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	<title>tato &#187; Papo bom</title>
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	<description>um sentido para o feminino</description>
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		<title>Pelo Resgate do Sagrado Feminino</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Jan 2012 12:47:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thays Prado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Essências]]></category>
		<category><![CDATA[Papo bom]]></category>
		<category><![CDATA[2012]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[espiritualidade]]></category>
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		<category><![CDATA[xamanismo]]></category>

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		<description><![CDATA[A xamã Sylvie Shining Woman nos diz sobre o desafio atual da humanidade de se reconectar com o coração e recuperar a simplicidade perdida e o fluir natural da vida.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
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<p>Por Thays Prado</p>
<p><em> Imagens: Vanessa Siqueira + Castelar Alvorada</em></p>
<p>Nas redondezas do Vale do Capão, uma pequena cidade no coração da Chapada Diamantina, na Bahia, vive <strong>Sylvie Shining Woman</strong>, uma Mulher Medicina.</p>
<p>De origem francesa e armênia-russa, teve seu pai como primeiro mestre, um buscador que sempre lhe deu subsídios para nutrir profundamente sua <strong>espiritualidade</strong>. Quando era criança, o via receber em casa yogues, sensitivos e pessoas que conseguiam levitar. E conta que sempre sentiu uma forte conexão com a &#8220;Fonte Divina&#8221;.</p>
<p>Aos 17 anos, começou a cursar a faculdade de Direito em Vincennes, na França, e, simultaneamente, passou a seguir os ensinamentos esotéricos de Alice A. Bailey, na escola Arcane de Genebra. Após alguns anos, resolveu unir o conhecimento esotérico às experiências que vivia e decidiu fazer uma viagem para o Oriente que durou três anos. Viveu quase um ano em um Mosteiro Tibetano e depois seguiu diversos Mestres e Tradições, além de realizar trabalhos humanitários nas comunidades por onde andava.</p>
<p>A cada nova filosofia com que entrava em contato, ia se aproximando cada vez mais da totalidade do seu ser. Também andou pelas Américas e se aproximou das <strong>tradições indígenas norteamericanas, maia e tolteca</strong>. Nos anos 80, foi iniciada no <strong>Xamanismo</strong>, que se tornou um verdadeiro caminho de vida e exerce, ainda hoje, grande influência sobre seus ensinamentos, que Sylvie faz questão de disseminar por meio de cursos e workshops em diversas partes do mundo.</p>
<p>Há 30 anos, vive no Brasil, numa região em que, mesmo nos dias atuais, precisa lidar com coronéis e homens incapazes de ouvir uma mulher. Mas ela não perde a voz, já realizou grandes transformações na região, empoderando as mulheres e as auxiliando a resgatar sua conexão com o <strong>Feminino Sagrado</strong>.</p>
<p>Na virada deste ano, tive o prazer de conhecer Sylvie pessoalmente, na pousada <strong><a href="http://www.castelaralvorada.com/" target="_blank">Castelar Alvorada</a></strong>, onde recebe hóspedes abertos a experiências de profunda conexão consigo mesmos, através de rituais e vivências ligados à espiritualidade.</p>
<p>Com um sorriso muito autêntico nos lábios e um coração que transbordava amor, ela se sentou comigo e me concedeu essa entrevista, que terminou com lágrimas nos olhos &#8211; meus e dela.</p>
<p><strong>A que você dedica sua vida?<br />
</strong>Ao profundo, ao sagrado e, particularmente, de 34 anos para cá, estou muito dedicada ao Feminino. Ao resgate de tantas mulheres que ainda sofrem abuso, em todos os sentidos &#8211; não apenas sexual, mas também mental e emocional. Também quero ajudar a resgatar a voz do Feminino nos homens. A base dos ensinamentos que eu sigo é fundada sobre 3 Leis Sagradas Universais:<br />
1 &#8211; Grande Espiríto, que absolutamente tudo seja feito segundo a Sua Vontade.<br />
2 &#8211; Tudo nasce através do Profundo Feminino Sagrado.<br />
3 &#8211; Nada e ninguém pode machucar a criança.</p>
<p><strong>Como assim?<br />
</strong>É através da abertura, do acolhimento e da disponibilidade de se tornar um receptáculo que a luz do Pai Celeste se pousa, é concebida e, assim, a vida se manifesta. Mas se essa luz celestial cai em uma mente rígida, cheia de crenças e padrões, nada se fertiliza e, consequentemente, começamos a trazer doenças físicas, mentais e emocionais, como vemos hoje.</p>
<p>É muito interessante, porque os neurocientistas já descobriram que as pessoas se tornam mais fluidas a partir da inteligência emocional &#8211; que é o coração, que é a feminilidade, a inspiração da vida. Essa inteligência libera hormônios que nos fazem ficar mais focados, mais determinados e conseguimos realizar melhor nossos projetos de vida. Para mim, isso é óbvio, afinal, quanto mais você flui a partir de quem você é, da sua essência, mais vai conseguir manifestar a sua missão de vida, o que você veio fazer aqui na Terra.</p>
<p><strong>E como podemos nos reconectar com esse Feminino?<br />
</strong>É uma disciplina diária. Não é repetir uma ação, como um robô, todos os dias, até perder o sentido. Mas é se deixar tocar pela vida. É isso que homens e mulheres não estão conseguindo, eu vejo que ambos estão totalmente perdidos.</p>
<p>Precisamos nos voltar cada vez mais para o nosso centro e estar na inspiração do fluir a cada momento, a cada acontecimento. É ouvir a si mesmo, é consagrar todas as suas ações para a Vida. É parar de se preocupar com o mundo e começar a se ocupar consigo mesmo. A partir do momento em que fazemos isso, resgatamos nossa energia, nos amamos, nos cuidamos, nos voltamos para esse princípio feminino e irradiamos cada vez mais essa energia. A fluidez começa a liderar a nossa vida e não é necessário fazer mais esforço algum, porque tudo acontece redondo, do jeito que tem que acontecer. Mas é um trabalho diário&#8230;</p>
<p><strong>Na vida prática, como podemos começar a fazer isso?<br />
</strong>Não precisamos ficar o dia inteiro em posição de lótus ou dentro de uma sauna sagrada para nos reconectar com o Feminino. Porque nessas situações é muito fácil. A luz tem que estar presente todos os dias de nossa vida. É na hora em que tudo está desmoronando à sua volta, que você tem que estar ali, expressando a mesma coisa que expressa durante sua prática espiritual, mantendo a firmeza com amorosidade.</p>
<p>Se você está no dia-a-dia e algo não está legal, então pare. Pare o que estiver fazendo e volte para dentro de si, se aquiete. E isso você faz em pleno metrô, no avião, em qualquer lugar. Volte para o seu centro e comece a respirar, a observar o que está acontecendo, o que está te incomodando, ou magoando. Não é fazer julgamento, é apenas observar. Então, inspirando e expirando, vá varrendo essas sensações, esses sentimentos, deixe ir.</p>
<p>Se no momento de uma briga ou de uma irritação, uma pessoa que está completamente agoniada ou nervosa decide falar alguma coisa, vai acabar explodindo. Então, o melhor a fazer é se retirar, respirar, passear, fazer qualquer outra coisa. Primeiro é preciso se encontrar, trazer a chama do Puro Amor para o coração, só depois devemos voltar a falar com a pessoa que nos chateou e rever a situação. E também não é chegar até ela e dizer: &#8220;viu, eu estou no Profundo Feminino, sou superior&#8221;, ou qualquer coisa assim.</p>
<p>Porque tem muitas mulheres que fazem isso. Elas são muito brilhantes, mas dizem: &#8220;está vendo, eu estava certa&#8221;. Claro que elas têm uma sensibilidade aguda, também por causa do útero, que as torna mais intuitivas e receptivas, mas precisam ter cuidado para não entrar na manipulação, na ilusão de que estão sempre certas e no controle das outras pessoas.</p>
<p><strong>O que experimentamos em nossas vidas quando acessamos esse Feminino?<br />
</strong>Ah, o Feminino é um caminho tão lindo&#8230; É pela chama do Puro Amor que trazemos à tona as ferramentas certas, que melhor nos servem, que nos ajudam a crescer internamente naquilo que somos. Descobrimos nossos talentos, desenvolvemos os dons que já possuímos e os potencializamos. Quando uma pessoa se trata bem, se ama, ela evita doenças, fica mais presente com o outro, enfim, um leque muito grande de possibilidades se abre e tudo começa a fluir.</p>
<p>Eu, pelo menos, não faço mais esforço nenhum na minha vida. Eu apenas intento e tudo acontece. Eu acho que todos os seres humanos devem chegar a isso.</p>
