Por que as canções de amor estragam seu relacionamento
Pense rápido: quantas músicas você conhece que tenham, na letra, “preciso de você” (serve “I need you” também), “I can’t live without you” e afins? Confesso que não sou a pessoa mais romântica do mundo, aliás, não sou nem um pouco romântica. Meu gosto musical oscila entre Metallica e Tchaikovsky – parece pegadinha, eu sei, e tanto parece que já escrevi sobre isso para o Oi tudo em cima? no Dia Mundial do Rock – então, não vou enganar ninguém e já digo, de início, que “love songs” não estão mesmo entre as minhas favoritas.
Independente do gosto musical, vamos aos fatos. As letras de músicas de amor são assustadoras. Algumas falam que um está viciado no outro, que um não vive sem o parceiro, que não respira sem o dito cujo e que, sem ele, não quer mais viver (de Ke$ha a César Menotti e Fabiano é assim). Agora vamos pensar que as pessoas cantem isso repetidamente porque toca na rádio, porque gostam da música ou, simplesmente, porque ela grudou na cabeça. Não é preciso ser nenhuma universidade de Cambridge ou Harvard para imaginar que não é saudável ouvir e repetir (cantarolando) isso com frequência.
O motivo é óbvio. Esse tanto de eu-lírico que precisa dos outros e morre, esperneia, chora e dramatiza por qualquer coisa mostra o pior modelo de relacionamento, o que envolve dependência amorosa. E as pessoas ouvem, absorvem e, aos poucos, assimilam, acham normal, até chegar ao ponto de achar bonito e incorporar.
Sinceramente, não sei por que os compositores gostam tanto de expressar justamente esse lado das coisas. O eu-lírico dessas músicas é dependente, não sabe lidar com seu poder pessoal, não tem lá muito amor-próprio e deve detestar a própria companhia, caso contrário, não precisaria do outro. Em vez disso, gostaria de ficar junto, de compartilhar mil coisas, de trocar, viver experiências, conhecer lugares, aprender junto… mas “precisar”? Verbo infeliz e muito diferente de “querer”, “gostar” ou “amar”. As pessoas precisam é de se manter centradas e aprender a respeitar a si e o outro.
Vamos agravar o quadro. Imagine que muitas pessoas associem músicas a pessoas e, também, que existem aqueles casais que querem ter a “nossa música”. Imagino a dor da separação de um casal que elegeu uma dessas “preciso desse amor” como trilha sonora. Ou que, ainda que não tenha música nenhuma, aceitou esse padrão difundido pelas músicas como real, como se fosse muito normal as pessoas dependerem uma das outras nesse nível. É muito sofrimento dar conta disso tudo! As pessoas não dão conta nem delas mesmas, como dar conta dela, do outro e de uma relação de dependência desse nível?
Mas, apaixonados, existem canções de amor legais. O meu amor, do Chico Buarque é uma delas. Ok, para não ficar na elite da MPB, vamos dar um giro de 180º. Alguém já ouviu Save me from myself, da Christina Aguilera? Ou, novo giro de 180º, Nothing Else Matters, do Metallica?
Opções existem e recomendo, como boa fã de rock, que as pessoas optem por parar de ouvir esse povo que faz leilão com o coração e ouçam letras mais saudáveis. Mas, falando sério, o que recomendo de verdade é que cada um ouça o que quiser, no estilo que preferir, mas que saiba rir das letras de dependência amorosa e saiba, também, que elas não foram feitas para ser levadas a sério. Cante, se expresse, faça drama, desabafe, mas ria depois, por favor. Não gaste mais do que 30 minutos nessa brincadeira. Faz mal.
Para não parecer que eu sou de pedra e não ouço nada nhenhenhém informo que minha canção melosa favorita é Space Dye Vest, do Dream Theater. Ela é exagerada, dramática e ridícula tanto quanto várias outras (atenção para o fato de que eu tenho consciência do quão ridícula ela é), mas ela tem um trecho que diz muito do que deveria ter em outras letras: respeito ao outro enquanto indivíduo.
