Outubro Rosa: o contexto emocional do câncer de mama

cancer-mama-emocoes-mulher-outubro-rosa-saude-POSTPor Thays Prado
Imagem: Vanessa Siqueira + Poppytalk + Richard Eriksen

No mês de outubro, diversos atores da sociedade se mobilizam para conscientizar a população sobre o câncer de mama, doença que, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer, deve ter atingido o número de 52.680 novos casos em 2012 e, infelizmente, tirou a vida de 12.705 mulheres no ano passado.

Ir anualmente ao ginecologista e exigir não apenas o exame clínico e o ultrassom das mamas, mas também a mamografia uma vez por ano após os 35 anos de idade é fundamental para garantir que o diagnóstico seja feito o quanto antes, aumentando as chances de superação da doença.

Além disso, um ponto crucial a ser considerado quando o assunto é câncer de mama é o aspecto emocional da mulher e das pessoas ligadas a ela, pois o imaginário que ronda essa doença específica está muito relacionado a medo, sofrimento e morte.

Segundo a última pesquisa do Instituto Avon sobre o assunto, de outubro do ano passado, para a maior parte das 1.000 mulheres e dos 400 homens entrevistados, o câncer de mama é a pior doença que alguém pode ter. Os motivos citados, nesta ordem, são: Mata rápido, Não tem cura, Causa muita dor física e Deixa sequelas físicas. A associação extremamente negativa com esse tipo de câncer dificulta o diálogo,  a busca por informações e a possibilidade de diagnóstico e tratamento precoces.

Ainda de acordo com a pesquisa, o primeiro obstáculo a ser superado por quem se depara com um diagnóstico de câncer de mama é o fator psicológico, composto pela dificuldade de aceitação e de entendimento de que é possível superar a doença, pelo medo de não sobreviver ou de precisar fazer a retirada da mama e pelas preocupações com o bem-estar da família.

Para 70% da base de 240 mulheres diagnosticadas com câncer de mama entrevistadas pela pesquisa, a sensação é a de que o tratamento e as consequências emocionais são piores do que a doença em si. Mais de metade delas vivenciou experiências de preconceito em relação ao fato de estarem doentes. Às vezes, mesmo pessoas próximas não se sentem capazes de lidar com a situação. Tanto que 11% das entrevistadas sentiram que as pessoas se afastaram, 6% acabaram se separando do parceiro e 3% disseram que o marido ficou mais distante.

No entanto, é justamente o bem-estar emocional um dos principais elementos para a eficácia dos tratamentos médicos. E o sentimento de otimismo influencia muito o desempenho do sistema imunológico. Para as mulheres participantes da pesquisa, a presença e o apoio da família, do parceiro e do médico são seus principais aliados. E quase 60% delas acredita que só teriam força para enfrentar a doença se pudessem contar com o apoio da família, especialmente do companheiro, da mãe ou dos filhos.

A maioria das mulheres diagnosticadas com câncer de mama que fizeram parte da pesquisa atribui seu aparecimento, principalmente, a fatores emocionais como tristeza, depressão, mágoa, estresse, rancor, angústia e ressentimento. E, ao superarem a doença, estabelecem novas prioridades na vida. Se aproximam mais da família, passam a dar mais atenção à própria saúde e à qualidade de vida, entendendo que esse é um cuidado que beneficia não apenas a elas mesmas, mas a todos à sua volta, e reduzem drasticamente as preocupações em relação ao trabalho.

Então, ao dar apoio a alguém que tem câncer de mama, lembre-se do quanto isso pode ser importante e até mesmo decisivo para o tratamento. E se você é uma mulher com esse diagnóstico, não hesite em pedir o apoio de que você precisa e merece.

O câncer de mama é um assunto de tod@s.

Leia a pesquisa do Instituto Avon na íntegra.
Obtenha mais informações sobre diagnóstico e tratamento de câncer de mama no site do Programa Nacional de Controle do Câncer de Mama.



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