<p><strong>Por falar em um estado ao qual os seres humanos devem chegar, qual é o convite para a humanidade em 2012? O que devemos fazer?<br />
</strong>Irradiar e espalhar o amor. Acredito que será um ano de vitória. Eu andei com os antigos no México e penso que o calendário Maia parou aqui porque não tinha mais pedra para dar continuidade (risos). Na realidade, o calendário para porque, a partir de agora, os seres humanos precisam escolher o que querem fazer. Os grandes mestres estão sumindo propositadamente da face da Terra. Sua Santidade, o Dalai Lama, já afirmou que ele é o último dos Dalai Lama.</p>
<p>Essa é a mudança de 2012. O recado é: &#8220;não tem mais nenhuma regra, ninguém vai mostrar mais nada, use tudo o que os mestres já deixaram, tudo o que você já percebeu, caminhou e sentiu até agora, pois tudo o que precisamos saber já está dentro de nós. Agora faça o que precisa ser feito&#8221;.</p>
<p><strong>O que deve acontecer a partir deste ano com a consciência humana?<br />
</strong>Eu acredito que ainda vai levar alguns anos para que uma grande mudança aconteça, imagino que seja a partir de 2020, mais ou menos. Até lá, o que acontece é uma tomada de consciência: &#8220;eu me torno luz, eu me torno amor, eu me torno um ser responsável pelos meus atos&#8221;. E isso vai se expandir cada vez mais.</p>
<p>O mundo está tão veloz, tão insano, tantas coisas acontecendo no planeta, que cada vez mais essa abordagem da consciência vai se tornar frequente na vida dos seres humanos, para que eles vejam que assim não dá. Eu viajo pelo mundo todo e percebo que já posso conversar sobre esse assunto com qualquer pessoa, mesmo com aquelas que nunca tiveram nenhum tipo de prática espiritual. Elas estão se abrindo para esse feminino, para esse sopro de vida, porque estão vendo que do outro lado não tem mais nenhuma saída.</p>
<p>Não estamos vivendo uma crise econômica, trata-se de uma crise planetária. E 2012 é o início dessa tomada de consciência, não apenas para grupinhos de pessoas que se encontram, que meditam e praticam uma técnica. É uma mudança global. São pessoas que trabalham todos os dias e, de repente, numa dia qualquer, enquanto estiverem indo para o trabalho, vão parar e decidir voltar pra casa e algo vai mudar dentro delas, por exemplo. São movimentos energéticos doados pelo planeta que vão se manifestar cada vez mais na vida dos seres humanos. E assim vamos começar a modificar, pouco a pouco, o sistema no qual nos aprisionamos até hoje.</p>
<p>Cada vez mais as pessoas começam a se encontrar, a se reconhecer e a ter vontade de criar um novo mundo juntas. Isso vai levar tempo, mas já estamos começando. É o fim de um ciclo e o começo de outro. Será um ano de vitória, pois deixaremos as camadas do velho, e os novos paradigmas do que vai ser o planeta Terra vão se manifestar por eles mesmos.</p>
<p><strong>Quais são as crenças que mais nos aprisionam hoje e de que precisamos nos libertar?<br />
</strong>São as crenças de apego. Apego ao dinheiro, às conquistas, ao ter, a tudo. A gente direcionou toda a nossa vida, há milhares de anos, ao ter, ao adquirir, ao armazenar, ao acumular. E não somente bens materiais, mas também pessoas, companheiros, filhos &#8211; eu não tenho um filho, meu filho veio através de mim, mas ele não é meu. Traçamos um caminho de conquistar cada vez mais inteligência mental, informações, títulos, espaço físico, espaço na mente de outras pessoas. E agora é o momento de, simplesmente, Ser o que Somos.</p>
<p><strong>E dá mesmo para confiar que nosso mestre interno sabe o caminho? As respostas já estão realmente dentro nós?<br />
</strong>Sim, porque temos o conhecimento silencioso, conectado com a Fonte Divina. Sempre digo isto nos meus seminários: existe algo muito maior do que o que somos. E se você confia verdadeiramente nisso, não há dúvidas, não há medo. Porque o amor é maior do que qualquer medo.</p>
<p>A energia atrai energia, a força chama a força. É uma escolha. Se você se conecta com a Fonte, seu mestre interno está vivo dentro de você e ele se revela. E não importa a filosofia ou a tradição que você siga, porque todas elas são a mesma. Mas se você não faz um movimento para que isso aconteça, acaba preso nos medos, nos apegos, duvida de si mesmo e perde, pouco a pouco, essa conexão.</p>
<p>A iluminação não é um estado em si que se alcança e pronto. O Buda não se iluminou e acabou. São momentos de realização própria, onde se alcança um estado de libertação total. Depois você volta a outro estado, mas aquele momento é de conexão com sua Essência Primordial, com sua fonte. E desse lugar, você sabe o que tem que fazer. A partir desse momento, você é seu mestre.</p>
<p><strong>Você sempre diz que deuses nós já somos, agora precisamos aprender a ser humanos. O que isso significa?<br />
</strong>Somos seres de luz, seres extraordinários, que decidimos reencarnar como seres humanos no ventre de uma pessoa que escolhemos, para viver certas experiências aqui na Terra. Mas como não conseguimos lidar com o que somos, criamos, com a nossa mente, um mundo ilusório e vemos Deus como algo fora de nós. A gente se fragmenta.</p>
<p>A partir do momento que incorporamos Deus e entendemos que somos uma centelha da faísca de Deus, passamos a viver, verdadeiramente, a nossa humanidade. Agimos, falamos, trabalhamos, respondemos à vida com divindade. Se já viemos com essa chama de luz, não é espiritualidade o que está nos faltando, mas humanidade. Porque falta a compreensão de que somos um único ser.</p>
<p><strong>E como seres humanos, sempre teremos um lado de sombra?</strong><br />
Sim, somos luz e sombra. A gente tem que aprender a lidar com o que é. A Terra é verdadeiramente um laboratório e viemos para cá para experimentar tudo. Cada um veio com uma bagagem e uma certa frequência para aprender alguma coisa. Cada um vem viver, nesta vida, exatamente o que precisa, com esse pai, essa mãe, esses filhos, esse namorado&#8230; Você cria esse núcleo para aprender com cada um deles o que você necessita resgatar dentro de si para recuperar a sua unidade. E a gente faz isso dançando com a nossa sombra, porque é com ela que aprendemos.</p>
<p>Então, precisamos perguntar a ela: &#8220;quem é você? O que eu tenho que aprender com essa situação que sempre se repete e eu não estou vendo?&#8221; E ela vai lhe falar. Porque ela está ali para você crescer. As pessoas e situações vêm para nos trazer essas informações. Mas, como somos prepotentes, nos indignamos, nos defendemos, achamos que aquilo não pode acontecer conosco e nos afastamos de nossa Fonte. Nesse momento, o Profundo Feminino nos diria para nos aquietarmos, respirarmos e escutarmos. Pois é com essa escuta que algo vai acontecer dentro de você. Então, não é negar a sombra, é olhar para ela, acolhê-la, irradiar luz, curar o que precisa ser curado, liberar essa bagagem e viver a sua verdadeira paixão.</p>
<p><strong>Todo mundo tem a sua paixão na vida?<br />
</strong>Cada um tem a sua. Somos seres apaixonados. Mas como a gente anda na vida &#8220;de bengala&#8221;, cheios de carências, a gente pensa que a paixão vem do outro, que é o outro que vai nos deixar apaixonados. Mas a paixão é essa faísca de vida pulsando dentro da gente e em tudo o que a gente faz. E a gente se encontra com o outro para poder partilhar isso, não para sugar ou se alimentar da paixão do outro. De todo modo, é impossível se sustentar com a paixão do outro, tudo tem que ser feito pelo seu próprio amor, que é irradiado para você mesmo, para suas relações e para tudo o que você faz.</p>
<p><strong>Da maneira como você diz, tudo parece muito simples, mas não é tão fácil assim, né?<br />
</strong>É tão simples, tão simples&#8230; que quase ninguém consegue alcançar. Porque somos muito sofisticados e nos afastamos cada vez mais dessa simplicidade. Mas é pela simplicidade que a gente vai voltar a ser humano mesmo.</p>
<p><strong>Essa sofisticação é uma distração da mente?<br />
</strong>Eu diria que é uma fragmentação. O poder, a ganância, o dinheiro, a conquista, o controle, a manipulação, o ego, tudo isso é sofisticação. A simplicidade é o amor que flui no coração e, então, tudo se realiza. Por isso é que eu digo que ainda tem muito trabalho a ser feito aqui na Terra para a gente alcançar o que tem que alcançar.</p>
<p><strong>Qual é o seu sonho para o planeta?<br />
</strong>Meu sonho é ajudar a criar os novos mapas de navegação planetária através da Chama Eterna do Puro Amor. Que essa visão vele, guarde e perpetue as Leis Sagradas Universais da Sabedoria Milenar e acompanhe todas as crianças da Terra, lhes oferecendo um futuro mais harmonioso, gerado pela beleza de ser e de viver, com respeito e dignidade, sem nenhuma ameaça de violência física, emocional ou mental. Que elas possam voltar a conquistar a alegria de seus corações. Que vivam livres e felizes.</p>
