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	<title>tato &#187; Daqui de dentro</title>
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	<description>um sentido para o feminino</description>
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		<title>Tomboy, sexo, identidade e cultura genderless</title>
		<link>http://www.maistato.com.br/2012/02/03/tomboy-sexo-identidade-e-cultura-genderless/</link>
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		<pubDate>Fri, 03 Feb 2012 16:41:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thays Prado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Daqui de dentro]]></category>
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		<description><![CDATA[O filme Tomboy nos faz imaginar como seria um mundo em que o sexo deixa de ser determinante das expectativas sociais sobre nossas escolhas estéticas, profissionais e afetivas.]]></description>
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<p><a href="http://www.maistato.com.br/wp-content/uploads/2012/02/tomboy_post.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1653" title="tomboy_post" src="http://www.maistato.com.br/wp-content/uploads/2012/02/tomboy_post.jpg" alt="" width="680" height="346" /></a><em>Por Thays Prado</em><br />
<em>Imagem: Divulgação</p>
<p></em>O que faz de uma mulher, uma mulher? E o que faz de um homem, um homem? <strong>Como podem os órgãos genitais com que nascemos determinar a maneira como seremos vistos pela sociedade e o tipo de expectativas que terão a nosso respeito?</strong> Se pudéssemos isolar um ser humano de qualquer contexto cultural e histórico e das influências do inconsciente coletivo &#8211; tarefa impossível, mas vamos imaginar -, será que esse ser agiria de forma diferente dependendo do sexo com o qual nasceu? E se agisse, o que exatamente seria o determinante dessas variações? A anatomia? Os hormônios? Por que será que algumas pessoas nascem com um corpo, mas sentem que deveriam ter nascido com outro órgão genital? O que será que essas pessoas buscam? Uma experiência sexual diferente? Ou seria uma vivência corporal diferente? Ou ainda um desejo de serem vistas de outra maneira, de ocuparem outro lugar no contexto social?</p>
<p>Essas perguntas sempre me rondaram e voltaram com força total recentemente, quando fui assistir ao filme <strong>Tomboy</strong>. A trama conta a história de Laure, uma garota francesa de 10 anos que se muda com os pais e a irmã Jeanne, de 6, para outro bairro e precisa fazer novos amigos. Seu cabelo curto, suas roupas e seu jeito de se comportar a fizeram ser confundida com um garoto e ela decide bancar essa nova identidade, sendo Mikael para a turma. Inclusive para Lisa, uma menina de sua idade que acaba se interessando por esse vizinho que parece tão diferente dos outros garotos: mais quieto, mais atencioso com ela e que topa fazer parte de todas as suas brincadeiras.</p>
<p>Laure tem ganhos ao se apresentar como Mikael. Conquistou um lugar no grupo e uma sensação de pertencimento, que talvez jamais atingisse como menina, justamente nessa fase pré-adolescente e complicada da vida. No entanto, seu segredo não poderia ser mantido para sempre e seria impossível revelá-lo sem sofrimento, especialmente diante do olhar reprovador dos amigos, que se sentiram traídos.</p>
<p>Em uma das sinopses que li sobre o filme &#8211; e que não era a oficial &#8211; estava escrito: &#8220;Laure é uma menina de 10 anos, mas ela sempre se sentiu um moleque&#8221;. Será? Me perguntei. Ou será que Laure apenas se sentia como ela realmente era? Não como uma garota ou como um garoto, mas como ela mesma, com suas características próprias?</p>
<p><strong>Se a imagem dos personagens do filme (e da maioria de nós, na vida real) sobre o que é ser menino e o que é ser menina não fosse demasiadamente engessada</strong>, talvez as crianças não tivessem achado, de forma tão definitiva, que Laure era um menino.</p>
<p><strong>E se o fato de ser um menino ou uma menina não determinasse tanto o olhar do outro</strong> e as possibilidades ou negações de acesso a certas brincadeiras e situações, quem sabe Laure teria desfeito o mal entendido logo no primeiro momento sem sofrer preconceito por conta de sua imagem e seu jeito de ser? <strong>E se ser um garoto ou uma garota não fosse tão importante para a maioria das culturas</strong>, é possível que a revolta dos amigos diante da revelação de Laure também não fosse tão expressiva.</p>
<p>E Lisa, se interessou por um garoto ou por uma garota? Me arriscaria a dizer que ela se apaixonou pela criança que conheceu e pelo que viveram juntas. Será que depois de descobrir que Mikael, na verdade, é Laure, ela deixaria de sentir tudo o que estava sentindo até então? E se não deixasse, isso a transformaria em homo ou bissexual?</p>
<p>Quem seria capaz de responder a essas perguntas? Uma espécie de &#8220;conselho representativo&#8221; da sociedade que resolveu dividir, artificialmente e por interesse de alguns grupos, as características humanas entre o que cabe melhor aos homens e o que é mais adequado às mulheres? Não creio que seria muito inteligente.</p>
<p>Também recentemente, em uma entrevista que demos sobre a Tato ao blog Negócio de Mulher*, nos foi perguntado o que achávamos sobre a cultura <em>genderless</em>. No site Habla*, da Editora Abril, eis a seguinte definição para esse movimento: &#8220;as diferenças sociais, visuais e atitudinais se fundem na medida em que ambos os sexos ocupam papéis igualmente relevantes no mercado de trabalho e na sociedade. As mulheres assumem características mais viris e agressivas, os homens se tornam mais afetivos e menos preocupados com o escudo do macho alfa. Na busca natural por igualdade, os dois gêneros aparecem como protagonistas na gestão da casa e também assumem a mesma postura no trabalho e no dia a dia. É natural que se tornem física e atitudinalmente mais semelhantes&#8221;.</p>
<p>Você pode conferir nossa resposta detalhada <strong><a href="http://negociodemulher.com.br/blog/2012/01/entrevista-com-a-tato-parte-ii/" target="_blank">aqui</a></strong>, mas o fato é que eu realmente acredito que <strong>haverá um dia em que o sexo com o qual nascemos, ou escolhemos ter, deixará de ser, do ponto de vista social, algo tão determinante de nossas escolhas estéticas, profissionais e afetivas.</strong></p>
<p>Nesse mundo, que talvez eu mesma não presencie, não haverá expectativas de que alguém se comporte de certa maneira, se vista de um jeito específico, construa ou não uma família segundo alguns moldes, realize um determinado trabalho, seja mais agressivo ou mais sensível, em função do sexo que possui. E <strong>cada pessoa, independente do sexo, vai ter que aprender a lidar com todas as suas características humanas, sem negar ou excluir uma parte de si</strong>.</p>
<p>Dividir o mundo entre &#8220;ser homem&#8221; e &#8220;ser mulher&#8221; é enxergar a vida de uma maneira muito limitada. Eu sonho, sim, com o dia em que o sexo será visto apenas como mais uma das inúmeras características humanas que compõem cada um de nós. E que diante de nossos olhos e de nossos corações, não vejamos um homem ou uma mulher, um menino ou uma menina, alguém que mudou de sexo, alguém que se relaciona com alguém do mesmo sexo ou prefere se relacionar com o sexo oposto, mas que nos reconheçamos como seres únicos, que merecem ser respeitados em sua singularidade e incluídos com suas semelhanças e diferenças.</p>
<p>*<a href="http://habla.abril.com.br/materia/genderless" target="_blank">Habla &#8211; Ed. Abril</a><br />
* <a href="http://negociodemulher.com.br/blog/" target="_blank">Negócio de Mulher</a></p>

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		<title>Quando não sabemos o que queremos</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Aug 2011 00:01:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thays Prado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comigo]]></category>
		<category><![CDATA[Daqui de dentro]]></category>
		<category><![CDATA[desconhecido]]></category>
		<category><![CDATA[presente]]></category>
		<category><![CDATA[vazio]]></category>

