosto de saber onde estou antes de abrir os olhos ao acordar. bju!
Bom, ontem eu deixei um comentário aqui, mas parece que não deu certo…
Enfim, parabéns a todas pelo blog e parabéns Manu, pelo ótimo texto. Adoro quando você atualiza o blog (vocês poderiam atualizar mais vezes, né?) Beijos
É, e é assim que dizem que a gente cresce, e se reconhece…a cada nova mudança…a cada novos objetivos…..mudanças são necessários para saber quem realmente somos e o que realmente queremos para nós mesmo….doi…doi muito….mas uma hora passa…
Parabéns pelo post….amei….
Olá! Realmente, a gente poderia atualizar mais vezes. Mas isso faz parte da minha mais nova mudança. Quero me dedicar ao que faz sentido para mim e a Tato é uma das minhas prioridades. Obrigada pelos elogios e pela força. Ando precisando de gente querida por perto, seja pessoal ou virtualmente. Bjos
boa sorte, manu
ps: amo ilustrações da van!
Ah, finalmente alguém comentou sobre minhas ilustrações, rs
Obrigada pelo “amo”! Mas é claro que nada seria sem os belos textos das meninas para me inspirarem…
Mais um texto seu que eu AMEI! Parabéns Manoella! Ah e as ilustrações são a coisa mais lindas! Parabéns para a designer tb! Virei fã, he he he.
A propósito, conhece a Tati Bernardi? A-D-O-R-O os textos dela. Se não conhecê-la fica a dica de uma publicitária e blogueira que resolveu desabafar e acabou virando celebridade – o que já lhe rendeu dois livros somente de posts.
Beijos
[...] de confirmar para que eu não me sentisse tão neurótica. Por esse motivo, em vez de ligar para a mais nova carioca do pedaço e responder apenas a ela, resolvi dividir com cada um(a) que lê essas linhas o meu conceito de [...]