<p>Esse é o meu sonho para todas as gerações futuras. Um mundo livre, sem qualquer condição ou controle, onde as águas fluam em abundância sobre a face da Mãe Terra para que as crianças permaneçam na sua inocência. Que a chama do Puro Amor volte a se manifestar e flua para os filhos da Terra, porque a partir do amor vem todo o resto, a paz, a harmonia, a dignidade, o equilíbrio&#8230;</p>
<p>Depois de algumas lágrimas, Sylvie terminou a entrevista dizendo: &#8220;eu sempre fico emocionada com as crianças&#8221;.</p>
<p>&nbsp;</p>

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		<title>Dia Internacional da Mulher</title>
		<link>http://www.maistato.com.br/2011/03/08/dia-internacional-da-mulher/</link>
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		<pubDate>Tue, 08 Mar 2011 17:21:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Manoella</dc:creator>
				<category><![CDATA[Papo bom]]></category>
		<category><![CDATA[dia da mulher]]></category>
		<category><![CDATA[estereótipo]]></category>
		<category><![CDATA[independência]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[reflexão]]></category>

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		<description><![CDATA[Na tentativa de achar uma pauta que resumisse o que teriam a dizer nessa data, Thays e Manu tiveram uma conversa despretensiosa e resolveram compartilhar aqui]]></description>
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			</a>
		</div>
<p><strong><a href="http://www.maistato.com.br/wp-content/uploads/2011/03/diamulher1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1289" title="diamulher1" src="http://www.maistato.com.br/wp-content/uploads/2011/03/diamulher1.jpg" alt="" width="680" height="346" /></a></strong></p>
<p><strong>Thays</strong>: Tem alguma ideia de por onde podemos começar?</p>
<p><strong>Manu</strong>: Amanhã é o Dia Internacional da Mulher e isso, com certeza, evoca aí alguns papéis sociais, reflexões, homenagens&#8230;em meio a esse tanto de coisas, o que a tato tem a dizer? Aliás, mais do que isso: o que vc tem a dizer?</p>
<p><strong>Thays</strong>: Acho que mtas mulheres ainda estão presas a papéis sociais, sendo não exatamente o que são, mas o que acham que deveriam ser ou parecer.</p>
<p><strong>Manu</strong>: Essa história dos papéis causa muita confusão. As mulheres que detestam as feministas, normalmente, criticam isso: as mulheres refutaram tanto a ideia de não exercer o papel de boa moça e boa dona de casa, que, agora, têm que ser não só isso como também boas profissionais, boas amantes&#8230; Os papéis só &#8220;aumentaram&#8221;. Não foi vantagem nenhuma.</p>
<p><strong>Thays</strong>: É isso&#8230; a história caminha e as mulheres podem mudar o complemento da frase &#8220;ser mulher é&#8230;&#8221; mas sempre existe uma frase por trás. Sempre existe uma definição do que é ser mulher, do que uma mulher deve fazer.</p>
<p><strong>Manu</strong>: Mas eu acho que a frase vai ainda por outro caminho que é: o que as mulheres querem, do que elas gostam&#8230;</p>
<p><strong>Thays</strong>: E daí elas passam a querer o que essa frase determina e se esquecem de se perguntar se, realmente, querem aquilo.</p>
<p><strong>Manu</strong>: Será que as mulheres se apegam a isso com tanta força? Estamos tão perdidas assim até hj?</p>
<p><strong>Thays</strong>: Infelizmente, tenho visto que sim. Convivo com várias mulheres bem instruídas e totalmente reféns dos estereótipos.</p>
<p><strong>Manu</strong>: Algum em particular?</p>
<p><strong>Thays</strong>: Principalmente o da falsa modernidade. Tem mta mulher tentando provar uma liberdade e uma independência que, como você mesma diz, são apenas uma nova cara para a mesma repressão.</p>
<p><strong>Manu</strong>: Ah, isso tem a ver com o tal &#8220;poder de sedução&#8221;. Aquele estereótipo veeeeelho da mulher pecaminosa (era século 19?), da mulher que é a tentação é muito presente.</p>
<p><strong>Thays</strong>: Mas hoje como um fator positivo, vc não acha?</p>
<p><strong>Manu</strong>: Às vezes me soa como um &#8220;toma aí seu poder de sedução e fica quieta&#8221;, como se a igualdade a que a mulher reivindica fosse algum tipo de poder. Então, toma aí o de sedução e fique satisfeita, sabe?</p>
<p><strong>Manu</strong>: As mulheres compraram essa ideia, como se os homens não fossem sedutores tanto quanto as mulheres. Ser ou não ser sedutor não tem nada a ver com ser homem ou mulher. O problema não é tentarem vender uma ideia, o problema são as mulheres comprarem, né?</p>
<p><strong>Thays</strong>: Sim&#8230; O ideal seria termos discernimento para não entrar nessa.</p>
<p><strong>Manu</strong>: Mas essa ideia, acho, se mistura a duas outras que complicam um pouco: a primeira é a da &#8220;liberdade sexual&#8221;, que significa que agora vc tem toda liberdade do mun-do para agradar seu homem em mais posições hahaha.</p>
<p><strong>Manu</strong>: E a segunda é que, agora, todo mundo pode nivelar por baixo. Ou seja, se antes os homens eram imaturos e te faziam de boba, tudo bem, agora você também pode ser imatura e fazê-los de bobos. Sinceramente, eu não sei aonde vamos com isso&#8230;</p>
<p><strong>Thays</strong>: É&#8230; isso é irritante. E tem muita coisa que não se restringe ao universo das mulheres, tb serve para os homens. As revistas masculinas tb estão cheias de fórmulas de como ser um cara pegador, um cara bom de cama&#8230; E eles tb compram essa ideia.</p>
<p><strong>Thays</strong>: Estão o tempo todo tentando parecer o que não são. Para os amigos, para as namoradas, para as mulheres em geral, e tb no trabalho&#8230;</p>
<p><strong>Manu</strong>: A parte do &#8220;ser pegador&#8221; compram&#8230;, mas a parte da estética não. É mais o comportamento mesmo.</p>
<p><strong>Thays</strong>: São imagens diferentes construídas para cada gênero, mas são tão cruéis quanto. Resultado: a completa falta de intimidade, genitalidade demais, sexualidade zero, relacionamentos superficiais e falsos, jogos de sedução, infelicidade&#8230;</p>
<p><strong>Manu</strong>: Mas não sei se as pessoas estão prontas para viver relacionamentos fora desses papéis. Quando alguém sai desse personagem, tudo fica novo. E quem vai bancar o novo numa sociedade de papéis tão definidos, onde todo mundo aprende a ser inseguro?</p>
<p><strong>Thays</strong>: Tem que ter muita disponibilidade interna. O que me parece é que talvez essa construção de papéis sociais esteja baseada demais na questão de gênero e isso me irrita muito. Ser mulher e ser homem parecem importantes demais e talvez não sejam tanto. A maioria das questões que vivemos são humanas, e não exatamente ligadas ao sexo ou ao gênero&#8230;Parece que a aprovação está sempre no que o gênero oposto fizer</p>
<p><strong>Manu</strong>: Acho que existem diferenças entre homens e mulheres, no mínimo, hormonais. Mas não acho que elas precisam ser frisadas nem que são tão importantes e nem devem ser usadas como desculpa para nada. Não entendo o que é essa aprovação. Aprovação de qm? Parece que é sempre uma disputa.</p>
<p><strong>Thays</strong>: Parece que o conceito de &#8220;sucesso&#8221; ou de &#8220;felicidade&#8221; depende do sexo oposto. O cara é foda se ele impressiona as mulheres, a mulher é o máximo se tem vários homens a seus pés. Tem sempre uma comparação que depende do outro lado e quando um lado perde, o outro ganha. <strong></strong>Sinto que as pessoas precisam de referenciais para se sentirem seguras.</p>
<p><strong>Manu</strong>: Mas será que tem jeito de se sentir tão seguro assim? Para se sentir tão seguro é preciso ter controle. Não existe isso, a gente não tem controle.</p>
<p><strong>Thays</strong>: Acho que tudo está na necessidade que temos de controlar as situações e, com isso, diminuir nosso grau de vulnerabilidade. Então, se eu sei que uma mulher deve ser assim, assim, e não de tal jeito, ótimo, sei o que fazer. O grande problema é que esses conceitos vindos de fora geram infelicidade, pq não são necessariamente compatíveis com nossa verdade interna, com nossa natureza.</p>
<p><strong>Thays</strong>: E é confortável saber que os outros vão agir de maneiras previsíveis. Isso tb é fundamental para continuar tendo controle. Vc sabe como um cara vai te abordar numa balada, por ex.</p>
<p><strong>Manu</strong>: E vc sabe como deve reagir.</p>
<p><strong>Thays</strong>: No final, é apenas uma peça de teatro sendo encenada mais uma vez. E já existem finais bem previsíveis</p>
