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O caminho para a felicidade

 

Por Thays Prado
Imagem . Vanessa Siqueira

Está tudo aparentemente bem. Aparentemente. Considerando as atuais condições do país, não seria justo reclamar do emprego e nem mesmo do salário. Existe uma relação afetiva que funciona bem, dentro de algumas regras, é claro. Há uma casa confortável. Uma família relativamente estável. Bons amigos espalhados por aí. Saúde acima do que se poderia esperar de uma vida estressante em uma cidade maluca. Nenhuma briga com a balança. Nada muito grave com o espelho. Terapia.

Quem olha de fora, é, quase sempre, incapaz de conceber qualquer reclamação. Mas a verdade é que, mesmo diante de um cenário assim, há muita infelicidade. Pelo menos por aqui. E talvez haja infelicidade por aí também, dentro de você, que, por algum motivo, lê esse post.

O que tenho descoberto é que a felicidade tem muito, muito pouco, a ver com o contexto externo. É claro que, sem dinheiro, sem lar, sem que um ser neste mundo te ame, sem amar uma pessoa sequer, sem saúde ou sem a mínima satisfação com seu corpo físico, fica bem difícil se sentir feliz. E então, caímos em uma armadilha: imaginamos que quando tivermos isso, fizermos aquilo, ganharmos tal coisa, conquistarmos certo lugar, adquirirmos determinado status, estivermos com aquele corpo, formos assim ou assado, en-fim!, seremos felizes.

E à medida em que vamos ticando essa lista e a felicidade não vem, podem surgir algumas justificativas: é que o carro não era bem esse, o parceiro ou a parceira não era exatamente desse jeito, o peito podia ter ficado um pouquinho menor, a calça entra mas não caiu bem, a pós deixou a desejar, o salário está incrível mas nem tenho tempo de gastar o que ganho, agora que isso ficou legal, aquilo ferrou de vez!

Não vou nem entrar no mérito do quanto o mercado se aproveita dessa nossa grande confusão para continuar gerando em nós, diariamente, um milhão de novas falsas necessidades e promessas de felicidade.

Se você ainda não se deu conta disso em sua vida, comece a prestar atenção. Não importa quão grande seja a sua lista, e quantos OKs vc já tenha colocado nela, não é por aí que a verdadeira felicidade circula. Como diria uma grande mestra que conheci “não adianta pedir pãozinho na farmácia. Vá à padaria”. Do mesmo jeito, não adianta procurar a felicidade onde ela não está.

Mas, onde ela está, afinal? A resposta correta é nada mais que o maior clichê que você já ouviu tantas vezes: a felicidade está dentro de você. Eu sei, talvez você esteja pensando: e eu cheguei até aqui para ler essa obviedade? Espere um pouco. Por que será que por mais que a gente ouça essa frase o tempo todo e até a repita muitas vezes, continua tão difícil ser feliz?

Eu tenho um palpite: é que não conseguimos acessar o “nosso dentro”. É fácil falar sobre ele, mas poucos de nós estão, de fato, conectados com sua essência interior. Por isso, compartilho aqui um presente que recebi: um exercício* extremamente simples capaz de te levar para dentro de você mesma(o).

Três ou quatro dedos abaixo do encontro entre as suas clavículas, você vai encontrar um leve relevo. Esse ponto é chamado de “Assento da Alma”. Por meio dele é possível se aproximar, cada vez mais, de quem você verdadeiramente é, da sua porção divina, que vai além dos caprichos do ego. Então:

- vá para um lugar tranquilo onde não será interrompida(o),
- fique em uma posição confortável e feche os olhos,
- encontre, com seus dedos, o seu Assento da Alma,
- foque sua atenção neste ponto o mais profundamente que puder,
- respire neste ponto, sentindo seu peito subir e descer,
- intencione que a cada inspiração, você traz a sua essência para a superfície, para a sua vida diária,
- intencione que a cada expiração, você irradia essa essência por cada célula do seu corpo,
- sinta que essa energia flui para o seu rosto, de modo que sua expressão se torne mais autêntica,
- sinta que ela segue pelas suas mãos, ajudando você a ser verdadeira(o) com seus reais propósitos,
- sinta que sua essência chega até seus pés e permite que você experimente como é ter o seu verdadeiro eu sendo a base da sua vida.

O efeito desse exercício é cumulativo. A cada dia que você o fizer, por dois minutinhos que seja, está mais próxima(o) desse contato real consigo. O grande barato é começar a agir interna e externamente a partir desse lugar, dessa essência. A qualidade das atitudes, das escolhas, das relações, dos sentimentos e pensamentos se torna infinitamente mais leve, fluida, agradável e coerente com suas reais intenções.

É aí, bem pertinho de você, que mora a sua felicidade. Experimente e depois nos conte como você se sentiu!
*© 2010 Catherine Wilkins

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4 Comentários

    Sempre reparei isso.
    A gente vive reclamando de nossa vida, mas quando olhamos o mundo e a vida de outras pessoas, a gente pensa: “Poxa vida, e eu aqui reclamando de barriga cheia”.
    Mas a verdade é que as pessoas tendem a reclamar sempre. Isso já virou algo natural no ser humano.
    Não acredito em felicidade. Acredito em momentos felizes. Como vc mesmo disse, a gente sempre vai querer mais, sempre estaremos buscando algo a mais, e por isso, nunca estaremos felizes por completo.
    Quando a pessoa fica buscando a felicidade, acaba perdendo momentos da vida dela que teria lhe proporcionado a tal felicidade, se ela não estivesse tão ocupada “sonhando”.
    Mas a felicidade está nas pequenas coisas, pequenos momentos, cada detalhe. A vida é feita de momentos!! ;)

    Adorei o texto, muito bem escrito. Adorei mesmo.
    E a arte também ficou ótima!!
    Parabéns!!

  • Eu amo esse blog. Lindo e com textos tão inspirados… =)

  • Interessante, vou praticar, depois volto aqui para comentar. Parabens pelo blog. bjs

  • Li a mensagem,O caminho para a felicidade, e gostei muito. O que ela me passou fez com que eu refletisse um pouco mais sobre o meu “eu”, podendo a partir daí me conhecer melhor e adotando posturas mais acertadas neste mundo tão conturbado e competitivo. Nos últimos tempos tenho passado por momentos difíceis na vida e esta reflexão é muito oportuna. Irei realizar o exercício sugerido: Assento da alma assim que puder. Acredito ser de muita valia. Darei retorno. Beijos.

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