A famosa fome na África

alimentos-comida-desperdicio-FAO-fome-POSTPor Manoella Oliveira

Imagem: FMSC

Falar sobre a fome na África é o clichê dos clichês, especialmente quando alguém está triste por algum motivo e vem um outro alguém, do alto de sua falta de sensibilidade, e diz: “Pense na fome na África que seu problema vai parecer menor”. Particularmente, acho isso chatíssimo. Problema é problema e a gente tem que respeitar o sentimento do outro sem nivelar por baixo e sem julgar se aquilo é grande o suficiente para merecer atenção ou justificar sofrimento. No caso, “fome” é um grande problema, ou seja, qualquer outra questão comparada a isso, tende a ser menor e, claro, a dor de quem quer que seja vai parecer frescura. Ah, o desrespeito ao momento de vida do outro! Por que as pessoas insistem em fazer isso?

Mas, voltando ao tema da fome, vamos olhar de perto para o assunto que as pessoas julgam conhecer tão bem ou, pelo menos, gostam de jogar na roda de conversa vai saber por quê – não entendo muito de “gente”, devo confessar.

De acordo com o relatório mais recente da FAO (Food and Agriculture Organization), das Nações Unidas, desperdiçamos 1,3 bilhão de toneladas de comida anualmente e isso não impacta só a tal “fome na África”, isso traz consequências ruins para a economia global, para os recursos naturais e, sim, é um absurdo porque tem gente passando fome não só na África (pasmem!): são 870 milhões de pessoas passando fome no mundo inteiro.

Na prática, isso significa que um terço do que produzimos vai direto para o lixo, que a economia perde US$750 bilhões por ano, que jogamos 3,3 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa na atmosfera a mais e que o consumo de água adicional é de três vezes a vazão do rio Volga, na Rússia, que vem a ser o maior rio da Europa. Então, esqueçam a fome da África, tão longe de nós, e vamos pensar como podemos contribuir para aliviar o problema, como parte da rede que conecta produtores e consumidores de alimentos.

Mas a FAO não veio a público apenas dar notícia ruim, ela trouxe também sugestões para acabarmos com/diminuirmos esses números vergonhosos. O site da campanha Think.Eat.Save – Reduce your footprint (também disponível em espanhol) dá boas dicas de armazenagem, planejamento e explica direitinho o tamanho do problema. Vale a pena acessar.

Ainda de acordo com o relatório da FAO, cerca de 50% do desperdício acontece na produção dos alimentos. Ok, é um percentual grande, mas vejam também que temos um espaço grande para atuar. Como? Guardando a comida no freezer, entendendo que após o prazo de validade muitos alimentos ainda podem ser consumidos sem problemas, utilizando as sobras de hoje para fazer um lanche ou outro prato amanhã, planejando as compras sem se deixar levar por impulso e comprando mais comida do que precisa, doando alimentos para quem precisa, quando achar que não vai dar conta de comer tudo, entre outros. Acesse e entre na campanha.

 



Deixe uma resposta