<p><strong>Manu</strong>: E o que a gente faz com isso?</p>
<p><strong>Thays</strong>: Sai da caixinha e paga o preço, se mostra como é e corre o risco</p>
<p><strong>Manu</strong>: O preço de quem sai da caixinha é sempre muito alto, né?</p>
<p><strong>Thays</strong>: Mas o preço de ficar lá dentro sabendo que é apenas uma caixa tb é.</p>
<p><strong>Manu</strong>: Será que a gente só quebra o ciclo liderando pelo exemplo? Deveria ser mais fácil do que isso.</p>
<p><strong>Thays</strong>: O ser humano sempre aprendeu pelo exemplo. Só aprendemos a falar pq imitamos os adultos, só construímos nossa personalidade na adolescência pq imitamos algum ídolo, ou fazemos questão de ser o oposto de certas pessoas. A gente sempre usa referências até descobrir as referências internas.</p>
<p><strong>Thays</strong>: Imagina: vc se depara com uma pessoa que é totalmente livre, que não está na caixinha. Vc vai ter vontade de experimentar tb. Algo dentro de vc deve ressoar&#8230;</p>
<p><strong>Manu</strong>: Possivelmente. Não é todo mundo que está disposto a pagar o preço, mas se é preciso começar de algum lugar&#8230;</p>
<p><strong>Thays</strong>: Sempre vai ser uma questão de escolha e se essa escolha for consciente, já é mto bom.</p>

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		<title>E o sonho virou realidade</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Sep 2010 17:12:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Manoella</dc:creator>
				<category><![CDATA[Papo bom]]></category>
		<category><![CDATA[avaaz]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[ficha limpa]]></category>
		<category><![CDATA[graziela tanaka]]></category>

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		<description><![CDATA[Graziela Tanaka é uma mulher que trabalha colocando em prática aquilo em que acredita. Leia a entrevista e conheça a trajetória de quem conseguiu transformar “idealismo” em realidade]]></description>
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			</a>
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<p><em><a href="http://www.maistato.com.br/wp-content/uploads/2010/09/graziela1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-934" title="graziela1" src="http://www.maistato.com.br/wp-content/uploads/2010/09/graziela1.jpg" alt="" width="680" height="346" /></a>Por Manoella Oliveira</em></p>
<p>Aos 30 anos, Graziela Tanaka faz parte dos raros cidadãos que integram a estatística de quem é feliz no trabalho. A coordenadora de Campanhas da <a href="http://www.avaaz.org/po/" target="_blank">Avaaz</a> no Brasil, uma ONG de 5,6 milhões de membros que tem como missão diminuir o espaço entre o mundo que temos e o que queremos, é socióloga, antropóloga, e se dedica a mobilizar pessoas rumo a um lugar melhor onde se viver.</p>
<p>A Avaaz aderiu à Ficha Limpa durante o período crucial da aprovação na Câmara dos Deputados. “Ninguém achava que havia vontade política o suficiente para aprovar a lei, mas geramos a maior mobilização online já vista no Brasil e conseguimos pressionar os deputados continuamente ao longo de todo o processo, enviando mensagens, fazendo telefonemas e divulgando a campanha, com a participação e pressão popular de centenas de milhares de pessoas de todo o país”, conta.</p>
<p>Nascida em São Paulo, Graziela morou nos Estados Unidos por cinco anos, onde foi treinada em estratégia de campanha e trabalhou com ONGs que pressionavam o governo por políticas públicas na área de moradia, imigração, HIV e AIDS entre outros, e, hoje, reside no Rio de Janeiro.</p>
<p>A mobilizadora trabalha com campanhas há quase dez anos, foi a Coordenadora Geral do Comitê para Democratização da Informática Rio de Janeiro (CDI-RJ) e está na Avaaz há três anos e meio. Ainda assim, nem sempre ganha e nem sempre acreditaram que tudo isso seria possível. Leia a entrevista que Graziela concedeu à <strong>Tato </strong>e motive-se com a trajetória de uma mulher que se inspira no trabalho em equipe e age em coerência com o conceito de cidadania global.</p>
<p><strong>Tato: Corrupção e problemas políticos e humanitários estão cada dia mais banalizados. Como você procura tocar as pessoas para que elas não achem que essas situações são normais?</strong></p>
<p><strong>Graziela Tanaka: </strong>Exatamente. A corrupção e outros problemas só se perpetuam porque as pessoas de bem não sabem o que fazer ou como mudar a situação. A dinâmica de poder na sociedade permite que uma minoria controle e tome decisões sem representar a vontade ou os interesses da maioria. O nosso trabalho é inverter esta dinâmica e mostrar que há caminhos para representar a vontade da maioria e pressionar nossos governantes a nos representarem, em vez de apenas defenderem interesses particulares. Quando descobrimos este potencial, e estamos no caminho, a população se torna completamente empoderada de assumir o espaço político que lhe pertence.</p>
<p><strong>Com frequência temas políticos e sustentáveis invadem os TT Br. Alguns, ainda que cheguem ao topo do ranking não causam efeitos reais (além da popularização do tema, claro) como o #forasarney e, mais recentemente, o #chegadequeimadas. Qual é a linha que separa a ação virtual efetiva da facilidade de digitar algumas palavras para se sentir engajado? </strong></p>
<p>A grande diferença entre a Avaaz e estas campanhas espontâneas, é que temos uma equipe altamente profissional e qualificada que pensa a estratégia de impacto político do começo ao fim. Nossos alertas são diferentes de uma corrente de emails que ninguém sabe onde vai parar. Todas as nossas campanhas têm um compromisso de entregar a petição para o governo ou qualquer outro alvo, conseguir mídia, divulgar de forma efetiva e conseguir um resultado concreto. Divulgar e informar é importante, porém, esse não é o nosso objetivo final. Nosso objetivo final é gerar mudanças concretas na sociedade e ter um impacto político.</p>
<p><strong>Ser a única representante da Avaaz no Brasil exige uma postura de liderança muito forte. É preciso se masculinizar para ocupar esse papel? Você percebe mudanças no seu comportamento, nesse sentido, nesses três anos e meio à frente da ONG?</strong></p>
<p>De forma alguma. As mulheres conseguem articular e mediar relacionamentos, negociações, trabalhos de coalizão etc de forma muito efetiva, por isso, acho que até ajuda ter mais mulheres neste papel de mobilização política. Acredito que as pessoas estão tão acostumadas a sempre ver homens neste meio que, quando eles veem uma mulher, estão mais dispostas a escutar a ouvir o que temos para falar. Mas eu queria esclarecer que eu não estou à frente da Avaaz no Brasil. Somos uma equipe global e há diretores de campanhas definindo o direcionamento estratégico das campanhas aqui e coordenando todo o trabalho. Nós trabalhamos fortemente em equipe, eu não faço nada sozinha. Nós temos mulheres fortíssimas na equipe que trabalharam em zonas de guerra na África, Colômbia, Oriente Médio e outros lugares e elas são uma grande fonte de inspiração.</p>
<p><strong>Diariamente, ouvimos as pessoas reclamarem do próprio trabalho. Imagino que, no seu caso, seja totalmente diferente. Como é poder trabalhar exclusivamente com aquilo que você escolheu de coração?</strong></p>
<p>É maravilhoso. É um trabalho difícil que exige muita dedicação, mas ao mesmo tempo é um trabalho motivado por causas de grande valor. Diziam que eu era idealista por ser jovem, mas agora já estou fazendo este trabalho há quase dez anos, então, estou provando que é algo sério e profissional e acho que acabo inspirando outros jovens que querem dedicar as suas vidas a questões políticas e sociais que realmente importam. Há frustrações também, como a maneira como as mudanças climáticas estão sendo ignoradas pelos governantes ou observar injustiças, mundo afora. Emocionalmente nem sempre é fácil, especialmente convivendo com pessoas de outros países que vivem em situações terríveis. Mas o que me dá força é saber que estou fazendo algo significativo, algo do qual posso me orgulhar.</p>
<p><strong>O que te move?</strong></p>
<p>Nós temos quase seis milhões de membros, e recebemos muitas mensagens de motivação e encorajamento do mundo todo. É incrível quando recebemos um email de uma pessoa agradecendo o nosso esforço e a maneira como nós damos a oportunidade de todos se engajarem e terem um impacto concreto. Estamos gerando uma comunidade muito poderosa de pessoas politicamente engajadas e que passam a acreditar que o mundo tem uma solução. Acho que isto é só o começo e a Avaaz tem um potencial incrível: já somos reconhecidos por chefes de estado e pela mídia global. Nossa comunidade só vai crescer e ter um impacto e poder de influência cada vez maior.</p>