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		<description><![CDATA[Em uma sociedade em que sempre é preciso saber, o desconhecido pode se revelar uma peça fundamental para o próximo passo]]></description>
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<p><em><a href="http://www.maistato.com.br/wp-content/uploads/2011/08/queremos_post1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1483" title="queremos_post" src="http://www.maistato.com.br/wp-content/uploads/2011/08/queremos_post1.jpg" alt="" width="680" height="346" /></a>Por Thays Prado</em></p>
<p><em></em>Imagem <a href="http://lenawolff.com/">Lena Wolff</a> + Vanessa Siqueira</p>
<p>&nbsp;<br />
Vivemos em uma sociedade em que <strong>sempre é preciso saber</strong>. Saber o que queremos da vida, saber o que estamos fazendo, saber para onde estamos indo, saber o que sentimos, saber onde cada ação nossa vai dar. Não saber gera uma angústia tanto em quem diz que não sabe quanto em que ouve um comentário tão desconcertante quanto esse.</p>
<p>Me lembro que a primeira vez que passei por uma situação de não saber foi entre os 16 e os 17 anos, na época do vestibular. Eu folheava guias e mais guias de profissão, de A a Z, e nada me agradava. Parecia que a minha profissão ainda não tinha sido inventada e eu não fazia a menor ideia de como ela poderia ser ou com que outra profissão poderia se parecer.</p>
<p>E sempre que, em uma tentativa disfarçada de pedir ajuda, eu comentava isso com professores, colegas ou com a minha família, me deparava com olhares e respirações que só faziam me sentir ainda mais sozinha. Como a menina que tinha as notas mais altas do colégio não sabia o que queria ser? Como ela não queria ser médica? Como ela não queria nenhuma profissão? Como aquela garota que &#8220;sabia tudo&#8221;, de repente, não sabia de mais nada? E eu me via como a única pessoa desse mundo que não tinha ideia do que veio fazer por aqui.</p>
<p>Às vésperas de completar 26, me vejo quase tão perdida quanto a adolescente de dez anos atrás. E nesse meio tempo, essa sensação angustiante me acompanhou por muitos e muitos momentos. Isso não significa que minha vida ficou parada. Fui seguindo com minhas escolhas, ora guiada pela intuição, ora pelo medo, ora pela imitação, ora pela rebeldia, ora pela coragem, ora pelo cansaço. E não ousaria reclamar de minha trajetória, afinal, foi o melhor que pude fazer até aqui. Mas, volta e meia, esse não saber me desespera: &#8220;e aí, vai ser assim pra sempre? Você nunca vai estar 100% feliz na sua profissão? Você nunca vai se sentir totalmente &#8220;em casa&#8221; em nenhuma situação? Você nunca vai ter certeza do rumo que está tomando?&#8221;</p>
<p>Mas <strong>um lado meu sabe que, superexigências à parte, cada passo que dei em minha vida me levou ao próximo, </strong>cada situação, por mais estranha e pouco planejada que tenha sido, me ensinou algo que se tornou fundamental dias, meses ou anos mais tarde, e que diversos acontecimentos aparentemente sem sentido se encaixam perfeitamente no grande quebra-cabeça da vida, quando olho pra trás.</p>
<p>Nessa semana, li um artigo da psicóloga e escritora Lynn Zavaro, no blog Tiny Buddha, cujo título era: <strong>5 questões quando você não tem certeza do que quer na vida</strong>. Para mim, funcionou como uma espécie de lembrete para que esse meu lado mais sábio e menos afobado se sobressaia mais vezes e acalme minha ansiedade de, finalmente, saber o que eu quero da vida e como consegui-lo.</p>
<p>No texto, a autora conta que quando se formou em Psicologia, percebeu que não queria atuar como terapeuta, seu sonho era ser escritora. No entanto, ela não tinha ideia do que gostaria de escrever. E passou um ano ajudando o marido em seus negócios, na área da moda, até que sofreu um acidente e precisou ficar três meses de cama. Nesse tempo de repouso, um dia, sentada na mesa da cozinha, lhe veio a ideia para o seu primeiro livro que está agora publicado.</p>
<p>&#8220;<strong>Esses lugares onde somos convidadas a estar e experimentar o desconhecido são tão importantes para nossa jornada quanto os momentos em que estamos certas de algo</strong>. Uma tela vazia em branco permite que o imprevisto e inesperado apareçam&#8221;, diz Zavaro.</p>
<p>Ela compara esse movimento da vida ao de um trapezista, que depois de deixar uma barra, se mantém suspenso no ar até que a outra barra venha em sua direção. &#8220;Esse espaço é o catalizador que criativamente nos faz nascer para novas maneiras de existir&#8221;.</p>
<p>Então, a autora sugere que nos façamos 5 perguntas-chaves para esses momentos de não saber:</p>
<p><strong>1. E se eu não tivesse que procurar ou saber o que eu quero agora?</strong><br />
Zavaro diz que, em muitos momentos, o vazio é sensação que melhor irá nos servir. Para ela, quando algo estiver maduro o suficiente dentro de nós, isso vai emergir, como um insight, como se viesse de um lugar acima do simples exercício mental, acompanhado de um claro e simples &#8220;Sim&#8221; interior.</p>
<p>Ela diz que no esforço de tentar encontrar esse algo que não sabemos, apenas nos projetamos no futuro, sem perceber que é no momento presente que encontraremos nossas respostas.</p>
<p><strong>2. E se eu não tivesse que forçar uma mudança a acontecer?</strong><br />
Segundo a autora, não podemos forçar uma transformação, mas podemos direcionar nossas intenções para os projetos que temos. Ela conta que dez anos antes de publicar seu primeiro livro, já tinha a intenção de ser escritora, e que nesse período, é como se todas as peças tivessem se apresentado a ela, o que incluía não apenas o conteúdo da publicação, mas a experiência pessoal e crescimento interior necessários para a realização desse projeto.</p>
<p><strong>3. E se meu foco fosse: como posso ajudar outras pessoas?</strong><br />
Mesmo quando não sabemos exatamente o que queremos, é possível começar ajudando outras pessoas em algo que faça sentido para nós e observar aonde isso nos leva. Quando combinamos o que amamos fazer e o desejo de ajudar os outros, esses dois componentes entram em ignição e fazem surgir algo valioso.</p>
<p><strong>4. E seu pudesse simplesmente deixar ir embora a necessidade de saber?</strong><br />
Isso não significa desistir de um sonho, mas se dar um espaço para respirar. Então, nos tornamos mais livres para explorar, para ser inventivos, para criar pelo puro prazer de criar, sem estarmos apegados à obrigação de fazer um sonho que precisa ganhar forma. Com essa expansão, nos sentimos mais relaxados e mais aptos a ficar no momento presente e curtir o processo, e não apenas o resultado final.</p>
<p><strong>5. E se eu pudesse me sentir segura no desconhecido?</strong><br />
Se pensarmos bem, todos nós estamos sempre no desconhecido, por mais que criemos falsas sensações de certeza e segurança à nossa volta. Nos momentos de incerteza, a dica de Zavaro é focar nas pequenas coisas, nas questões que estão bem diante de nós e precisam ser resolvidas, como decidir o que comer agora, responder ao e-mail pendente ou terminar um trabalho. O velho &#8220;um passo de cada vez&#8221;.</p>
<p>Mesmo que você não saiba o que fazer da sua vida, qual o seu grande objetivo por aqui, o momento atual está cheio de pequenos presentes a serem desfrutados. Que tal confiar na sabedoria do desconhecido?</p>
<p>Conheça o Blog <strong><a href="http://tinybuddha.com/blog/5-questions-when-you-arent-sure-what-you-want-in-life/" target="_blank">Tiny Buddha</a></strong>.</p>
<p>&nbsp;</p>

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		<title>Criadores de nossa própria vida</title>
		<link>http://www.maistato.com.br/2011/07/05/criadores-de-nossa-propria-vida/</link>
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		<pubDate>Wed, 06 Jul 2011 00:31:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thays Prado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Daqui de dentro]]></category>
		<category><![CDATA[Essências]]></category>
		<category><![CDATA[poder pessoal]]></category>
		<category><![CDATA[responsabilidade]]></category>
		<category><![CDATA[vitima]]></category>

