A velha questão do rosa para meninas



A velha questão do rosa para meninas

Por Manoella Oliveira

Talvez você já tenha visto esse vídeo, mas se ainda não teve a oportunidade, se dê a chance de conhecer a visão de uma criança, Riley, que está indignada porque todos os “brinquedos para meninas” são rosa enquanto, na opinião dela, nem todas as garotinhas gostam de rosa e algumas meninas gostam de super-heróis. Ela questiona, brava, enquanto bate nas caixas da loja, por que os garotos têm opções de cores e elas não. E mais: por que elas têm que comprar princesas em vez de super-heróis.

Na verdade, tanto princesas quanto super-heróis estão à venda para quem quer que seja, estão no mundo para comercialização sem regras. Basta que os adultos façam, digamos, uma melhor distribuição dos presentes. Em outras palavras: a indústria de brinquedos fabrica ambos, cabe aos pais, aos pais dos amigos, aos educadores e aos familiares sair do círculo vicioso de dar sempre o mesmo tipo de brinquedo para um sexo e outro tipo bem diferente para o outro.

Quem está viciado em dar “coisas rosa” para meninas e “coisas de qualquer outra cor menos rosa” para os meninos são os adultos, não é a indústria. É claro que ninguém é bobo e sabe que as próprias propagandas de cada produto mostram a quem ele é direcionado, mas nem sempre as crianças são induzidas, elas gostam é de brincar. Nesse caso, por que agir em consonância com o determinismo da propaganda?

O importante é dar espaço para a criança desejar. Não adianta os pais se chocarem porque a filha não gosta de rosa e nem se frustrarem porque a filha gosta de rosa e isso é muito clichê e, “oh meu Deus, ela está sendo manipulada!”. Muitas meninas gostam de rosa mesmo e isso não significa nada, além do fato de ela gostar de rosa. E muitas não gostam. E os dois grupos vão crescer saudáveis e felizes – e se não crescerem, tenho certeza de que não será por causa da cor favorita.

Os adultos precisam parar de problematizar o que é simples, como uma cor ou uma brincadeira. Os pais precisam deixar a criança livre para escolher entre a boneca ou o super-herói (ou os dois! Qual o problema?) e a indústria de brinquedos pode e deve, sim, dar mais opções de cor às meninas. Elas vão adorar ter o mundo mais colorido.

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