<p><strong>O que as pessoas perdem quando ignoram a cidadania global e o fato de que estamos todos interligados com todos e com o todo?</strong></p>
<p>Acho que é fácil ver os noticiários e pensar que o mundo vai de mal a pior. Mas as coisas só estão ruins porque pessoas de bem se omitem. Não é fácil assumir a sua responsabilidade individual sobre questões como pobreza, violência e meio ambiente. Assumir esse compromisso significa agir e ter uma postura condizente com os seus valores. Porém elas não veem o incrível potencial da mobilização coletiva e a recompensa e força pessoal que se ganha ao saber que você está fazendo algo significativo. Eu acho que fazer parte de algo maior, algo que está ajudando milhões de pessoas, é o ato mais valioso que uma pessoa pode fazer. Nem sempre é fácil e nem sempre ganhamos, mas pelo menos sabemos que há pessoas igualmente dispostas, comprometidas e éticas, em todo lugar do mundo.</p>

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		<title>Deborah Colker: inspiração</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Aug 2010 19:36:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thays Prado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Papo bom]]></category>
		<category><![CDATA[Voz]]></category>
		<category><![CDATA[bailarina]]></category>
		<category><![CDATA[cirque du soleil]]></category>
		<category><![CDATA[contemporâneo]]></category>
		<category><![CDATA[coreógrafa]]></category>
		<category><![CDATA[dança]]></category>
		<category><![CDATA[deborah colker]]></category>
		<category><![CDATA[inspiração]]></category>
		<category><![CDATA[paixão]]></category>

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		<description><![CDATA[Em entrevista ao blog Fatos e Dados, a coreógrafa e bailarina conta como tudo se transforma em fonte de inspiração e fala sobre as inseguranças de todo processo criativo]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
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			</a>
		</div>
<p><em><a href="http://www.maistato.com.br/wp-content/uploads/2010/08/colker1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-809" title="colker1" src="http://www.maistato.com.br/wp-content/uploads/2010/08/colker1.jpg" alt="" width="680" height="346" /></a><br />
Por Thays Prado</em></p>
<p>Quem já assistiu a uma montagem da <strong>coreógrafa e bailarina carioca, Deborah Colker</strong>, sabe que ali tem coração, tem alma. Não é à toa que ela foi a primeira mulher e brasileira a ser convidada a criar um show do <a href="http://www.cirquedusoleil.com/en/welcome.aspx?change-country-language=true" target="_blank"><strong>Cirque du Soleil</strong></a>. Batizado de <a href="http://www.cirquedusoleil.com/en/shows/ovo/default.aspx" target="_blank"><strong>Ovo</strong></a>, o espetáculo que tem como tema a vida dos insetos estreou em abril do ano passado, no Canadá, e deve rodar o mundo pelos próximos 15 anos.</p>
<p>No último dia 5, ela foi entrevistada pelo Blog Fatos e Dados, da Petrobras, que selecionou dez perguntas de leitores &#8211; inclusive uma minha. <strong>O que mais nos encanta é a paixão com que Deborah conduz todas as suas criações.</strong> Para ela, <strong>tudo se torna inspiração</strong>: a maneira como acordamos, como dormimos, o que comemos, o que sentimos, como nos divertimos e até a própria respiração são instrumentos de trabalho. &#8220;A arte é uma conexão com a vida, com a vida que a gente faz todo dia&#8221;. E o que poderia soar como <strong>a mesmice do cotidiano se transforma em experiências únicas no palco</strong>, compartilhadas com o público.</p>
<p>Mesmo com toda a sua experiência e sucesso, a coreógrafa confessa que, como todo mundo, a cada novo desafio, ela se depara com medo, insegurança e ansiedade. &#8220;Todos os trabalhos foram difíceis, intensos, apaixonados, sofridos. <strong>Cada vez que eu começo um processo de criação, parece que eu esqueci tudo o que eu fiz. Parece que eu não sei aonde é, como é, de que maneira fazer.</strong> É sempre difícil, e talvez cada vez até mais difícil, porque a gente não quer se repetir, a gente quer ser cada vez melhor, mais perfeito, mais harmônico, mais sensível, mais emocionado, mais delicado. Cada vez eu tenho mais palavras, e mais pensamentos e mais exigências&#8221;.</p>
<p>Ufa! Somos todas mais parecidas do que imaginamos&#8230;</p>
<p>Veja abaixo trechos da entrevista com Deborah Colker:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/fjc8asw270U?fs=1&amp;hl=en_US" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/fjc8asw270U?fs=1&amp;hl=en_US" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/mVvJoqMPo-o?fs=1&amp;hl=en_US" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/mVvJoqMPo-o?fs=1&amp;hl=en_US" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Você pode assistir à entrevista na íntegra do <a href="http://fatosedados.blogspetrobras.com.br/fatosedados/?cc=1&amp;p=27064" target="_blank"><strong>Blog Fatos e Dados</strong></a>.</p>

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		<title>Os desafios da liderança feminina</title>
		<link>http://www.maistato.com.br/2010/08/02/os-desafios-da-lideranca-feminina/</link>
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		<pubDate>Mon, 02 Aug 2010 12:37:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thays Prado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Papo bom]]></category>
		<category><![CDATA[cientista]]></category>
		<category><![CDATA[feminino]]></category>
		<category><![CDATA[liderança]]></category>
		<category><![CDATA[maria lucia ghirardi]]></category>
		<category><![CDATA[masculino]]></category>
		<category><![CDATA[mãe]]></category>

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		<description><![CDATA[A cientista-chefe da Escola do Colorado (EUA), Maria Lúcia Ghirardi, fala sobre os desafios femininos de conciliar vida pessoal e carreira e assumir posições de poder ]]></description>
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			</a>
		</div>
<p><a href="http://www.maistato.com.br/wp-content/uploads/2010/08/ghirardi1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-742" title="ghirardi1" src="http://www.maistato.com.br/wp-content/uploads/2010/08/ghirardi1.jpg" alt="" width="680" height="346" /></a><br />
<em>Por Thays Prado</em></p>
<p>Maria Lúcia Ghirardi, 57 anos, é cientista-chefe do Laboratório Nacional de Energias Renováveis, da Escola do Colorado, nos Estados Unidos. Filha de brasileiros, nasceu, por acaso, em Nova York, nos últimos dias de um longo estágio que seu pai fazia por lá.</p>
<p>Mais tarde, o acaso lhe foi útil. Quando cursava o quarto ano de Medicina, na USP, seu namorado decidiu fazer mestrado no Instituto Tecnológico de Massachussets (MIT). Na época, sentindo-se perdida quanto ao que fazer de sua vida profissional e tendo como única certeza o fato de que, embora gostasse muito da ciência, não levava jeito para cuidar de pacientes &#8211; porque sentia pena de suas dores -, casou-se e acompanhou o marido.</p>
<p>Estudou várias línguas, História, teve um filho, mudou-se para a Califórnia e decidiu focar seus estudos novamente na área de ciências. Percebeu um gosto especial pela fotossíntese, fez mestrado e doutorado.</p>
<p>Quando se separou, o ex-marido voltou ao Brasil e ela decidiu ficar nos Estados Unidos com o filho. Fez pós-doutorado em Washington, na área de Agricultura,  e um segundo pós-doutorado na Escola do Colorado. Lá se encantou pelos processos de conservação de energia e, desde 1995, trabalha com a produção de hidrogênio a partir de microalgas. Muita gente tem apostado em seu trabalho, afinal, pode estar aí a saída para um combustível não poluente no futuro.</p>
<p>Há um ano, foi nomeada cientista-chefe do Laboratório de Energias Renováveis e lidera um grupo de 25 pessoas. Maria Lúcia esteve no Brasil, recentemente, para falar sobre seu trabalho &#8211; era a sua terceira palestra em português. Aproveitamos para conversar com ela sobre sua vida pessoal e perguntar o que se pergunta a quase toda mulher bem sucedida: como é que você conseguiu chegar onde chegou, dando conta de tudo? Ela mostra que, de algum jeito, é possível.</p>
<p><strong>Você encontra algum tipo de preconceito no meio científico pelo fato de ser mulher?</strong></p>
<p><strong> </strong>Não sinto discriminação, mas, em geral, as cientistas, nos Estados Unidos, se dedicam mais à Biologia. Eu fui para a Biofísica, a Bioquímica e, nessas áreas exatas, há muito menos mulheres. É bom porque me sobressaio. Em outras áreas, em que há muitas mulheres, talvez eu fosse apenas mais uma. Mesmo no Brasil, na minha classe de Medicina, apenas 10% da turma eram mulheres e nós nunca nos sentimos diminuídas por isso.</p>