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		<description><![CDATA[Se a teoria da responsabilidade total é mesmo verdadeira, o que será que nos leva a criar um cenário tão ruim para nós mesmos e como poderíamos criar algo diferente?]]></description>
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<p><em><a href="http://www.maistato.com.br/wp-content/uploads/2011/07/criadores_post.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1457" title="criadores_post" src="http://www.maistato.com.br/wp-content/uploads/2011/07/criadores_post.jpg" alt="" width="680" height="346" /></a>Por Thays Prado</em></p>
<p><em>Imagem Vanessa Siqueira + <a href="http://www.flickr.com/photos/organictreeecodoll">Maddie Joyce</a></em></p>
<p>São inúmeras as correntes espiritualistas que não se cansam de nos alertar que somos 100% responsáveis por nossas vidas e por tudo, absolutamente tudo, o que se passa conosco. E que, portanto, nenhum de nós é vítima do que quer que seja que nos tenha acontecido.</p>
<p>Conheço muitas pessoas que não acreditam nisso e acham um absurdo serem responsabilizadas pelos males e dificuldades que enfrentam. Não é justo, me dizem.</p>
<p>Eu, como uma incansável otimista, gostei muito da ideia desde a primeira vez em que a ouvi. Afinal, se cada um tem o poder de transformar completamente sua vida, estamos todos salvos! No entanto, quando olhamos a nossa volta, nos deparamos com sofrimentos de todos os tipos. <strong>Se a teoria da responsabilidade total é mesmo verdadeira, o que será que nos leva a criar um cenário tão ruim para nós mesmos e como poderíamos criar algo diferente?</strong></p>
<p>Nas últimas semanas, andei experimentando criar uma vida bem ruim para mim mesma. Obviamente, não foi de propósito. Mas me ajudou a entender um mecanismo que, suspeito, é comum a muita gente. Aconteceu alguma coisa que me chateou &#8211; nem me lembro mais qual foi a primeira de uma infinidade delas &#8211; e eu reclamei, fiquei brava e talvez tenha guardado alguma mágoa. E meu lado meio vítima deve ter pensado: por que isso sempre acontece comigo? Enquanto eu estava nessa vibe meio reclamona e indignada, mais um desafio bateu à minha porta e eu, me sentindo injustiçada, esbravejei: será que ninguém vê que tudo já anda difícil o suficiente por aqui? Tinha que acontecer mais isso? Batata! Lá veio mais uma dificuldade e eu chorei e esperneei. E daí outro momento pesado, que eu já encarei como um grande tapa da vida. Quando olhei em volta, estava dentro de uma grande bola de neve, me sentindo engolida e atropelada por tantos acontecimentos difíceis. Estava ficando insuportável e eu sentia cada vez mais vontade de brigar com o mundo, tentando descontar nos possíveis culpados toda a raiva que estava por aqui.</p>
<p>É mais ou menos com esse tipo de pensamento por perto, que você descobre que um pequeno vazamento na descarga do seu banheiro vai exigir quebrar a parede inteira e quase que o seu bolso junto. São sentimentos desse tipo que atraem um assaltante justamente no dia em que você reclamou que o dinheiro não ia dar pra nada. É assim que a gente se organiza para perder o ônibus ou pegar o metrô para o lado errado bem na hora em que estávamos mais atrasados para um compromisso superimportante. É nessa vibração que seu chefe te comunica que você vai ter que trabalhar por três por tempo indeterminado sem ganhar nada a mais por isso. E que seu melhor amigo não pode te atender naquela hora ruim. E sua irmã briga com você por qualquer bobagem exatamente no momento em que tudo o que você precisava era de um colo.</p>
<p><strong>Por mais que eu soubesse que meditação, respiração e bons pensamentos poderiam transformar qualquer situação em algo melhor, não fiz nada disso, por falta de tempo e de vontade.</strong> E reclamei também de não poder parar um pouco para me nutrir internamente.</p>
<p>Assim, <strong>entrei num circuito em que cada problema gerava um estado em que só poderia atrair um problema ainda maior,</strong> porque energética e psiquicamente eu estava compatível com esse tipo de situação. O mais triste é que, quanto mais nos permitimos mergulhar nisso, mais motivos temos para continuar assim e mais difícil se torna para achar a saída. Isso só reforça ainda mais nossas crenças de que o mundo é injusto, de que tudo dá errado, de que ninguém é digno de confiança, de que nada está tão ruim que não possa piorar e por aí vai&#8230;</p>
<p>Até que ontem, chorando, eu quase gritei: &#8220;Está dando tudo errado, tudo, tudo está errado!&#8221; Foi quando minha namorada olhou pra mim e disse: &#8220;Não fala isso, você sabe&#8230;&#8221;. Justo eu que sempre disse a ela que nossas palavras e pensamentos atraem a realidade que vivemos, estava ali, completamente inconsciente, dizendo um monte de bobagens. Ela não precisou terminar a frase para que eu sentisse o recado do universo: &#8220;Ei, você sabe o segredo, porque insiste em sofrer?&#8221;.</p>
<p>E então ela me mostrou um vídeo, que compartilho no final desse post, e que fala, mais uma vez, sobre o poder que temos de transformar nossas vidas e o que acontece à nossa volta.</p>
<p>Me lembrei também de um dos ensinamentos que recebi do monge budista Yasuhiko Genku Kimura, com quem tive a honra de conviver durante um ano. Ele dizia: <strong>mesmo que você não acredite que o que acontece em sua vida é responsabilidade sua, tome isso como uma espécie de pressuposto, uma verdade incontestável, e comece a agir a partir disso.</strong></p>
<p>Diante do que acontece comigo, que tipo de atitude, pensamento, sentimento, emoção e vibração energética eu escolho ter? Se estivermos atentos o tempo todo, escolhendo conscientemente o que fazer com os fatos que surgem, finalmente, assumiremos o poder que temos sobre nossas vidas e poderemos criar exatamente o que nossa essência deseja e precisa experimentar, em toda a sua plenitude. Mas se estamos baseados no passado, dando poder a pessoas e fatores externos, nossos pensamentos, sentimentos e emoções serão sempre velhos e viciados. <strong>É uma questão de decidir parar e mudar a chave, mesmo sem nenhum motivo aparente, a não ser seu próprio bem-estar.</strong></p>
<p>Mesmo tendo passado um dia bem melhor, depois de me lembrar, novamente, do meu poder, sei que minhas inúmeras responsabilidades profissionais me esperam, sei que meus conflitos pessoais continuam por aqui, entendo que muitas dores não vão passar tão rápido, que ninguém vai salvar minha conta bancária e que, agora, meu banheiro tem azulejos de dois tipos misturados e nada a ver. Mas posso encontrar, dentro de mim, um lugar de amor, paz e serenidade para lidar com tudo isso. A boa notícia é que <strong>se o problema é todo meu, a solução também será</strong>.</p>
<p>E você, o que vai escolher para hoje?</p>
<p><iframe width="560" height="349" src="http://www.youtube.com/embed/gxLfcqtr3M8" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>

