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O que querem as mulheres?

Por Thays Prado

Imagem: Vanessa Siqueira + miguelrockstar

“Vocês já estão no mercado de trabalho, têm os mesmos direitos que nós, fazem as mesmas coisas que os homens, mandam e desmandam dentro e fora de casa e até elegeram uma presidente mulher. O que mais vocês querem?“.

Não sei se isto também acontece com você, mas eu tenho ouvido de muitos homens esse tipo de comentário e com uma frequência cada vez maior. Também ouço de leigos e especialistas em comportamento humano que os homens estão perdidos com a ascensão social, econômica e política do sexo feminino e não sabem mais qual é o seu lugar ou o seu papel.  E ouço várias mulheres reclamando de que a independência só dobrou ou triplicou sua jornada de trabalho, que elas gostariam de ter mais tempo para os filhos e não se importariam em ser sustentadas pelos maridos se isso fosse possível.

Também é fácil se deparar com uma infinidade de pessoas que afirmam com absoluta certeza que o machismo acabou, que não existe desigualdade entre homens e mulheres e que o movimento feminista não faz mais sentido algum.

No entanto, no mundo das contradições, diversas pesquisas ainda apontam para a diferença de salários entre homens e mulheres que ocupam a mesma posição profissional, para a maioria masculina nos cargos mais altos dentro das empresas, para a minoria feminina no poder público, para a maior negligência em relação à saúde e à sobrevivência de recém-nascidas em países pobres e machistas, para a alta mortalidade de mulheres e meninas vítimas do tráfico sexual, para a violência doméstica contra as mulheres em todos os países e classes sociais.

Não é preciso sair nem mesmo do seu ambiente familiar para se deparar com algum exemplo de preconceito contra o sexo feminino – ainda que em tom de brincadeira -, ou ir além do próximo canal de TV e da banca de revistas da própria rua para ficar frente a frente com a indústria que se alimenta e cresce às custas do esmagamento da autoestima das mulheres.

Neste mês de março – o mês das mulheres -, nós gostaríamos de ouvir delas e também dos homens o que cada um pensa sobre o assunto. Atingimos, de fato, algum tipo de igualdade entre os sexos? Estamos sendo respeitados em nossas diferenças? Ainda há preconceito? O que as mulheres desejam seja no ambiente privado ou no espaço público? Em que parte do caminho você acha que estamos? O que falta para chegarmos lá?

Conte pra gente o que você sente e vê por aí! No final do mês, queremos fazer um post com todas as respostas para refletirmos juntos. Topa?

Leia também:
Dia Internacional da Mulher - um papo entre as jornalistas Manoella Oliveira e Thays Prado



5 Comentários

    o laerte foi no roda-viva e falou uma coisa que achei bem interessante: houve a revolução feminina, mas não a masculina. acredito que em alguns sentidos às mulheres aspiraram aos direitos que, até então eram dados apenas ao homens, mas o contrário não aconteceu; o homem não entrou em contato com o mundo feminino. acho que essa falta de harmonia tem um papel imenso no preconceito contra a mulher. hoje, uma mulher tem a liberdade de trabalhar com o que quiser, usar calça, sapatos sem salto, não precisa de espartilho, pode falar alto e beber cerveja. enquanto isso, nenhum homem pode usar blusa rosa, beber um drink de frutas, comer arroz integral ou ler poesias. ao invés de se orgulhar, de se envergonhar ou de recriminar, devíamos nos sentir livres para apenas ser. aí você vai se permitindo e concluindo o que é bom ou não para você. e, é óbvio, o que é ruim para você pode ser exatamente o que o outro precisa e, portanto, você não deve opinar naquilo. sei bem que a infência feminina é cheia de peculiaridades (já assistimos “virgens suicidas”, “aos treze” e várias outras crônicas sobre o assunto), mas a masculina também é: obrigam o menino a enfrentar precocemente situações para as quais ele talvez não esteja preparado, mas tem de ir em frente porque é homem. não pode ter medo, não pode chorar, não pode dançar, não pode gostar de arte, não pode “ser menina”. o resultado é um bando de gente despreparada para lidar com o desconforto, com o sagrado, com o feminino, com as mulheres – e um monte de mulheres insatisfeitas com seus próprios homens, claro. enfim, esse é só um lado.