<p><strong>Como você conciliou a tarefa de ser mãe e cientista ao mesmo tempo?</strong></p>
<p>Tive muito suporte do meu marido, cuidávamos juntos do nosso filho. Em minha faculdade, também havia serviço de babás para os filhos dos alunos que já eram pais. Depois que me separei  - meu filho estava com 9 anos, ainda precisava muito de mim -, as coisas ficaram mais complicadas, apesar de que, nos Estados Unidos, há muito apoio para pais sozinhos. Este, para mim, foi o maior desafio: o balanço entre a vida pessoal e a profissional. É muito difícil fazer as duas coisas bem. E sozinha, tive várias conquistas a fazer.</p>
<p><strong>Acha que conseguiu encontrar esse equilíbrio?</strong></p>
<p>Acredito que nem sempre as escolhas que fiz foram as melhores. Meu filho passou muito tempo sozinho. Eu gostaria de ter tido mais tempo com ele, mas estava em começo de carreira e achava que precisava correr atrás de uma oportunidade de emprego permanente, de um pós-doutorado&#8230; Se pudesse voltar atrás, faria diferente.</p>
<p><strong>E você vê isso como um fato totalmente real ou tem aí aquela culpa de quase toda mãe?</strong></p>
<p><strong> </strong>A gente quer fazer tudo perfeitamente (risos). O lado bom é que ele se tornou independente muito cedo e logo já sabia tomar conta de si mesmo. Hoje, a gente conversa e ele diz que, realmente, eu poderia ter lhe dado mais atenção, mas que ele entende a situação. Boa parte do que eu sinto é culpa de mãe mesmo.</p>
<div id="_mcePaste">
<p><strong>O que poderia ser feito para aliviar essa carga materna?</strong></p>
</div>
<p>Eu não vejo melhoria possível sem repensar a divisão de trabalho e sem que haja o apoio da sociedade. A mulher acumulou muitas funções, mas vejo que os maridos têm mudado de atitude e assumido parte da responsabilidade, não tanto sobre a casa, mas, pelo menos, sobre os filhos. Conheço algumas famílias em que a mulher trabalha fora e o marido, em casa, para cuidar das crianças. Hoje também há muitas empresas que oferecem a possibilidade de a mulher trabalhar de casa. E tem várias creches com muita qualidade, com a vantagem de que as crianças aprendem a se socializar.</p>
<p><strong>Como é para você liderar um grupo de cientistas? Sente alguma diferença entre a maneira como as mulheres e os homens lideram?</strong></p>
<div id="_mcePaste">
<p>Estou gostando muito de ser mentora de cientistas mais jovens do que eu. É uma fase diferente da minha vida e está dando certo. Não sinto tanta diferença entre homens e mulheres quanto à ciência em si, mas em relação ao estilo de administração. Como mulher, tenho características mais femininas, trato os membros de minha equipe de um jeito mais pessoal e, até, mais emocional, e não acho ruim. Meu grupo tem muita mulher e várias delas já me disseram que se sentiram atraídas a trabalhar ali pelo fato de eu ser a chefe do grupo. Mas tenho tido que aprender a lidar de modo mais firme quando necessário, especialmente em relação aos homens. Isso me exigiu treinamento.</p>
</div>
<div id="_mcePaste">
<p><strong>Nessa tentativa de ser mais firme, muitas mulheres acabam se masculinizando quando assumem posições de poder. Como evitar isso?</strong></p>
</div>
<p>É verdade. As mulheres que ocupam cargos mais altos são, quase todas, mulheres bem firmes, não costumam demonstrar emoções. É claro que pode ser que elas ajam diferente nas relações individuais, mas, em público, assumem uma postura mais dura. Não é fácil, mas acredito que seja possível conciliar nossos aspectos yin e yang. E isso também depende muito da instituição, do grupo. Meu chefe anterior, por exemplo, não tinha esse toque pessoal no trato com a equipe, então, eles estão reagindo bem à minha liderança e me apoiam muito. Meus colegas sabem que sou humana, que tenho meus problemas pessoais, mas também não deixo que isso domine a conversa. Estou tentando.</p>

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		<item>
		<title>Feminino e masculino: a separação é ilusória</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Mar 2010 19:40:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vanessa</dc:creator>
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		<category><![CDATA[integração]]></category>
		<category><![CDATA[masculino]]></category>

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		<description><![CDATA[Monika fala do feminino de uma perspectiva própria, não como um complemento da polaridade masculina. Sinta a sutil diferença em suas palavras]]></description>
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<p><strong><a href="http://www.maistato.com.br/wp-content/uploads/2010/03/monica1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-350" title="monica1" src="http://www.maistato.com.br/wp-content/uploads/2010/03/monica1.jpg" alt="" width="680" height="346" /></a></strong><br />
<em>Por Thays Prado e Manoella Oliveira</em></p>
<p>A terapeuta Monika Von Koss tem sede de novidade. Desde que se formou em Psicologia, busca novas técnicas que auxiliem seus pacientes em consultório. Começou com a Psicanálise e, com o tempo, foi introduzindo trabalhos bioenergéticos e corporais de tradição tibetana e, mais tarde, também incorporou uma visão transpessoal e espiritualista. Em meio a tantas buscas, o tema do feminino lhe surgiu por acaso, num grupo de estudos sobre Consciência na comunidade de Nazaré, quando uma das integrantes trouxe, de um congresso na Costa Rica, o livro A Deusa Interior. Ali se abria um novo universo para ela e para tantas pessoas que se beneficiaram das palestras, workshops e grupos de estudo que ela montou sobre as deusas e o feminino. Desde então, Monika passou a devorar todos os livros e informações que encontrava pelo caminho. O fato de mesmo as mulheres abordarem o tema da feminilidade a partir de uma visão masculina sempre a incomodou. E então ela percebeu que precisava escrever sobre o assunto. Para ela, em uma cultura baseada na escrita como a nossa, o feminino só poderá ser reinserido em nossa sociedade dessa maneira. Monika entende o feminino de uma perspectiva feminina, não o considera um simples complemento ou contraparte da polaridade masculina. A diferença pode ser notada em suas palavras.</p>
<p><strong>Tato: Por que quando falamos sobre o feminino ainda o fazemos de uma perspectiva masculina?</strong><br />
<strong>Monika von Koss:</strong> A tradição do feminino é oral. As histórias eram contadas de uma pessoa para outra, de boca para ouvido e se transformavam dependendo do contexto. Quando se escreve, os conceitos se tornam fixos. Como os primeiros registros através da escrita já começam em um momento em que estávamos vivendo no masculino, tudo o que chegou até nós estava carregado pelo olhar do masculino. Quando leio livros escritos por mulheres reproduzindo uma visão masculina, me questiono em que medida elas também precisam entrar em contato com seu próprio feminino.</p>
<p><strong>O que você define por feminino e masculino?</strong></p>
<p>Enquanto o princípio masculino é o da linearidade, que embasa o raciocínio estruturado e hierárquico, o feminino é circular, ele enxerga a totalidade. Todos nós temos dois hemisférios no cérebro. O esquerdo, chamado de masculino, comanda o lado direito. Ele discrimina, classifica, separa e distingue as coisas. O hemisfério direito, feminino, comanda o lado esquerdo e vê a totalidade. Quando eu aprendo a ver a totalidade e os elementos que a compõem, ao mesmo tempo, estou no cérebro total, no campo do holográfico.</p>
<p>O feminino não tem nada a ver com ir ao cabeleireiro ou ser dócil, como as pessoas dizem. Isso é muito conveniente, mas não é nada disso. Kali, por exemplo, é a deusa que destrói o que precisa ser destruído. Existem várias deusas iradas. E todas essas qualidades pertencem também ao feminino. As pessoas dizem: os homens caçavam e as mulheres coletavam. Será? O grupo inteiro se deslocava por grandes áreas. As mulheres se deslocavam no ritmo das crianças, dos velhos e dos doentes, mas se elas ficassem na caverna esperando os homens voltarem para alimentar os filhos, todos morreriam de fome e nós não estaríamos aqui. Os mais jovens e fortes iam atrás das manadas, mas isso era esporádico. Tinha que se comer todo dia e as mulheres eram responsáveis por 80% da alimentação do grupo. Outra ideia é de que pelo fato de os homens serem caçadores eles eram mais agressivos. Sei&#8230; E as mulheres ficavam lá, coitadinhas? Claro que não. Elas eram tão robustas quanto eles e além de tudo, ainda tinham que ter força para gestar, parir, amamentar e carregar os filhos.</p>