“He wants you for possession something to look at like a painting or an ivory box. He only wants you to own and to display. He doesn’t want you to be real, to think or to live. He doesn’t love you, but I love you and I want you to have your thoughts, ideas and feelings even when I hold you in the arms”.
(em tradução livre: “Ele te quer como posse, algo para admirar como uma pintura ou uma caixa de marfim. Ele só te quer para possuir e ostentar. Ele não quer que você seja uma pessoa real, pense ou viva. Ele não te ama, mas eu te amo e quero que você tenha seus próprios pensamentos, ideias e sentimentos mesmo quando estiver em meus braços”).
Por que as canções de amor estragam seu relacionamento
Você já parou para prestar atenção na letra do que toca por aí? Como isso afeta a sua vida? Eis minha teoria
Por Manoella Oliveira
Pense rápido: quantas músicas você conhece que tenham, na letra, “preciso de você” (serve “I need you” também), “I can’t live without you” e afins? Confesso que não sou a pessoa mais romântica do mundo, aliás, casais grudentos me dão náusea não sou nem um pouco romântica. Meu gosto musical oscila entre Metallica e Tchaikovsky – parece pegadinha, eu sei, e tanto parece que já escrevi sobre isso para o Oi tudo em cima? no Dia Mundial do Rock – então, não vou enganar ninguém e já digo, de início, que “love songs” não estão mesmo entre as minhas favoritas.
Independente do gosto musical, vamos aos fatos. As letras de músicas de amor são assustadoras. Algumas falam que um está viciado no outro, que um não vive sem o parceiro, que não respira sem o dito cujo e que, sem ele, não quer mais viver (de Kesha a César Menotti e Fabiano é assim). Agora vamos pensar que as pessoas cantem isso repetidamente porque toca na rádio, porque gostam da música ou, simplesmente, porque ela grudou na cabeça. Não é preciso ser nenhuma universidade de Cambridge ou Harvard para imaginar que não é saudável ouvir e repetir (cantarolando) isso com frequência.
O motivo é óbvio. Esse tanto de eu-lírico que precisa dos outros e morre, esperneia, chora e dramatiza por qualquer coisa mostra o pior modelo de relacionamento, o que envolve dependência amorosa. E as pessoas ouvem, absorvem e, aos poucos, assimilam, acham normal, até chegar ao ponto de achar bonito e incorporar.
Sinceramente, não sei por que os compositores gostam tanto de expressar justamente esse lado das coisas. O eu-lírico dessas músicas é dependente, não sabe lidar com seu poder pessoal, não tem lá muito amor-próprio e deve detestar a própria companhia, caso contrário, não precisaria do outro. Em vez disso, gostaria de ficar junto, de compartilhar mil coisas, de trocar, viver experiências, conhecer lugares, aprender junto… mas “precisar”? Verbo infeliz e muito diferente de “querer”, “gostar” ou “amar”. As pessoas precisam é de se manter centradas e aprender a respeitar a si e o outro.
Vamos agravar o quadro. Imagine que muitas pessoas associem músicas a pessoas e, também, que existem aqueles casais que querem ter a “nossa música”. Imagino a dor da separação de um casal que elegeu uma dessas “preciso desse amor” como trilha sonora. Ou que, ainda que não tenha música nenhuma, aceitou esse padrão difundido pelas músicas como real, como se fosse muito normal as pessoas dependerem uma das outras nesse nível. É muito sofrimento dar conta disso tudo! As pessoas não dão conta nem delas mesmas, como dar conta dela, do outro e de uma relação de dependência desse nível?
Mas, apaixonados, existem canções de amor legais. O meu amor, do Chico Buarque é uma delas. Ok, para não ficar na elite da MPB, vamos dar um giro de 180º. Alguém já ouviu Save me from myself, da Christina Aguilera? Ou, novo giro de 180º, Nothing Else Matters, do Metallica?