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		<title>Completando comunicações</title>
		<link>http://www.maistato.com.br/2011/04/05/completando-comunicacoes/</link>
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		<pubDate>Wed, 06 Apr 2011 00:39:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thays Prado</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Daqui de dentro]]></category>
		<category><![CDATA[Essências]]></category>
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		<category><![CDATA[energia]]></category>
		<category><![CDATA[fractologia]]></category>
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		<description><![CDATA[Sempre que comunicamos algo, enviamos um pouco de nossa energia para a pessoa que pretendemos alcançar com nosso recado e ficamos conectados até que ela envie de volta algum sinal de que fomos bem compreendidos. Imagine quanto de nossa energia anda agarrada por aí.]]></description>
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<p>Imagem: Vanessa Siqueira + <a href="http://www.flickr.com/photos/soulmyst/3542124858/">Nico Van Der Merwe</a> + <a href="http://linusnystrom.tumblr.com/page/2">Linus Nystrõm</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<h1><span style="font-weight: normal; font-size: 13px;">Da última vez que meu pai veio me visitar em São Paulo, ele se sentou ao meu lado e disse que precisava me explicar algo que havia dito, quase dois anos antes.</span></h1>
<p>Em 2009, contei aos meus pais que estava namorando uma moça &#8211; e não um cara, como eles poderiam esperar. Dei algumas explicações que achei necessárias para evitar qualquer mal entendido e meu pai respondeu: &#8220;Você deve saber o que está fazendo. E continua sendo minha filha do mesmo jeito&#8221;.</p>
<p>Para muita gente, essa resposta poderia soar como um alívio, já que o preconceito em relação a orientação sexual ainda rola solto por aí e acaba destruindo relações familiares. Minha terapeuta mesmo achou &#8220;uma gracinha&#8221; a atitude dele, dado que se tratava de uma notícia inesperada para um homem de mais de 50 anos, criado segundo os valores da tradicional família mineira e católica, na zona rural de um município que, hoje, não tem mais do que 10 mil habitantes.</p>
<p>Mas, para mim, que não estava lá com a guarda muito baixa, o &#8220;você continua sendo minha filha&#8221; tinha a seguinte resposta mental: &#8220;óbvio que continuo, isso não está em discussão&#8221;. <strong>Não gostei mesmo do que ouvi, mas também não disse nada.</strong></p>
<p>O tempo passou e meus pais foram se mostrando cada vez menos desconfortáveis com o fato e eu, cada vez mais feliz por poder ser totalmente autêntica com eles. Atualmente, em momentos de crise em meu relacionamento, é para eles que ligo para pedir conselhos ou desabafar e sou sempre acolhida com muito carinho.</p>
<p>No entanto, aquela frase do meu pai ainda me gerava uma certa tensão. Sempre que me lembrava dela, ficava em dúvida sobre a real importância do assunto para ele. Será que o fato de eu ter uma namorada o incomodava muito e ele apenas disfarçava para não me constranger?</p>
<p><strong>Mas ali, na sala da minha casa, sem que eu perguntasse nada, ele esclareceu tudo</strong> dizendo: &#8220;Filha, eu queria te falar isso há muito tempo e ainda não tinha tido oportunidade. Quando você me contou sobre sua opção sexual (sic), eu disse que você continuava sendo minha filha, se lembra? O que eu quis dizer é que, <strong>como minha filha, o que mais importa é a sua felicidade, o resto é detalhe e não faz a menor diferença</strong>&#8220;.</p>
<p>Nossa&#8230; acho que ele não faz ideia do alívio que aquela fala me gerou. Senti que uma tensão interna se desfez no mesmo instante e nunca mais voltei a pensar no assunto.</p>
<p>Estou compartilhando essa história aqui porque vivi na prática algo que já havia aprendido na teoria, em meu curso de Fractologia:<strong> a importância de se completar comunicações</strong>.</p>
<p><strong>Sempre que comunicamos algo, seja verbalmente, por meio de gestos ou mesmo pela escrita, enviamos um pouco de nossa energia para a pessoa que pretendemos alcançar com nosso recado.</strong> Dessa maneira, segundo meus estudos, ficamos conectados a essas pessoas até que elas completem a comunicação, ou seja, enviem de volta uma palavra, um gesto, algum sinal de que fomos bem compreendidos. Antes que isso aconteça, permanecemos com parte de nossa energia presa a isso e não podemos utilizá-la para nada mais. Perguntas sem respostas, mal entendidos, promessas que não se cumprem nunca ou a sensação de não ter sido ouvida por alguém são sinais de que alguma comunicação não foi completada. <strong>Imagine quanto de nossa energia anda agarrada por aí, conectada a tanta gente com as quais sequer desejamos contato.</strong></p>
<p>O exemplo mais simples para entender  uma comunicação incompleta é quando você acena para um conhecido do outro lado da rua e ele não acena de volta. Embora você saiba, racionalmente, que o mais provável é que ele não tenha te visto, pode ser que venham sentimentos de rejeição, tristeza ou, no mínimo, uma sensação de ficar sem graça. Talvez você até se pergunte se o tal fulano está com raiva, com vergonha de te cumprimentar naquela situação ou mesmo fingiu não te conhecer. Na próxima vez em que vocês se encontrarem, é grande a chance de que os mesmos sentimentos ou a imagem da cena lhe voltem à cabeça e você já o trate de um jeito diferente. Mas, se contar a ele que acenou em determinada ocasião e perguntar por que ele não acenou de volta, é praticamente certo que vai ouvir: &#8220;Puxa, desculpe, eu não vi você, estava com a cabeça em outro lugar&#8221;. Se isso for realmente verdade, é possível que, involuntariamente, você respire mais fundo de alívio e aquela questão acabe por ali.</p>
<p><strong>Sabemos que uma comunicação está completa quando deixamos aquele assunto ir embora,</strong> nem pensamos mais nele e não há nenhuma sensação de questão pendente. Para isso acontecer, não é preciso que você concorde com o que está sendo dito, ou fale algo para que a pessoa se sinta bem. <strong>Basta dizer a <em>sua</em> verdade.</strong> &#8220;Eu estou te ouvindo&#8221;, &#8220;Eu entendo o que você diz&#8221;, &#8220;Compreendo seu ponto de vista, mas não penso do mesmo jeito&#8221;, &#8220;Obrigada por compartilhar sua opinião&#8221; são frases que podem ajudar.</p>
<p>Minha tutora Catherine Wilkins sugere que comecemos a completar nossas comunicações a partir de uma lista dividida entre as diferentes áreas da vida. Divido com vocês o que aprendi com ela:</p>
<p><strong>Físico:</strong><br />
- Livros e demais objetos emprestados e que não estão mais sendo utilizados precisam ser devolvidos. Se ainda estiverem em uso, é preciso fazer um acordo claro sobre a necessidade de se continuar com eles mais um tempo ou mesmo marcar uma data para a devolução.<br />
- Seus pertences que tiverem sido emprestados a outra pessoa também precisam ser recuperados ou substituídos.<br />
- É importante cumprir qualquer promessa feita a seu corpo ou estabelecer um acordo de quando elas serão cumpridas. Férias há muito tempo programadas, promessas de lugares a serem visitados, de se começar uma academia ou mesmo de comprar algo para si precisam ser colocadas em prática.<br />
- Perda de saúde física ou diminuição do bem-estar são sinais de que há incompletudes nesse campo.</p>
<p><strong>Financeiro:</strong><br />
- Todo dinheiro que se tenha pegado emprestado precisa ser pago e todo dinheiro que se tenha emprestado precisa ser recuperado. Estabeleça prazos e quantias semanais ou mensais a serem pagas para que isso aconteça.<br />
- Promessas de dar dinheiro a outras pessoas ou mesmo de guardar uma quantia na poupança precisam ser cumpridas.<br />
- Qualquer desejo não realizado de movimentação na carreira ou mesmo movimentações realizadas, mas que tenham gerado arrependimento, precisam ser completadas.<br />
- Situações de instabilidade financeira são indicadoras de incompletudes nessa área.</p>
<p><strong>Relacionamentos:</strong><br />
- Qualquer coisa não dita ou não feita em relações anteriores precisa ser completada.<br />
- Assim como quaisquer acordos feitos que não tenham sido concluídos ou resolvidos.<br />
- É necessário devolver objetos e questões que sejam do outro e ainda esteja com você e recuperar o que é seu e ainda está com o outro. Caso algo tenha se perdido, é importante que seja substituído.<br />
- As promessas feitas um ao outro devem ser cumpridas.<br />
- Qualquer comunicação feita que não tenha tido resposta deve ser completada.<br />
- Rigidez, dificuldades de lidar com alguma coisa em um relacionamento, falta de vontade de se comunicar ou dificuldade em deixar a energia fluir livremente entre os parceiros são indicadores de que há algo que precisa ser completado.</p>
<p><strong>Emocional:</strong><br />
- As emoções incompletas ressurgem mesmo que não haja uma razão presente num dado momento. É importante se permitir reconhecer e expressar essas emoções em todos os níveis, inclusive no físico, até que ela se complete.<br />
- Eventos do passado que ainda causem emoções negativas precisarão ser completados. O ressentimento é revelador de que algo ainda precisa ser finalizado.</p>
<p><strong>Mental:</strong><br />
- Acesse tudo aquilo que você quis aprender e ainda não aprendeu, ou qualquer informação que você precise para completar um projeto seu.<br />
- Qualquer vida passada que não esteja completa vai continuar sendo recriada nesta vida e também é necessário completá-la.<br />
- Pensamentos repetitivos ou mesmo obsessivos são sinais de comunicações mentais incompletas.</p>
<p><strong>Espiritual:</strong><br />
- Cumpra as promessas que tenha feito a si mesma ou faça um firme acordo consigo de que vai cumpri-las. Isso inclui até mesmo a missão que sua alma determinou cumprir nesta vida. Se você não sabe do que se trata, considere que descobrir essa missão é o primeiro passo para finalizar essa incompletude.<br />
- Qualquer acordo que tenha sido feito com outras pessoas também precisa ser concluído. Caso você não deseje mais manter esse acordo, será necessário resolver essa questão, como se fosse uma quebra de contrato, que normalmente tem suas cláusulas específicas.<br />
- Também é importante devolver toda energia que se tenha pegado de alguém e completar qualquer troca energética. Energias turbulentas, caóticas ou impactantes são boas indicações de incompletudes nesse campo.</p>
<p>Faça uma lista de suas comunicações incompletas e comece a trabalhar nela, item por item. <strong>Não importa quanto tempo vai levar até que ela seja concluída e, sim, o fato de que, a cada dia, você estará mais completa do que no dia anterior. </strong>Faça bom uso da energia que for sendo liberada.</p>

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		<title>O mal do perfeccionismo</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Feb 2011 01:50:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thays Prado</dc:creator>
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		<category><![CDATA[vida]]></category>

