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Deusas: Ísis

Por Manoella Oliveira

 

Ísis, filha de Geb e de Nut, é uma deusa com quem sinto conexão especial. Por vezes, ela apareceu em meus sonhos enviando símbolos bastante misteriosos e convidativos. Curiosamente, pesquisando, descobri sua fama como deusa com poder de cura extraordinário, através dos sonhos. Em seus templos, doentes que resistiam a tratamentos tradicionais, sob cuidados e orientados por sacerdotes, dormiam no local esperando descobrir, por meio de um sonho enviado pela deusa, a cura mais efetiva para si. Mas essa não era a única faceta responsável pela popularidade de Ísis.

Mais conhecida como deusa da magia, da cura, do amor e do trono, ela também foi reconhecida por  ter influência na agricultura, na fertilidade, na alquimia (com enfoque na produção de ouro e na imortalidade do espírito), na astronomia, nas guerras e nos mares e era associada a diversas outras divindades. Ela é a deusa dos dez mil nomes que já foi representada de muitas formas diferentes. Algumas delas são bastantes similares às de outras deusas como Vênus e sua similar Afrodite, Ishtar (ou Inanna, em uma forma mais antiga), Deméter/Perséfone, Ártemis/Diana, Zeus, Kuan Yin, e até mesmo Maria. Segundo o livro Os Mistérios de Ísis - seu Culto e Magia (Ed. Madras), centenas de títulos da deusa foram conferidos a Maria, assim como imagens de Ísis segurando seu filho Hórus foram posteriormente redenominadas como Maria segurando Jesus.

Polêmicas e associações religiosas à parte, a história é basicamente a seguinte: Ísis e seu irmão Osíris eram um casal real benevolente. À dupla é atribuído o fim do canibalismo, a arte de tecer e de embalsar, entre outros itens de uma lista sem fim. Enquanto ela reinava, ele viajava levando a cultura egípcia. Tanto amor e conquistas para seu povo causaram inveja em Set, outro filho de Nut e também irmão dos dois, que decide assassinar Osíris e forçar Ísis a lhe dar o direito ao trono. Sim, ela era possuidora do trono e determinava a quem ele seria conferido. Ao descobrir que estava grávida, ela foge para o pântano para dar à luz e criar seu filho, Hórus, sozinha. Ela lhe ensina as artes da política, da alquimia e da guerra e luta ao seu lado para vingar a morte de Osíris, embora poupe a vida de Set. Com o triunfo, Ísis restaura seu amado da morte enquanto ele a salva da tristeza eterna.

Além de criar o filho e reinar sozinha, combater o irmão e ressuscitar o marido (ufa!), outra parte da história diz que Ísis ainda teve que lidar com a traição de sua gêmea enciumada, Néftis, que estava presa em um casamento forçado e infeliz com Set, também seu irmão. Néftis enganou Osíris, se fazendo passar pela irmã para dormir com ele e, assim, experimentar um toque com amor. Superando sentimentos pouco nobres como ciúme e raiva, Ísis a perdoa.

Segundo a versão mais comum da lenda, Anúbis, o deus egípcio com cabeça de chacal, é o filho de Osíris e Néftis abandonado pela mãe no deserto por medo da fúria de Set. Ísis o encontra e cria aquele que, posteriormente, a ajuda a encontrar o corpo de Osíris e, com ela, cria a arte de embalsamar. Anúbis é o responsável pelos mortos que morreram há pouco; ele os guia até a Sala do Julgamento.

Com tantas lutas, benevolência e vitórias não é de se espantar que Ísis seja considerada o Poder que Impulsiona o Nilo. Afinal, eram muitos os deuses egípcios, embora apenas alguns fossem de fato venerados em todo o país. Ísis certamente conquistou popularidade universal em sua terra e, como sugerem muitos indícios, para além dessas fronteiras.  O culto à deusa é documentado a partir dos textos da Pirâmide da Quarta Dinastia (por volta de 2.600 anos a.C.) e resiste ainda hoje.

O poder de Ísis a acompanha também em forma de amuletos, como um bastão com a cabeça de Set ou com uma flor de lótus no topo. Mas o meu preferido é o Ankh: o símbolo supremo da vida. Ela carrega o objeto, uma espécie de cruz, para dar força de vida a outros seres.

Ritual*

Um ritual bastante simples para entrar em contato com Ísis é o do despertar. O rito deve ser feito ainda na cama, naquele estado de “lentidão” entre o sonho e o acordar. Não, não é preciso despertar nenhuma deusa, especialmente Ísis, a sempre vigilante deusa do sonho e do submundo. A intenção é nos despertar espiritualmente e nos lembrar que ela está dentro de nós.

Despertai, despertai, despertai,

Despertai em paz,

Senhora da paz,

Levantai em paz,

Levantai em beleza,

Deusa da Vida,

Bela no paraíso,

O céu está em paz,

A Terra está em paz,

Oh Deusa,

Filha de Nut,

Filha de Geb,

Amada de Osíris,

Deusa rica em nomes!

Todo louvor a Vós,

Todo louvor a Vós,

Eu vos adoro

Eu vos adoro

Senhora Ísis

*Retirado do livro Os Mistérios Ísis – seu Culto e Magia (Ed. Madras)

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