  • Pois é, Gabriel. Os homens também precisam viver a própria revolução. Concordo! Dizemos isso aqui na Tato o tempo inteiro. Na própria explicação sobre o blog tem um convite especial aos homens, assim como no post “Feminino no dia a dia“, no post “Universos diferentes” (leia, plis!) e em vários outros. Sempre que falamos de “feminino”, estamos falando para pessoas. Neste post abordamos especificamente as mulheres apenas por causa do gancho do Dia Internacional da Mulher, mas no geral estamos falando não da “coitadinha da mulher oprimida”, estamos falando da negação do feminino abandonado tanto por homens quanto por mulheres. Mas acho que as pessoas nem sabem ainda o que é revolução. Hj em dia, parece que revolução é quase o mesmo que conseguir na marra, na base da força, e isso não é NADA feminino. Embora, por outro lado, parece que ainda não conseguimos ser ouvidos até começarmos a falar na base do grito. É difícil. O caminho ainda parece mto obscuro, mas estamos tentando clarear e compartilhar aos poucos com a pequena contribuição dos nossos posts. Aliás, obrigada pela sua contribuição. Adoro qdo vc comenta <3

  • Ei, Gabriel! Concordo com seu ponto de vista. Aproveito para indicar mais um post além dos que a Manu citou, em que abordo essa expectativa social relacionada ao sexo e ao gênero: Tomboy, sexo, identidade e cultura genderless (http://www.maistato.com.br/2012/02/03/tomboy-sexo-identidade-e-cultura-genderless/).
    Tenho pensado bastante sobre a pergunta que mesma propus e acredito que tanto as mulheres quanto os homens têm buscado um novo estilo de vida, em que haja espaço para seus aspectos masculinos e femininos, em que haja espaço para ser verdadeiramente quem é e para ser feliz, além de qualquer receita social do que deve ser a vida e do que significa ter sucesso. Simplesmente ser, sabe? Seja lá o que isso significar para cada um(a).
    Obrigada pelo seu comentário!

  • O que eu quero hoje como mulher é RESPEITO

    A minha impressão é que, apesar de todas as nossas conquistas, nós mulheres ainda não somos 100% respeitadas como profissionais, principalmente se você trabalha em ambiente masculino ou em área que envolve negociação direta com clientes, como é o meu caso.

    Antes da profissional, o que é visto é a figura feminina, com suas qualidades e defeitos físicos analisados e avaliados. Por mais adequada que seja sua postura, por mais qualificada, capacitada e ética que você seja , o respeito não é de direito, infelizmente ele tem que ser imposto para ser conquistado.

    É difícil e muitas vezes frustrante. Me revolta, me indigno com algumas situações, mas vejo algo de positivo nisso. Como nos esforçamos mais para mostrar a qualidade do nosso trabalho e conquistar o respeito necessário, vejo que as profissionais femininas estão cada vez mais se destacando e essa é a tendência, e o que me conforta.

    Adoro o site, leio sempre. Seus posts me ajudam em diversas reflexões.
    Parabéns para as MULHERES que vcs são!

  • Acabei de descobrir esse blog e adorei! Meninas, como vocês escrevem bem!

    Por coincidência esse tema da feminilidade é algo que tem habitado as minhas conversas com cada vez mais frequência.

    Tenho achado muito estranho a forma como que muitas mulheres tem agido, como se fossem homenzinhos. Precisa disso?

    Aliás, gostaria de dizer aqui que as mulheres, como mães, são uma das principais responsáveis pela forma machista de agir de muitos homens, pois foram elas que os ensinaram a ser assim. Quem sabe isso muda quando as mulheres passarem a ensinar os filhos que não tem problema chorar, usar camiseta rosa, passar creme no corpo, ver filmes de arte, etc…

    Um abraço e parabéns pelo blog!

    Julia.

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