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		<description><![CDATA[Além de ser um veneno terrível para o coração e o melhor alimento para a baixa autoestima, o perfeccionismo limita a visão, a flexibilidade e a criatividade, é um excelente estímulo para a preguiça e pode até paralisar.]]></description>
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<p><em><a href="http://www.maistato.com.br/wp-content/uploads/2011/02/perfeccionismo1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1252" title="perfeccionismo1" src="http://www.maistato.com.br/wp-content/uploads/2011/02/perfeccionismo1.jpg" alt="" width="680" height="346" /></a>Por Thays Prado<br />
Imagem: Vanessa Siqueira + </em><em><a href="http://adorable-to-fuck.tumblr.com/" target="_blank">so adorable</a> + </em><em><a href="http://maybe-love.tumblr.com/page/23" target="_blank">maybe love</a> + </em><em><a href="http://www.hellolucky.com/wordpress/?p=2863" target="_blank">hello lucky</a><br />
</em><br />
Uma espécie de mantra me acompanhou durante a infância e a adolescência: se você pode tirar 10, por que vai tirar 9,9? Com todo o amor e a melhor das intenções, minha mãe quis fazer de mim um sucesso total. Nada menos do que um ser humano perfeito, como se essa expressão já não fosse em si o maior dos paradoxos.</p>
<p>Com todo o amor e a melhor das intenções, me esforcei ao máximo para ser, exatamente, o que minha mãe esperava de mim. E fui uma aluna brilhante, uma filha exemplar, uma irmã mais velha extremamente cuidadosa, uma menina muito boazinha e educada. Comportamento, obviamente, reforçado pelos olhares e sorrisos orgulhosos dos meus pais, os elogios incansáveis dos professores, as comparações com os meus colegas de sala e, até mesmo, a minha quase total ausência de amigos, a não ser quando precisavam de ajuda com alguma matéria difícil &#8211; era o preço, e eu estava disposta a pagá-lo.</p>
<p>No entanto, <strong>quando apenas a perfeição serve, toda a caminhada para se chegar a algum lugar, normalmente denominada de processo, é entendida como um grande fracasso</strong>: você ainda não conseguiu chegar lá. O mais cruel da busca pela perfeição é sua eternidade: você nunca vai conseguir atingi-la. Para um perfeccionista, em constante estado de tensão, nada, nunca, será bom o bastante. E esse é um preço alto demais.</p>
<p>O mercado adora esse tipo de gente, como eu, sempre se empenhando em se superar, fazendo mais do que vale seu salário, mais do que o combinado, mais do que pode. Expressões como &#8220;não consegui&#8221;, &#8220;não deu tempo&#8221;, &#8220;errei&#8221; ou mesmo &#8220;preciso de ajuda&#8221; estão fora de cogitação.</p>
<p>O que talvez o mercado não saiba, nem os colégios ou a maioria dos pais, é que, <strong>além de ser um veneno terrível para o coração e o melhor alimento para a baixa autoestima, o perfeccionismo limita a visão, a flexibilidade e a criatividade, é um excelente estímulo para a preguiça e pode até paralisar.</strong></p>
<p>Recentemente, tive duas experiências opostas que me fizeram ficar frente a frente com essa que considero minha mais grave doença. Uma das situações foi durante uma entrevista em vídeo que realizei na última semana. Me vi diante de uma pessoa que considero extremamente brilhante e, na conversa que tivemos enquanto o cinegrafista preparava o cenário, me senti diminuída. Comecei a achar que minhas perguntas eram muito ruins, fiquei nervosa, preocupada com o tempo e quis acelerar minha fala. A cada erro que eu cometia, meu chicote mental vinha com uma enxurrada de reprovações torturantes que só pioravam a situação. Resultado: a entrevista ficou fria, dura, técnica, chata, intelectualizada demais. Agora, eu estou pensando em que milagre precisarei fazer na edição para dar uma melhorada geral. E talvez eu passe o resto da vida tendo alguma vergonha dessa entrevista publicada.</p>
<p>A outra experiência, oposta, foi durante a execução de um documentário. Como boa perfeccionista, eu havia checado, minusciosamente, todos os detalhes para todas cenas que deveriam ser gravadas em uma cidade muito pequena para a qual eu estava indo com a equipe de filmagem. Uma grana considerável estava sendo gasta e não havia a menor possibilidade de voltarmos ali em outra ocasião para refazer qualquer cena. Quando chegamos ao local, cerca de dois terços do que tinha sido combinado com a população não havia sido cumprido, o que comprometeria seriamente o nosso trabalho. Não ia adiantar chorar, brigar com quem não tinha desempenhado bem o seu papel e nem mesmo exigir que alguém resolvesse aquela situação &#8211; simplesmente era impossível, não tinha remédio para o ocorrido. Só me restava, naquele momento, olhar para o contexto que existia à minha frente e usá-lo a meu favor. Com paciência e criatividade, fui adaptando cada etapa como dava. Percebi que minha visão se ampliou e minha atenção passou a captar informações muito interessantes que não estavam em meu roteiro inicial. Não sei se nosso trabalho teria sido melhor caso tudo tivesse saído exatamente como o planejado, mas sei que fizemos o melhor que pudemos, dentro das condições existentes e o resultado ficou muito bom.</p>
<p>Muitas vezes, também por conta da minha obsessão em ser perfeita, sinto um desânimo enorme diante de coisas que se tornam bem mais simples para outras pessoas menos exigentes. É que começo a pensar em cada detalhe que terei que desempenhar com primor, e crio inúmeras subtarefas que imagino que terei que dominar para que a tarefa principal seja bem executada. Em poucos instantes, tenho uma lista gigante a cumprir e sou tomada por um cansaço antecipado, o que só reforça minha tendência à procrastinação.</p>
<p>Se eu continuar assim, não sei por quanto tempo mais o mercado vai continuar me admirando. Mas tudo bem, os perfeccionistas também são amados pelos músicos e pelos roteiritas de cinema, que não se cansam de retratá-los como aqueles que, pouco antes de morrer, vêem que seu esforço foi completamente em vão, que não existe uma linha de chegada, ou um pódio para os mais perfeitos, no fim da vida. Que <strong>a única proposta que sempre existiu foi a de desfrutar a jornada</strong>.</p>
<p>Mas os perfeccionistas têm medo. E preferem se agarrar a seu belo conto de fadas mental sobre o que se tornarão se se dedicarem um pouco mais,do que correr o risco de, simplesmente, viver. Parece que, seja qual for a escolha, a dor será inevitável. Pelo menos, no segundo caso, ela é real e vem sempre intercalada com momentos de expansão, alegria e prazer.</p>
<p>Este é meu novo desafio pessoal: aceitar que sou perfeitamente imperfeita. E está tudo bem.</p>

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		<title>Ensina-me a viver</title>
		<link>http://www.maistato.com.br/2011/01/19/ensina-me-a-viver/</link>
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		<pubDate>Wed, 19 Jan 2011 11:50:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thays Prado</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A peça interpretada por Glória Menezes e Arlindo Lopes nos lembra do quanto nos perdemos em questões pouco importantes e acabamos nos esquecendo de viver]]></description>
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		</div>
<p><em><a href="http://www.maistato.com.br/wp-content/uploads/2011/01/ensiname1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1164" title="ensiname1" src="http://www.maistato.com.br/wp-content/uploads/2011/01/ensiname1.jpg" alt="" width="680" height="346" /></a>Por Thays Prado</em></p>
<p>Aos 19 anos, cheguei chorando ao consultório de um novo terapeuta, em Belo Horizonte, com uma queixa que já me acompanhava havia três anos: &#8220;eu só quero morrer&#8221;. Ao que ele me respondeu: <strong>eu não sinto que você queira morrer, Thays, eu sinto que você quer é viver!</strong> Porque morta, você já está.</p>
<p>Aquela frase dura me desconsertou. E sei que, na época, não fui capaz de compreender totalmente o seu significado. A verdade é que eu não tinha mesmo descoberto o gosto pela vida.</p>
<p>Na última sexta-feira, seis anos depois, me deparei praticamente com o mesmo recado. Desta vez, no teatro, diante da angústia de Harold, também com 19 anos, vivido por Arlindo Lopes, em uma atuação belíssima.</p>
<p><strong>Assim como eu, Harold também não tinha se dado conta do infinito potencial criador e transformador da vida.</strong> Por isso, seu passatempo favorito &#8211; praticamente o único, aliás &#8211; era pensar em novas formas de suicídio para impressionar a mãe, que não sabia ouvi-lo e muito menos demonstrar-lhe amor.</p>
<p>Até que Maude, uma senhora de quase 80 anos e um coração jovem e cheio de energia, traduzida com toda a sensibilidade por Glória Menezes, cruza seu caminho e lhe ensina a saborear os pequenos prazeres da vida. A plantar uma árvore, apreciar um quadro, reconhecer a beleza única de cada margarida do jardim, a inventar histórias, a tocar um instrumento mesmo sem saber, a cantar, ainda que desafinado, e a rir de um bando de regras sociais aprisionadoras e sem sentido.</p>
<p>Impossível não se apaixonar por Maude. Impossível não amá-la e desejá-la profundamente. Seu jeito radiante e livre desperta o amor do jovem Harold, que quer tê-la para sempre por perto. E quando lhe parecia não mais poder viver sem ela, Maude parte e lhe ensina uma última lição: a de desfrutar o momento presente sem se apegar a ele, a deixar que a vida aconteça e siga seu fluxo, sem medo do próximo passo. E assim, Harold permite que sua dor imensa se transforme em uma alegria ainda maior e se apaixona pela vida.</p>
<p>&#8220;Ensina-me a viver&#8221; é a voz do meu terapeuta, novamente, a me dizer: &#8220;eu sinto que você quer é viver, Thays!&#8221;. É um doce lembrete do Universo de que não importa o quanto eu me sacrifique pelo meu trabalho, jamais será o suficiente para a lógica do mercado (então, será que vale a pena gastar tanta energia com uma perfeição inatingível?). De todas as pessoas queridas, mais cedo ou mais tarde, por um motivo ou por outro, deixarão de existir em minha vida (melhor aproveitar o tempo que temos juntos agora, em vez de me consumir com medo de perdê-las). De que o amor já está dentro de nós, e senti-lo é o que nos preenche (então, em vez de apego, talvez seja mais livre e prazeroso sentir gratidão por quem nos desperta esse sentimento tão nobre). De que preciso de muito, muito pouco para ser feliz de verdade (e pra que tanto esforço para alcançar ilusões de felicidade?).</p>
<p><strong>Sim, eu quero mesmo é viver, e acho que já perdi tempo demais.</strong> Não vou desperdiçar mais um segundo sequer. Sabe o que vou fazer agora? Assistir a esse vídeo aí abaixo, que contém algumas cenas da peça e a trilha que eu achei lindíssima. Alguém me acompanha?</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/3ptgqVtJr1E?fs=1&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/3ptgqVtJr1E?fs=1&amp;hl=pt_BR" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Ah! <strong><a href="http://www.primeirapaginaproducoes.com.br/espetaculos/ensina_me/ensiname.html" target="_blank">Ensina-me a viver</a></strong> fica em cartaz, em São Paulo, até o dia 27 de fevereiro, a preços populares!</p>
<p>Teatro das Artes &#8211; Shopping Eldorado<br />
Avenida Rebouças, 3.970 3° Piso<br />
Informações: (11) 3034-0075<br />
sexta e sábado 21h30 e domingo 18h<br />
R$30 inteira, R$15 meia entrada.</p>