Opções existem e recomendo, como boa fã de rock, que as pessoas optem por parar de ouvir esse povo que faz leilão com o coração e ouçam letras mais saudáveis. Mas, falando sério, o que recomendo de verdade é que cada um ouça o que quiser, no estilo que preferir, mas que saiba rir das letras de dependência amorosa e saiba, também, que elas não foram feitas para ser levadas a sério. Cante, se expresse, faça drama, desabafe, mas ria depois, por favor. Não gaste mais do que 30 minutos nessa brincadeira. Faz mal.
Para não parecer que eu sou de pedra e não ouço nada nhenhenhém informo que minha canção melosa favorita é Space Dye Vest, do Dream Theater. Ela é exagerada, dramática e ridícula tanto quanto várias outras (atenção para o fato de que eu tenho consciência do quão ridícula ela é), mas ela tem um trecho que diz muito do que deveria ter em outras letras: respeito ao outro enquanto indivíduo.
“He wants you for possession something to look at like a painting or an ivory box. He only wants you to own and to display. He doesn’t want you to be real, to think or to live. He doesn’t love you, but I love you and I want you to have your thoughts, ideas and feelings even when I hold you in the arms”.
(em tradução livre: “Ele te quer como posse, algo para admirar como uma pintura ou uma caixa de marfim. Ele só te quer para possuir e ostentar. Ele não quer que você seja uma pessoa real, pense ou viva. Ele não te ama, mas eu te amo e quero que você tenha seus próprios pensamentos, ideias e sentimentos mesmo quando estiver em meus braços”).



nossa, é um ciclo vicioso pra lá de tenso mesmo. mas tem muita música de amor que é bonita – no sentido não-dependente da coisa. e outra: existem outras milhares de canções sobre “não preciso de você”, “saia da minha vida” e “não te aguento mais”. a galera precisa equilibrar mas, acima de tudo, não transformar qualquer música em hino ou mantra.
Concordo totalmente, Gabriel. Tem mta musica bonita por aí e eu sou apaixonada por música tanto quanto sou por dança. Vale a pena vasculhar para achar as canções realmente bonitas ou, também, ouvir qualquer coisa drama queen desde que vc volte ao seu estado de equilíbrio ao final do último acorde. Beijos!
Tenho um longo rascunho sobre o mesmo problema. Deve sair em breve no Nao2Nao1 (estou sem acento aqui).
Vou falar de filmes, de arte em geral, e mostrar como ela nos ensina a amar (e isso inclui os problemas que citou).
Otimo blog, nao conhecia, parabens.
Gustavo
Eu sugiro Everlong do Foo Fighters e The Best of You da mesma banda.
Ótimo post, tenho que mostrar para minha noiva que adora um sertanejo leiloeiro
Ótimas sugestões, Igor! Eu a-do-ro Everlong e estava Ouvindo The Best of You enquanto escrevia o post Obrigada e “volte sempre”
Eu escuto muitas coisas “nhenhenhém” e mais um tanto de tranqueira que vc sabe muito bem, rs. Mas minha “canção melosa favorita” é Head Over Feet, da Alanis Morissette. Essa pode, né? Hehehe… O que me fez amar a música é justamente o tipo de amor/história de amor que ela descreve.
Pra variar, enviei como “Anonymous”. Mas quem que vc conhece que escuta tranqueira, né? Sou eu mesma!
Minha canção de amor preferida é obsessions do Suede Olha a tradução:
É o jeito com que você pega suas roupas do chão
É como você coça suas costas enquanto boceja
São as camisetas que você escolhe,
como se estivesse na Força Aérea
É a linguagem que você usa, que reage como química com a minha
Obsessões na minha cabeça
Não conectam com o meu intelecto
Chama-se obsessão
Você consegue lidar com isso?
Está conectado com movimentos do quadril
E move-se pelo subsolo
Chama-se obsessão
Quando você está por perto
É o jeito como você fecha a porta do meu carro
São as coisas idiotas que você comprou com o meu cartão de crédito
É porque você não lê Camus ou Brett Easton Ellis
É o piercing de língua que você usa,
que machuca quando a gente se beija
Obsessões na minha cabeça
Não conectam com o meu intelecto
Chama-se obsessão
Você consegue lidar com isso?