<p><strong>Quando dizemos que o mundo construído pelo Patriarcado precisa resgatar os valores femininos, do que estamos falando exatamente? Seria um retorno ao Matriarcado?</strong></p>
<p>Eu não gosto da palavra Matriarcado, porque assim como o Patriarcado, implica no mando de uns sobre os outros. Eu prefiro a expressão &#8220;Matrístico&#8221;, usada por Maturana, que são as sociedades cujo centro era a mãe. Significa que na origem de tudo tem uma mãe, mas não quer dizer que ela domine. Mas não vivemos no tempo deles, apesar de haver registros disso em nossas células. Precisamos entrar em contato com essa essência e trazer as qualidades para a nossa vida diária. Muitas pessoas estudam o Feminino Sagrado e se esquecem que esse é também o nosso feminino cotidiano. O que define o feminino é um modo de perceber, de sentir, de conhecer e de estar no mundo. E sua grande qualidade é o reconhecimento de que tudo e todos têm valor. Com o masculino, desenvolvemos nossa individualidade, não somos mais apenas um coletivo, e ninguém vai abrir mão disso. Agora, precisamos criar uma comunidade de indivíduos em que cada um é honrado e respeitado e a participação de cada pessoa é reconhecida e valorizada. Isso é o que o feminino pode trazer. Como uma mãe que tem 17 filhos e cuida de cada um de acordo com as necessidades específicas de cada um. Porque os filhos não são todos iguais.</p>
<p><strong>Podemos dizer que estamos presenciando a reintegração do feminino e do masculino atualmente, nos movimentos feministas e ecológicos, por exemplo?</strong></p>
<p>O movimento ecológico está associado ao movimento feminista porque o raciocínio é o ecossistema, onde todos os elementos têm o mesmo valor. O masculino diz qual é o ser mais importante, o maior, enquanto o feminino entende que se tiramos um ser daquele ecossistema, muda tudo. Não precisamos excluir os olhares feminino e masculino, mas associá-los. Quando se fala de feminino e masculino, imediatamente, muitas pessoas associam esses conceitos a homem e mulher. Como sentir é do feminino e pensar é masculino, nggormalmente, faz-se a distinção equivocada de que as mulheres sentem e os homens pensam. E já que nossa sociedade separou pensar e sentir e deu mais importância ao primeiro, nos desequilibramos. Homens e mulheres precisam pensar amorosamente e amar sabiamente.</p>
<p><strong>Essa seria, então, a integração entre feminino e masculino?</strong></p>
<p>Em meu livro, Feminino Masculino, mostro que essa é uma dicotomia ilusória, porque ambos estão dentro de todos nós. Pense numa gestação, que é o universo da mulher por excelência. Por nove meses, passivamente, ela gesta um bebê e não há muito o que fazer, a mulher apenas deixa acontecer. Mas na hora de parir, ela tem que fazer força e entrar em ação. É o yin trabalhando internamente e o yang que externaliza. Todo mundo tem isso na vida.</p>
<p>Subindo uma dimensão, poderíamos traduzir essa polaridade de feminino e masculino por amor e verdade. O quanto de amor e o quanto de verdade há em uma situação? O amor conecta e a verdade separa, criando espaço para a individualidade. Se eu tenho excesso de verdade, tenho separatividade; se tenho excesso de amor, tenho grude, apego. Precisamos do equilíbrio.</p>
<p><strong>Tirando os aspectos culturais, existe algo que diferencia um homem de uma mulher?</strong></p>
<p>Se você está num corpo de mulher você está diferente do que se tivesse em um corpo de homem, não há a menor dúvida. A diferença básica é a constituição diferente do corpo de cada um. As mulheres são cíclicas, elas variam suas taxas hormonais ao longo do mês, e os homens têm um funcionamento mais linear. O mundo funciona a partir da perspectiva dos homens: todos os dias temos que trabalhar nas mesmas condições e as mulheres se adaptam.</p>
<p><strong>Seria correto dizer que as mulheres têm, naturalmente, uma habilidade maior para vivenciar o feminino e os homens o masculino?</strong></p>
<p>Eu diria que há uma facilidade resultante de milênios de prática. Não sei se a nossa alma é feminina ou masculina, mas em qualquer cultura, a linguagem para falar de alma é feminina. Enquanto o corpo teria uma polaridade mais masculina. De alguma forma, isso tem uma ressonância em nós. As pessoas têm uma frequência vibratória mais masculina ou mais feminina. Tem mulheres mais masculinas e homens mais femininos. As generalizações de que a mulher tem que ser assim e o homem tem que ser de outro jeito nos empobrecem. A primeira coisa que a gente vê numa pessoa é se ela é um homem ou uma mulher. Isso porque o nosso ego gosta de definir. Temos a ilusão de que se eu sei definir você, eu sei quem você é e estou no controle.</p>
<p><strong>Em um mundo com mais consciência, como seria a nova mulher?</strong></p>
<p>Eu acho que a gente precisa parar de pensar em como seria uma nova mulher e um novo homem. Porque, assim, a divisão continua. Como seria uma nova sociedade em que todas as pessoas tivessem valor por fazer parte dela? Haveria homens mais rústicos e mais sensíveis, mulheres mais agressivas e mais delicadas. Eu diria que o modo como uma mulher expressa uma força cósmica é diferente do modo como um homem expressa essa força cósmica, mas também é diferente do modo como outra mulher a expressa. Cada ser é único. O “somos todos um” não quer dizer que somos todos iguais. O ponto é como a gente pode reconhecer o valor único de cada pessoa, independentemente de sexo. Enquanto seres, enquanto almas, nós todos já encarnamos como homens e como mulheres. E isso é apenas uma forma transitória.</p>
<p>O que precisamos encontrar é um modo honroso de conviver, de mulheres entre si, de homens entre si e entre mulheres e homens. Temos que parar de olhar para o outro como objeto do meu desejo, como minha propriedade, em que eu cuido do meu filho e o filho da vizinha que se dane. Vamos olhar os nossos semelhantes como semelhantes. Esse é o feminino que está chegando. O princípio masculino não é negativo. O problema foi desqualificar e eliminar uma parte, o feminino, deixando o mundo unilateral. É isso o que precisa ser transformado. A totalidade não tem gênero.</p>

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		<title>Um sentido para Rizza</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Jan 2010 01:25:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Manoella</dc:creator>
				<category><![CDATA[Papo bom]]></category>
		<category><![CDATA[emoção]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[leitura corporal]]></category>

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		<description><![CDATA[A terapeuta corporal Rizza D’Ávila fala de espiritualidade, conta como as emoções influenciam o corpo físico e reflete sobre o sentido da vida.]]></description>
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<p><em><img class="aligncenter size-full wp-image-141" title="rizza_text1" src="http://www.maistato.com.br/wp-content/uploads/2010/01/rizza_text1.jpg" alt="rizza_text1" width="680" height="402" /></em></p>
<p><em>Por Manoella Oliveira e Thays Prado</p>
<p>Ela confia no universo e na própria intuição para escolher desde a roupa com que vai trabalhar até a trajetória de vida. Com a sabedoria adquirida em seus 50 anos e estampada nos cabelos completamente brancos, a terapeuta corporal Rizza D&#8217;Ávila nos fala de suas verdades e sente que ainda tem muito que aprender. Rizza foi à Itália descobrir a origem de seu nome e encontrou algo referente a arroz, mas prefere associá-lo ao riso. E foi sorrindo que ela nos recebeu para esta conversa.</em><strong> </strong></p>
<p><strong><img class="alignleft size-full wp-image-135" title="rizza_text2" src="http://www.maistato.com.br/wp-content/uploads/2010/01/rizza_text2.jpg" alt="rizza_text2" width="190" height="867" />Revista Tato: Como foi sua trajetória profissional?<br />
</strong><strong>Rizza:</strong> Sinto que as coisas foram acontecendo de forma coincidente. No primeiro ano de Psicologia, não entendi muito bem porque estava ali, mas resolvi terminar o curso.  Depois que saí da faculdade, comecei a trilhar meu caminho.  Depois de 11 anos de casada e dedicada aos filhos, resolvi me divorciar, o que foi um grande impulsionador para retomar minha profissão. Procurei alguns cursos e conheci a Leitura Corporal. Foi aí que me encontrei, porque o corpo sempre me fascinou de alguma forma. Tenho trabalhado nessa perspectiva há quase vinte anos.</p>
<p><strong>O que te chama a atenção na Leitura Corporal?<br />