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		<item>
		<title>Sobre como o Universo deixou de acreditar em mim</title>
		<link>http://www.maistato.com.br/2010/11/18/sobre-como-o-universo-deixou-de-acreditar-em-mim/</link>
		<comments>http://www.maistato.com.br/2010/11/18/sobre-como-o-universo-deixou-de-acreditar-em-mim/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 19 Nov 2010 01:33:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thays Prado</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Daqui de dentro]]></category>
		<category><![CDATA[escolhas]]></category>
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		<category><![CDATA[subconsciente]]></category>
		<category><![CDATA[universo]]></category>

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		<description><![CDATA[Diariamente, fui enviando pequenos sinais ao meu subconsciente e ao Universo de que eu não era do tipo que se leva em conta.]]></description>
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Imagem: Vanessa Siqueira<br />
</em><br />
Eu fiz as contas. Nos últimos sete anos, entre 80% e 95% das páginas dos meus diários têm frases como &#8220;cansei&#8221;, &#8220;já chega&#8221;, &#8220;tenho que dar um jeito nisso&#8221;, &#8220;não vai mais acontecer&#8221; e a campeã &#8220;<strong>preciso mudar de vida</strong>&#8220;. Logo abaixo, costuma vir uma lista enorme de coisas que eu deveria fazer para que a minha vida se torne mais interessante e feliz. Isso sem falar nas invocações em graus variados de dramaticidade a Deus, aos anjos, aos santos, aos orixás, aos mestres ascencionados ou a qualquer ser de luz que esteja minimamente desocupado no momento em que eu escrevo.</p>
<p>Não, minha vida não é uma tragédia. Pelo menos não dessas que o senso comum poderia classificar como uma. Mas a verdade é que, há bastante tempo &#8211; tempo que praticamente coincide com a data da minha certidão de nascimento -, eu tenho estado afastada de mim. É claro que não se trata de uma sensação absolutamente constante.</p>
<p>Talvez você não imagine, mas nos outros 5% a 20% de páginas dos meus diários &#8211; a depender do ano &#8211; as frases predominantes variam entre &#8220;agora sim&#8221;, &#8220;finalmente me sinto em casa&#8221;, &#8220;estou no meu caminho sagrado&#8221;, &#8220;estou alinhada com a minha alma&#8221; e, claro, agradecimentos empolgadíssimos aos mesmos seres do bem que me ajudaram a achar um rumo.</p>
<p>Mas não dura. Não dura uma semana, até que o primeiro conjunto de expressões volte a circular dos meus dedos para o papel.</p>
<p>É difícil admitir, mas fui eu mesma quem criei esse eterno sobe e desce em minha vida. <strong>Começou sem que eu percebesse e eu não tenho a menor ideia de quando foi a primeira vez, mas o quadro evoluiu de tal forma que hoje não acordo antes de uma hora inteira apertando o modo &#8220;soneca&#8221;</strong>. Começo a arrumar a cama e paro no meio para dar um telefonema que poderia muito bem esperar; penso que gostaria de tomar um banho e vou checar e-mails, mesmo que não haja nenhum importante; mal pego uma apostila para estudar e interrompo no meio da primeira página se minha namorada me pedir companhia para dormir; me programo para ir ao cinema, mas aceito o pedido de outra pessoa mesmo sem vontade.</p>
<p>Você não ia querer ver a minha agenda&#8230; Uma vez uma amiga comentou: nossa, quantas coisas você consegue fazer em um único dia! Eu respondi: não, as que eu risco são as que NÃO consegui fazer! As que consegui são esses &#8216;oks&#8217; pequenininhos aí do lado :/ Hoje ela se limita a dizer que eu tenho mania de querer resolver o mundo.</p>
<p><strong>Foi assim&#8230; Diariamente, fui enviando pequenos sinais ao meu subconsciente e ao Universo de que eu não era do tipo que se leva em conta.</strong> Que por mais que eu dissesse, convicta &#8211; e eu realmente tinha certeza de que, desta vez, eu ia mesmo fazer aquilo! &#8211; isso não queria dizer muita coisa e podia até significar exatamente o contrário. Como posso esperar que depois de uma vida toda num mesmo padrão minhas intenções continuem a se materializar? Que o que eu desejo, verdadeiramente, para a minha vida seja interpretado como tal? Imagine a confusão do meu sistema interno e até dos pobres mestres, que eu continuo a requisitar, para entender qual parte da piada deve ser levada a sério! Não tem mesmo como funcionar bem&#8230;</p>
<p>Pode ser que tenha sido por educação ou delicadeza, mas ouvi dizer que esse é um traço comum entre os seres humanos. Um mecanismo que, muitas vezes, tem a ver com querer corresponder às expectativas do mundo e a suas próprias sobre si mesmo. Algo do tipo: prometo, ainda que apenas mentalmente, que vou fazer/ser o que esperam, mas como verdadeiramente minha intenção é outra, a promessa não é cumprida. O pior é que a culpa nos leva a prometer mais uma vez, ainda mais veementemente, ou a prometer outras coisas, por compensação. E o que a gente faz com essa armadilha? (Sim, estou supondo que não sou a única a agir dessa maneira. <strong>Por favor, dê o seu depoimento no final deste post para eu não me sentir tão louca</strong>).</p>
<p><strong>A gente começa de novo. Escolhendo, conscientemente, o próximo passo. </strong>Literalmente. Vai atravessar a rua? Então diga, mentalmente, o que pretende fazer e faça. Quer começar um livro, escolha abrir a capa e ler a primeira página. Vai até a cozinha pegar um copo d&#8217;água? Não deixe que nada no meio do caminho lhe desvie do foco.</p>
<p>Trata-se de um pequeno exercício que aprendi com minha mestra australiana, sempre ela, para que meu subconsciente e todo o Universo entendam que podem, novamente, acreditar em minhas decisões. Também ajuda a prestar mais atenção antes de sairmos prometendo &#8211; e nos comprometendo &#8211; por aí.</p>
<p>Este post é meu primeiro passo, depois de tantos dias sem escrever para a querida Tato. Obrigada a você que escolheu, conscientemente ou não, chegar até o final dele.</p>

