Deusas: Psique
Imagem: nshire
É muito difícil falar de Psique sem falar de Eros. Afinal, juntos eles formam o casal perfeito e, portanto, a história dos dois é entrelaçada e bonita – o que não quer dizer que a vida deles foi fácil.
Psique era a mais jovem e bonita de três irmãs, o que deixou Vênus (que corresponde a Afrodite, na cultura grega), a deusa romana do amor e da beleza, furiosa. Vênus ficou tão enciumada que pediu a Eros (Cupido), seu filho, fruto de sua união com Marte, que a fizesse se apaixonar por um homem fracassado qualquer. Obediente, Eros seguiu para cumprir a ordem, mas, ao avistar Psique, ficou encantado por sua beleza e pediu à brisa da primavera que a levasse para o seu palácio, onde ele ia todos os dias à noite. No entanto, havia uma condição para que ficassem juntos: ela não deveria conhecer a identidade dele, os encontros seriam no escuro ou ele a abandonaria.
E por muito tempo foi assim e por todo esse tempo estava indo tudo muito bem até que um dia, as irmãs de Psique, tão invejosas quanto Vênus, convenceram-na de que seu amado era um monstro terrível, uma besta que escondia a verdadeira identidade porque iria matá-la mais cedo ou mais tarde. Amedrontada, Psique esperou que Eros dormisse e com a ajuda de uma lamparina pôde enxergar o seu rosto, o rosto do mais bonito dos deuses. Surpresa e comovida, ela se atrapalha e uma gota de óleo quente queima a pele dele. Eros acorda e parte decepcionado e em silêncio.
Arrependida, Psique procura por ele em toda parte, no mundo todo, até chegar ao palácio de Vênus que, depois de atormentá-la bastante, a submeteu a algumas provas. A primeira delas foi separar em montinhos distintos uma enorme pilha de grãos de lentilha, trigo, cevada, diferentes tipos de feijão, painço e papoula. Por sorte, uma formiga teve pena de Psique, que estava petrificada diante do desafio, e chamou todas as formigas das redondezas para fazer o trabalho.
Ainda mais furiosa, Vênus ordenou que ela trouxesse lã de carneiros ferozes, o que também foi feito. A terceira tarefa foi encher uma urna com a água de um rio que passava por uma região infernal. Feito. Finalmente, a última tarefa era entregar a Proserpina, a deusa do mundo inferior, uma urna em que ela deveria colocar um pouco de sua beleza. Psique escalou uma torre altíssima com a intenção de se jogar de lá e chegar ao mundo dos mortos o quanto antes, mas, de repente, a torre começou a falar e ensinou a ela maneiras mais adequadas de vencer esse e os outros desafios.
De volta, a caminho do palácio de Vênus, Psique fica muito curiosa e decide abrir a urna. De lá sai um vapor infernal que a faz cair em sono mortal e profundo. Pouco depois, Eros, que a havia perdoado e estava com saudade, a encontra, aprisiona a fumaça na urna e a acorda com uma de suas flechas.Com a ajuda de Júpiter, eles se casam, inclusive com a benção de Vênus, e da união dos dois nasce o Prazer.
Dessa vez não vou colocar ritual de conexão com a deusa no final do post porque não conheço nenhum que seja leve e confiável – e esses rituais que têm a ver com amor não sei não, hein?! Acho que o mais legal de Psique, além de mostrar para a gente que nenhuma história de amor é tão linear, é a mensagem de fazer acontecer. Afinal, ela correu atrás daquilo que queria assim que descobriu qual era sua real vontade e parou de dar ouvidos aos outros, no caso, as irmãs. Ah, sim, tão importante quanto saber batalhar é entender também a hora de se entregar e cair em sono profundo porque ninguém precisa e nem merece passar por tanta coisa e dar conta de tudo isso sozinha. Seu amado que faça a parte dele, né?
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Ótimas reflexões
manu, amei isso. a história é simbolicamente riquíssima. e faz todo sentido o prazer como fruto da união entre eros e psique.