</strong>A Psicologia tradicional tem um lado que é o de aprender a analisar e a interpretar, e esse movimento nem sempre me parece libertador. Na Leitura Corporal, entendemos que todas as emoções geram algum tipo de materialização no corpo físico, então toda doença é psicossomática. “Doença” vai desde virar um cílio do olho até fazer um câncer. Nós trabalhamos qualquer manifestação que o corpo demonstre: uma emoção que ficou pouco vista, vista de um jeito inadequado, não vista, negada&#8230;Partimos do físico para entender o sensorial e o sutil, e do sensorial e do sutil, para tratar o físico. Não existe uma via de mão única.</p>
<p><strong>Como é a sua relação com seus pacientes?<br />
</strong>Meu paciente é meu espelho, assim como sou o dele. Existe um movimento de troca. Não tenho a obrigação de não envolvimento. Claro que não tomo o tempo dos pacientes falando de mim <em>(risos)</em>. Utilizamos a massagem, porque acreditamos que trabalhando o corpo físico liberamos emoções e sentimentos que ficaram impregnados, ajudamos a abrir a psique do paciente, a liberar questões que estejam causando traumas e bloqueios. Trabalhamos também com o verbal, mas a grande possibilidade é o corpo. Claro que é preciso fazer sentido para o paciente, se não fizer, não é daquela direção que ele precisa para se cuidar.</p>
<p><strong>Como você vive sua espiritualidade hoje?<br />
</strong>Acredito que não encarnamos aleatoriamente, temos uma direção, que podemos chamar de destino ou algo assim. Se conseguirmos fazer a tradução do corpo físico, compreender por que um é loiro e outro é moreno, por que um tem olhos azuis e outro tem olhos pretos vamos dar para cada um uma direção. Cada um traz uma referência única e somente ele conhece determinado “segredinho”, que precisa ser compartilhado. Temos como missão desenvolver nosso processo de expressão e contar para cada um, ou para o mundo, aquilo a que viemos, para que possamos juntar os vários “segredinhos” e fazer uma realidade global mais ampla e construtiva. Estamos ligados uns aos outros, e cada um dos nossos semelhantes vai nos auxiliar a colocar nossa verdade de forma suave ou muito difícil.</p>
<p><strong>O que determina como será essa forma de expressão?<br />
</strong>Existe uma dinâmica estimulando os seres humanos do lado positivo e do lado negativo da vida. Como humanidade, não sabemos ler o nível de estimulação que estamos recebendo. O objetivo maior é a capacidade expressiva. Todos os seres vivos encarnados e até os inanimados têm uma vibração. Ao mesmo tempo em que eles são estímulos e carregam uma sabedoria, vêm para aprender com o outro. Por exemplo, as plantas sabem respirar, nós não sabemos. Nós liberamos gás carbônico na superfície da Terra, enquanto elas o transformam em oxigênio para nós. Os minerais nos contam que é possível ter uma forma perfeita sem sair do lugar. Os cristais têm uma vibração muito sensorial e movimentam o mundo. Essa é a vibração <em>yin</em>, a vibração do feminino. Podemos captá-la e utilizá-la para o desenvolvimento da nossa estrutura feminina, por isso, hoje muita gente faz cura através de cristais.</p>
<p><strong>É importante desenvolver uma espiritualidade?<br />
</strong>A espiritualidade está embutida em todos os processos que são realizados. Não consigo entender a vida sem esse movimento espiritual de reconhecimento de cada vibração que habita um indivíduo, um animal, uma planta, uma situação, uma atitude. As entidades dizem que precisamos desenvolver essa espiritualidade, que é sentir o universo, sentir quem eu sou, estar presente aqui e agora. Nós temos o compromisso de estar no presente e usar o passado e o futuro para nos movimentarmos. Quanto mais presença desenvolvemos, mais estamos desenvolvendo nosso corpo físico.</p>
<p><strong>Como você lida com essas entidades?<br />
</strong>São seres de vibração muito sutil que transitam conhecimento. Eu sou um dos canais que faz o processo de tradução do que chamamos de verdades cósmicas, vibrações que têm a ver com todos os seres humanos e com cada um de forma específica. Faço um movimento constante de contato com eles, estou sempre ouvindo e colocando o que ouço dentro do meu universo imediato. Procuro sentir no meu corpo vibrações minhas ou de pessoas ligadas a mim. Quando estou com meus pacientes, tento buscar esses movimentos das entidades, dos guias, dos anjos da guarda, para que eu possa conduzir aquela possibilidade de evolução da melhor forma possível. Mas eles só se manifestam na medida em que há permissão para isso, porque são respeitosos, generosos e não invasivos.</p>
<p><strong>Hoje você tem consciência de por que encarnou?<br />
</strong>Estou o tempo todo fazendo essa busca. Quem sou eu, o que eu quero, qual a contribuição posso dar. Por exemplo, tenho um tom de olho esverdeado. O olho é a janela da alma, e a alma tem o conhecimento do que viemos fazer nesta encarnação. O tom de olho verde diz que eu vim para aprender a me amar, a me priorizar. Em outras encarnações, eu devo ter feito mais movimentos para fora, para os outros. Meu corpo físico traz duas pintas em cima do coração, e isso é sinal de um bloqueio de afeto. O coração é um órgão que trabalha o amor por si. Tem a velha frase “Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”. A gente aprendeu a amar a Deus e ao outro, mas não aprendeu a se amar. Na medida em que eu desenvolver isso, terei condição de reconhecer em mim a trajetória que me é pedida.</p>
<p><strong>Você tem medo de morrer?<br />
</strong>Tenho. Tenho algumas memórias de morte, de vidas anteriores. Eu entendo que conseguimos filosofar sobre isso, mas para viver realmente o processo, seja com parentes próximos, ou imaginando a própria morte, ainda temos que evoluir muito. Os orientais já têm uma evolução maior nessa direção. Nós, ocidentais, ainda somos muito apegados a essa vida materializada. As entidades ensinam, falam que o procedimento de morte é mais libertador que o de nascimento. A morte amplia o indivíduo, você faz um movimento de expansão, mas para nascer, é preciso fazer um movimento de retração. Além de tudo, nunca ficamos sozinhos no universo, é como se caíssemos direto nos braços de nossa família cósmica. Ninguém morre para ser castigado. A morte sempre vem como uma possibilidade de evolução.</p>
<p><strong>O que você espera para seus próximos anos de vida?<br />
</strong>Espero amadurecer, poder compartilhar, não apenas com um companheiro, mas com uma comunidade, junto com meus filhos, netos, bisnetos. O processo de aprendizado é o que eu mais valorizo. Eu tenho metas, vontades, projetos, mas eu não quero congelá-los, quero ir sentindo e vivendo de uma forma cada vez mais ampla. Hoje eu tenho um consultório todo estruturado, amanhã pode ser que seja diferente. Aliás, todo o planeta está passando por uma mudança.</p>
<p><strong>Que mudança?<br />
</strong>A Terra está fazendo a correção de seu eixo em relação aos outros planetas e, com isso, devemos passar por mudanças muito grandes, como vem acontecendo nos últimos dez anos. Não acredito que estejamos destruindo por destruir. Existe todo um processo que não compreendemos ainda. O caos tem uma explicação, tem uma harmonia. O que gera tanta violência?  O que significa violência na vida? Você estar com fome e não parar de trabalhar para comer, não buscar um agasalho quando está com frio, suportar as coisas como a gente faz. São pequenas violências que alimentam as grandes violências que estão lá fora. A energia vai continuar a mesma até aquela figura ver a violência que existe dentro dela. E isso pode demorar séculos, como tem demorado. À medida que eu foco minha própria violência, estou contribuindo para a paz, que se inicia no micro para se reverberar no macro.</p>
<p><strong>Qual é a sua verdade que você quer deixar quando for para um outro plano?<br />
</strong>Muitos de nós ainda morrem do coração, que é o órgão do amor próprio. Claro que o outro é importante, o outro é 50% do nosso caminho, mas se a gente não aprender a fazer os 50% que são nossos, nosso coração vai fazer um enfarto e nos tirar a possibilidade da experimentação da encarnação. A experiência encarnatória é profunda e não há a necessidade de sofrimento, de um modo geral, isso é só um condicionamento. A idéia de se viver com prazer é o que nos liberta. É muito bom estar vivo. Minha missão, pelo que consigo entender, é divulgar essa experiência de ampliação e de contato comigo mesma para que eu possa ter contato também com o outro. É aprender a me cuidar, a ficar comigo, a gostar de mim. Isso me faria feliz.</p>
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