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		<title>Um tempo só meu</title>
		<link>http://www.maistato.com.br/2010/09/21/um-tempo-so-meu/</link>
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		<pubDate>Tue, 21 Sep 2010 13:38:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thays Prado</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Daqui de dentro]]></category>
		<category><![CDATA[dependência]]></category>
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		<category><![CDATA[fractologia]]></category>
		<category><![CDATA[poder pessoal]]></category>
		<category><![CDATA[tempo para si]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando foi a última vez que você teve uma boa conversa consigo mesma? Se você está em último lugar em sua lista de tarefas diárias, está na hora de rever suas escolhas]]></description>
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<p><em><a href="http://www.maistato.com.br/wp-content/uploads/2010/09/sozinha1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-923" title="sozinha1" src="http://www.maistato.com.br/wp-content/uploads/2010/09/sozinha1.jpg" alt="" width="680" height="346" /></a>Por Thays Prado</em></p>
<p>Todo mundo já ouviu dizer que é fundamental ter um tempo para si. Eu achava que atendia bem a essa sabedoria, afinal, faço terapia e um curso ligado à espiritualidade semanalmente, durmo sozinha um dia ou outro, leio um livro escolhido por mim enquanto faço meu trajeto de ônibus até o trabalho, medito quando dá tempo. Mas num dia desses, enquanto tentava adiantar meus estudos de Fractologia, me deparei com a seguinte pergunta: &#8220;<strong>Quando foi a última vez que você teve uma boa conversa consigo mesma?</strong> Se não criamos espaço em nossas vidas para nos ouvir, não estaremos aptos a ouvir nossa essência falando conosco&#8221;.</p>
<p>Não me lembrava da última vez em que havia parado para ficar comigo mesma e saber um pouco mais de mim. Na hora, tive uma sensação de abandono e frustração e comecei a chorar.</p>
<p>O texto dizia que, assim como para cultivar qualquer relação afetiva dedicamos um tempo com qualidade a ela, é preciso que façamos a mesma coisa conosco. Caso contrário, <strong>corremos o risco de nos perder de nós mesmos, e de ficar confusos sobre quem realmente somos.</strong> A boa notícia é que a qualidade é mais importante do que a quantidade de tempo que passamos a sós, conosco &#8211; pode ser o tempo para uma xícara de chá.</p>
<p>&#8220;Se você passar algum tempo consigo mesmo todos os dias, seu entendimento pessoal aumenta e sua relação pessoal se aprofunda&#8221;, diz minha tutora Catherine Wilkings. Ela conta que o tempo que passa consigo mesma é um dos elementos mais importantes para recarregar suas energias e ter clareza sobre o caminho que realmente serve para ela.</p>
<p>Catherine sugere que nos façamos algumas perguntas, assim como faríamos a alguém que desejamos conhecer melhor:</p>
<p>- O que você ama?<br />
- Como você passaria seus dias, se pudesse?<br />
- O que você gosta de fazer?<br />
- Como você vê a sua vida em cinco ou dez anos?<br />
- O que a faria a pessoa mais feliz do mundo?<br />
- Se tivesse uma coisa que você poderia mudar em você mesmo, o que seria?<br />
- Se tivesse uma coisa que você poderia mudar no mundo, o que seria?</p>
<p>Tenho procurado praticar&#8230; Não virei essa página da apostila, porque esse encontro comigo mesma ainda não é parte da minha rotina e, sempre que há muitas tarefas a cumprir em um dia, essa é a primeira que risco da enorme lista. Quer dizer que o trabalho, as exigências do chefe, o texto atrasado para o blog, um amigo que deseja me contar algo, o almoço marcado na semana passada, a namorada que quer atenção, o gato que precisa de comida, a roupa suja, a louça na pia, a empregada a esperar instruções, os estudos pendentes, o livro, um estranho na rua que me pede informação, os pais carentes ao telefone, os problemas dos outros, a corrida eleitoral, o que eu deveria saber, tudo vem antes de mim mesma. Não estou reclamando de nenhum deles, afinal, a escolha é minha.</p>
<p>Não sei se este é o seu caso, mas, do meu posso dizer: acho que faço tudo isso para ser amada, para ser vista, para ser considerada e admirada. <strong>O grande problema é que, abrindo mão de mim tantas e repetidas vezes, mesmo depois de me prometer o contrário, fica difícil acreditar em mim mesma, fica difícil me levar a sério e, principalmente, é quase impossível me amar.</strong></p>
<p>Foi assim que me vi em um ciclo vicioso e perigoso. Justamente por não me amar e não confiar que apenas o que eu sou já é bom o bastante, continuo servindo às expectativas dos outros, em busca de um pouco de amor e reconhecimento. <strong>Minhas atitudes viraram uma espécie de moeda de troca.</strong> &#8220;Faça algo legal e ganhe um sorriso, um beijo, um abraço, um obrigada, um &#8216;como você é boazinha&#8217;, um joinha ou um consolo qualquer.</p>
<p><strong>Isso é dependência.</strong> Justo eu&#8230; que, em essência, sei que sou livre, independente, e tenho discernimento bastante para saber exatamente o que eu quero de verdade.</p>
<p>A receita da Fractologia é simples, basta um pouco de disponibilidade consigo mesma, <strong>basta abrir um pequeno espaço, diariamente, para a coisa mais importante da sua vida: você.</strong> Minha tutora apenas alerta para um detalhe fundamental: &#8220;tornar-se quem você verdadeiramente é implica em abrir mão de tudo aquilo que você não é&#8221;.</p>
<p>Esse tem sido o meu maior desafio. Porque assim, nem sempre dá para agradar aos outros, nem sempre teremos a aprovação dos que amamos e dos que queremos que nos amem, podemos ganhar alguns inimigos, podemos perder algumas companhias, o emprego talvez&#8230;</p>
<p>Mas algo me diz, algo que vem da minha essência me diz que quando atravessamos essa barreira da dependência e sustentamos a nossa verdade interna, há uma sensação de felicidade por ter, finalmente, escolhido a si mesma. E <strong>o presente que ganhamos com essa atitude se chama poder pessoal</strong>, o poder de transformar a própria vida no que realmente queremos que ela seja.</p>
<p>E aí, o que você vai fazer nos próximos cinco minutos?</p>

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		<title>Mulheres são menos democráticas?</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Sep 2010 14:50:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thays Prado</dc:creator>
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		<category><![CDATA[feminino]]></category>
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		<category><![CDATA[poder]]></category>

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		<description><![CDATA[Pesquisa revela que, no poder, as mulheres são mais autoritárias que os homens. Está na hora de resgatarmos os valores femininos da humanidade ]]></description>
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<p><em>Por Thays Prado<br />
</em><br />
Vários autores afirmam que a transição das sociedades <strong>matriarcais</strong> para as <strong>patriarcais</strong> se deu por meio da força e da violência masculina. E, desde então, com os homens no centro do poder, a humanidade passou por vários eventos de guerra, exploração e autoritarismo.</p>
<div id="_mcePaste">
<p><strong>O problema não estava apenas na desigualdade entre homens e mulheres, mas, especialmente, na falta de equilíbrio entre os aspectos masculinos</strong> &#8211; como a razão, a objetividade, o linear, o material, a exteriorização e, até, a agressividade -, que foram <strong>extremamente valorizados, e os aspectos femininos</strong> &#8211; como a sensibilidade, o subjetivo, o cíclico, o simbólico, a interiorização e a receptividade -, <strong>tidos como sinônimo de fraqueza e subjugados</strong>.</p>
<p>O movimento feminista trouxe grandes ganhos para mudarmos o rumo da história e, apesar de ainda termos um longo caminho a percorrer em termos de igualdade de gênero, as mulheres já têm, hoje, em vários sentidos, as mesmas condições sociais que os homens. No entanto, mais uma vez, essa <strong>ruptura com a submissão feminina foi feita de maneira agressiva</strong>. Talvez não fosse possível, naquele momento, fazer de outra forma.</p>
<p>A psicoterapeuta Patrícia Cuocolo, fundadora do Núcleo do Feminino, do Espaço Integração, em São Paulo, acredita que a história não poderia ter sido diferente. “O movimento foi agressivo, sim, mas foi uma forma de compensação desse aprisionamento. Era preciso fazer alguma coisa ou o feminino se perderia para sempre. No entanto, a mulher acabou assumindo uma posição masculina, porque só o masculino era valorizado. Ela precisou se expressar assim, retirando a guerreira de dentro de si, para competir com os homens”.</p>
<p><strong>Para conquistar um lugar no mercado de trabalho e, mais tarde, para assumir posições de poder, as mulheres acabaram adotando posturas comuns entre os homens que estavam no comando</strong>, como rigidez, agressividade, excesso de controle e autoritarismo.</p>
<p>Uma pesquisa realizada no ano passado por membros do Instituto para o Estudo do Trabalho (IZA), em Bonn, na Alemanha, comprova esse fato. Na tentativa de relacionar características pessoais com o estilo de liderança &#8211; autocrático ou democrático &#8211; adotado pelos entrevistados, os pesquisadores detectaram que o gênero parece ser um fator importante: <strong>as mulheres se mostraram mais propensas ao autoritarismo do que os homens</strong>.</p>
<p>Para efeito de comparação, os líderes autocráticos foram definidos como aqueles que permitem apenas uma mínima participação da equipe nas tomadas de decisão e chegam a ignorar as opiniões de seus subordinados. Por outro lado, os líderes democráticos ouvem seus subordinados e procuram chegar a um consenso dentro da equipe.</p>
<p>Segundo a pesquisa, é difícil especular sobre as razões desse resultado, mas uma possível explicação para elas adotarem estratégias mais agressivas do que eles seria o fato de haver menos mulheres do que homens ocupando posições de liderança. Dessa forma, elas tenderiam a ser mais resistentes e a fazer mais esforço para competir com os homens.</p>
<p><strong>Um segundo passo na busca pela igualdade de gênero e mesmo por um mundo mais justo poderia ser a revalorização dos aspectos femininos de homens e mulheres, perdidos há tanto tempo</strong>. Se aliados ao senso prático, à capacidade de ordenação e ao poder de realização, viessem habilidades ligadas à sensibilidade, ao jogo de cintura, à criação coletiva, à cooperação  e à capacidade de nutrir o novo, teríamos relações humanas mais ricas e um planeta melhor para se viver.</p>
<p>Está na hora de mudarmos os resultados das pesquisas&#8230;</p>
<p>Conte pra gente: o que você tem observado em seu dia-a-dia em relação à postura das mulheres no poder?</p>
</div>