Está conectado com movimentos do quadril
E move-se pelo subsolo
Chama-se obsessão
Quando você está por perto
Obsessões são como o sexo
É simples e complexo
Chama-se obsessão
Você agüenta isso?
Está conectado com movimentos do quadril
E move-se pelo subsolo
Chama-se obsessão
Quando você está por perto
Love Song do ano 2000, perfeita!
Poxa, fiz um baita comentário no dia que entrou o post e ele não foi!!!
rs
Vou ler tudo de novo de pois e comento novamente.
Beijão!
Eu sou romântico…puxa, eu acabei reconhecendo isto. Mas! Mas!!! Existem coisas a ponderar…se vc não diferenciou o “eu te amo” de, digamos (perdão) Vitor & Léo, e de Cat Stevens ou, quem sabe, Ed Motta, as coisas estarão realmente confusas em seu planeta. É tema complexo, mas a Manoella tem razão. Lembro me de uma canção do sr Sebastião Maia, o Tim, em que havia um verso assim: “eu preciso respirar o ar que vc respira”. Uau! Já pensou? Creio que é exatamente isto que diferencia o brega, o pop, da arte, estas coisas…em arte o que se diz é tão importante qto “como” ou “quem” diz. Um beijo para a Manoella e o pessoal da Tato!
Verdade… tanta música boa… Nada contra essas citadas no artigo, mas acredito que sentimento é subjetivo, não pode ser direto como “preciso de você”, ou coisas do tipo… Tudo hoje é muito óbvio, muito banal. Perdeu-se aquele um pouco daquele mistério, aquelas músicas que te faziam pensar o que realmente o compositor queria dizer. Lembrei das músicas da Sade, que além de trabalhar muito bem na melodia, nenhuma das suas letras tem “I love You” ou coisas do tipo. Recomendo ouvir “Soldier of Love”. Creio que vão gostar.
Não sou muito fã de tradução não, mas a ocasião faz o ladrão, né.. rsrsr taí a letra da música a que me referi:
Eu perdi o uso do meu coração
Mas eu ainda estou vivo
Ainda olhando para a vida
A piscina infinita do outro lado
É um oeste selvagem
Estou fazendo o meu melhor
Estou no limite de minha fé,
Eu estou no interior da minha devoção
Na linha de frente dessa batalha de minas
Mas eu ainda estou vivo
Eu sou um soldado do amor.
Todo dia e noite
Eu sou soldado do amor
Todos os dias da minha vida
Eu fui rasgado por dentro (oh!)
Eu fui deixado para trás (o oh)
Então eu monto
Eu tenho a vontade de sobreviver
No oeste selvagem,
Tentando o meu
Fazendo o meu melhor
Para permanecer vivo
Eu sou soldado do amor!
Eu espero para o som
(Oooh oohhh)
Eu sei que o amor virá (que o amor virá)
Transformá-la em todo
Eu sou um soldado do amor (soldado do amor)
Todo dia e noite
Eu sou um soldado do amor
Todos os dias da minha vida
Eu estou perdido
mas eu não duvido (oh!)
Então eu monto
Eu tenho a vontade de sobreviver
No oeste selvagem,
Tentando o meu
Fazendo o meu melhor
Para permanecer vivo
Eu sou soldado do amor!
Eu espero para o som
Eu sei que o amor virá
Eu sei que o amor virá
Transformá-la em todo
Eu sou um soldado do amor
Eu sou um soldado
Ainda à espera de um amor que viesse
Transformá-la em todo
Eu sou um soldado do amor
Eu sou um soldado
Ainda à espera de um amor que viesse
Transformá-la em todo
Olá Manoella.
Adorei seu comentário, pois concordo integralmente. O “lance” é ouvir e “desligar”, senão o negócio vira um “mantra” e quando vê, a pessoa passa a acreditar em algumas dessas bobagens. Basta olhar o número de divórcios aumentando a cada dia. Abraços.