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		<title>Jornadas de heroínas</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Sep 2010 20:35:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thays Prado</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A vida nos convida a sair do mundo conhecido e percorrer um caminho novo, que nos leva ao encontro de nós mesmas. Algumas de nós dizem "sim"!]]></description>
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<p><a href="http://www.maistato.com.br/wp-content/uploads/2010/09/heroina1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-850" title="heroina1" src="http://www.maistato.com.br/wp-content/uploads/2010/09/heroina1.jpg" alt="" width="680" height="346" /></a><br />
<em>Por Thays Prado</em></p>
<p><strong>Você provavelmente já admirou ou admira muito alguém</strong>. O modo como aquela pessoa fala, a sabedoria que tem, tudo o que leu, estudou, viu, viveu, o centramento, o equilíbrio, a alegria, o brilho, a leveza, a profundidade, a doçura, a capacidade de compreender os mais diversos acontecimentos, a maneira como lida com as dificuldades da vida &#8211; aliás, parece que nada sequer é difícil para ela! <strong>E a vontade que você tem é de ser exatamente como ela</strong>. Talvez já tenha mesmo se perguntado: como eu faço para ser assim?</p>
<p>Eu me pergunto sempre. Há mais de uma década, observo bem o currículo das pessoas que admiro e vou adicionando pontos ao meu currículo ideal &#8211; fazer tais e tais cursos, ler o livro x, assistir ao filme y, conhecer o estilo de música z, passar um tempo naquele lugar sagrado, estudar esses e aqueles assuntos, conversar com fulana, sicrano e beltrana. E a lista aumenta na mesma proporção que a minha ansiedade em cumpri-la e, finalmente, ser como uma dessas pessoas tão tão incríveis que conheço &#8211; ou das quais já ouvi falar.</p>
<p>Ingenuidade minha. Ganhei um insight de presente, há alguns dias, quando li o livro <strong>&#8220;O Feminino e o Sagrado &#8211; Mulheres na Jornada do Herói&#8221;, de Beatriz Del Picchia e Cristina Balieiro</strong>. Por meio da jornada de 15 mulheres sensacionais,  percebi que <strong>não é no currículo que se esconde o segredo dos seres notáveis &#8211; é na vida!</strong> E a vida é bem mais do que os cursos que fazemos, os livros que lemos, as viagens que nos permitimos &#8211; eu já deveria saber -, vai muito além do que apreendemos com nosso aparato intelectual.</p>
<p>A vida é feita de todos os dias, um após o outro, de todos os acontecimentos &#8211; principalmente daqueles que nos fazem olhar para cima e perguntar se alguém está zombando de nós ou se Deus (ou o nome que se quiser dar) resolveu nos abandonar ou mesmo nos sacanear. A vida é feita dos encontros, e também dos desencontros, de cada escolha, incluindo as mais tortas e, aparentemente, erradas, de pessoas que aparecem do nada e transformam quase tudo, dos pais, dos parceiros, dos filhos, da ausência deles, da dor, do alívio, da alegria, da depressão, dos sonhos, das perdas, dos ganhos, de absolutamente tudo o que há entre a primeira inspiração e a última expiração &#8211; e, por que não, do que veio antes e do que vem depois disso também &#8211; de cada um de nós. É de tudo isso que as pessoas fantásticas que você admira são feitas.</p>
<p>Acontece que, normalmente, desconhecemos um bom pedaço de suas histórias e nos atemos apenas ao brilho que elas carregam depois de terem traçado uma trajetória inteira e estarem, agora, na plena expressão de sua essência, no auge de sua contribuição para o mundo.</p>
<p>É isso o que nos mostram, com muita delicadeza, Beatriz e Cristina, ao relatarem, com base na teoria da “jornada do herói”, do filósofo Joseph Campbel, as jornadas que percorreram: Ana Figueiredo, Andrée Samuel, Bettina Jespersen, Maria Aparecida Martins, Heloísa Paternostro, Jerusha Chang, Mônica Jurado, Monika von Koss, Neiva Bohnenberger, Regina Figueiredo, Renata Ramos, Rosane Almeida, Sandra Sofiati, Solange Buonocore e Soninha Francine. Ao ler essas histórias, tive duas sensações principais. A primeira foi uma espécie de &#8220;Ah, agora sim! Depois de passar por tanta coisa, faz sentido que ela seja tudo isso que é hoje&#8221;. Ao mesmo tempo, a cada relato, especialmente os das mulheres que já conhecia pessoalmente, eu era tomada por uma admiração ainda maior: &#8220;E depois de passar por tanta coisa, ela ainda conseguiu ser tudo isso!&#8221;.</p>
<p>De algum modo, todo ser humano tem sua jornada nessa existência. <strong>O que diferencia então os heróis mitológicos e os heróis e heroínas que conhecemos do restante da humanidade? Eles aceitaram o que Joseph Campbel denomina de &#8220;chamado à aventura&#8221;</strong>. Tiveram a coragem de romper com o mundo cotidiano e seguir por uma nova trilha, guiados pelo coração, pela intuição, por um apelo maior, muitas vezes difícil de ser identificado, mas que convida aquele ser a experimentar o novo. &#8220;A experiência subjetiva do chamado traz a sensação de rompimento com o conhecido, de um corte da vida como sempre havia sido, de algo que se quebra e não pode mais voltar à forma original&#8221;.</p>
<p>Pode até ser que algumas das heroínas tenham se recusado, por algum tempo, a seguir esse chamado, se apegando ao antigo em suas vidas, afinal, não é mesmo fácil abrir mão do que nos é familiar, em nome de algo que sequer sabemos o que é, do que se trata e aonde pode nos levar. Felizmente, nos dizem as autoras, &#8220;<strong>se o chamado pode ser protelado, recusado e até distorcido, parece que a vida não desiste nunca</strong>. Ou a insatisfação, a sensação de vazio e de falta de sentido retornam ainda mais prementes, ou acontecem novas atribuições e eventos externos no mesmo sentido&#8221;.</p>
<p>Dito &#8220;sim&#8221;, a jornada propriamente dita começa. Nessa fase, a heroína passa por uma série de &#8220;provas&#8221; e situações difíceis e a busca por respostas é intensa. Por mais que haja desafios,<strong> o Universo parece sempre conspirar a favor dos seres que estão dispostos a se tornar, cada vez mais, quem verdadeiramente são</strong>. E uma série de pessoas e situações podem aparecer para ajudar o herói ou a heroína a seguirem esse novo rumo. Também é possível que alguns dons totalmente desconhecidos sejam despertados e mesmo que apareça um ou mais mestres para auxiliar e inspirar quem está apenas começando. Ao longo do caminho, quem o percorre vai se transformando, surgem novos aprendizados, muitos conceitos se modificam, pode-se adquirir outros valores e formas inovadoras de ver e experimentar o mundo.</p>
<p>E quando o caminhante pensa que já atravessou tudo o que podia, pode ser que surjam mais mudanças e novos desafios, verdadeiros convites para que se mergulhe cada vez mais fundo dentro de si mesmo. Algumas heroínas relatadas no livro passaram, inclusive, por uma &#8220;situação-limite&#8221;, uma espécie de prova final antes da recompensa.</p>
<p><a href="http://www.maistato.com.br/wp-content/uploads/2010/09/22056102.jpg"><img class="size-full wp-image-848 alignleft" title="22056102" src="http://www.maistato.com.br/wp-content/uploads/2010/09/22056102.jpg" alt="" width="200" height="285" /></a>E <strong>a recompensa</strong>, a que Joseph Campbel chama de &#8220;bliss&#8221;, pode ser explicada de várias maneiras, mas pode ser resumida a <strong>um encontro íntimo com o que há de mais verdadeiro em nós mesmas</strong>, com a nossa natureza mais profunda, com a nossa alma. &#8220;Existe um encantamento nesse encontro, a sensação de estar em um momento especial, cheio de significado. Vive-se a sensação de estar repleto de vida, de sentir-se emocionalmente muito envolvido. Por mais que a jornada tenha sido árdua, ela culmina com essa sensação de plenitude&#8221;.</p>
<p><strong>Alcançado esse estado, é hora de retornar, de levar ao mundo todo o aprendizado dessa jornada</strong>, de se expressar na vida social a partir de sua verdadeira essência. &#8220;O ciclo termina com o viajante trazendo ao mundo cotidiano o que descobriu em seu caminho, o tesouro, a dádiva encontrada no percurso. Apesar de toda jornada trazer uma grande transformação pessoal, ela tem de conter uma dimensão maior: é necessário que essa transformação seja, de alguma forma, &#8220;doada&#8221; para o coletivo”.</p>
<p>O próprio Campbel diz que, na realidade, passamos por várias jornadas ao longo da vida. E é com a seguinte frase que as autoras terminam a introdução do livro e partem, então, para as histórias imperdíveis e extremamente inspiradodas das quinze heroínas escolhidas: “O que julgo ser uma boa vida é aquela com uma jornada do herói após a outra. Você é chamado diversas vezes para o domínio da aventura, para novos horizontes. Cada vez surge o mesmo problema: devo ser ousado? Se você ousar, os perigos estarão lá, assim como a ajuda e a realização ou o fiasco. Existe sempre a possibilidade do fiasco. Mas existe também a possibilidade da bliss”.</p>
<p>E você, já disse sim para a sua jornada?</p>
<p><strong>&#8220;O Feminino e o Sagrado &#8211; Mulheres na Jornada do Herói&#8221;<br />
Autoras: Beatriz Del Picchia e Cristina Balieiro</strong><br />
<strong>Editora: Ágora</strong></p>
<p>Confira o blog das autoras: <a rel="nofollow" href="http://ofemininoeosagrado.blogspot.com/" target="_blank">http://ofemininoeosagrado.blogspot.com/</a></p>

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