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	<title>tato &#187; Umbigo</title>
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	<description>um sentido para o feminino</description>
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		<title>Pelo direito de nascer de parto normal</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Dec 2010 12:00:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thays Prado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Umbigo]]></category>
		<category><![CDATA[parto humanizado]]></category>
		<category><![CDATA[parto normal]]></category>
		<category><![CDATA[suely carvalho]]></category>
		<category><![CDATA[tedx amazonia]]></category>

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		<description><![CDATA[Segundo a parteira Suely Carvalho, a maneira como o parto é realizado interfere diretamente na saúde integral e na capacidade de convívio social de cada um de nós]]></description>
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Imagem: Vanessa Siqueira</em></p>
<p>A parteira Suely Carvalho iniciou sua apresentação no TEDx Amazônia &#8211; evento que reuniu cerca de 50 palestrantes e uma audiência de mais de 400 pessoas em Manaus, nos dias 6 e 7 de novembro &#8211; reverenciando sua bisavó e sua avó, que eram parteiras, sua mãe, que a teve com 18 anos, de parto normal, e também suas filhas, netas e bisnetas.</p>
<p>Para ela, é preciso honrar nossas ancestrais e reconhecer a sacralidade do corpo feminino, afinal, o útero é a matriz da humanidade. Por isso, Suely é uma grande defensora do parto natural humanizado e critica as intervenções desnecessárias propostas pela medicina ocidental.</p>
<p>Ela conheceu de perto a realidade dos hospitais, no tempo em que foi enfermeira em maternidade, mas, há 35 anos, optou por se tornar parteira e ajudar as mulheres a se apropriarem de seu próprio corpo e cumprirem o seu papel sagrado e intransferível.</p>
<p>Suely conta que, segundo a Organização Mundial de Saúde, cerca de 90% dos partos têm total condição de acontecer de forma natural, sem intervenção médica, se forem dados à mulher a preparação, o tempo e o apoio necessários. &#8220;O parto continua igual, como era há milênios&#8221;, observa. Atualmente, as 60 mil parteiras em atividade no Brasil, que realizam aproximadamente 350 mil partos por ano fora dos hospitais, comprovam a teoria.</p>
<p>Com base em estudos científicos e observação empírica de décadas, Suely afirma que a maneira como o parto é realizado interfere diretamente na saúde integral e na capacidade de convívio em sociedade de cada um de nós. &#8220;Depois, gasta-se tempo e dinheiro para consertar coisas que poderiam ter sido evitadas no passado&#8221;, alerta.</p>
<p>Na ONG Cais do Parto, em Olinda, Pernambuco, fundada em 1990, a parteira capacita mulheres do Norte e do Nordeste para executar esse ofício e luta para que todo ser humano tenha a chance de nascer de parto normal. &#8220;Desejo que todas as pessoas cheguem neste mundo com condições iguais, para que tenham capacidades iguais de desenvolver o seu máximo potencial&#8221;.</p>
<p>Entre uma conversa e outra, durante o TEDx Amazônia, ela nos concedeu esta entrevista.</p>
<p><strong>Quais são os benefícios do parto normal?</strong><br />
No momento em que o bebê está passando pelo canal vaginal, ele está fazendo um esforço para chegar à vida, está contribuindo com a mãe dele para esse parto. Ao mesmo tempo, ele está recebendo uma carga de hormônios que vai ajudá-lo muito a reagir a esse novo mundo. Além disso, normalmente, o bebê vem de cabecinha e, como os ossos do crânio não estão consolidados, seus neurônios recebem um estímulo muito importante e profundo no momento da passagem.</p>
<p>Contrariando o que alguns cientistas da obstetrícia dizem, que é uma coisa traumática, o parto é, na verdade, uma forma de fortalecer e de consolidar o sentido de segurança para a criança, para essa pessoa. Eu prefiro chamar de pessoa, que é para todo mundo entender melhor que o que nós somos hoje é, em grande parte, reflexo do que tivemos ou fizemos no momento do nosso nascimento.</p>
<p><strong>De que maneira o parto humanizado pode gerar condições melhores de desenvolvimento para o ser humano?</strong><br />
Sem dúvida nenhuma, nascer de parto natural, sem intervenções, sem pressões, e com segurança, com afeto, num ambiente tranquilo e respeitoso, faz com que as crianças nasçam vitoriosas. Elas já têm, em seu primeiro momento de vida, o registro de uma grande vitória. Elas conseguiram nascer, elas foram vitoriosas nesse rito de passagem e essa sensação de energia e de vitalidade, vai durar por muitos anos.</p>
<p>Essas pessoas terão mais equilíbrio nos relacionamentos sociais, serão mais tranquilas para suas tomadas de decisão porque, para elas, o desafio de nascer foi vencido e o que vem depois é uma complementação do que já começaram ao nascer.</p>
<p><strong>Você acredita que nossa sociedade é reflexo da maneira como os partos têm sido feitos atualmente?</strong><br />
O que temos, hoje, em nossa sociedade são muitas pessoas doentes, que precisam curar esse trauma de um nascimento que foi feito de maneira desrespeitosa, agressiva e até violenta. Essas pessoas têm mais dificuldade nos relacionamentos, em se estabelecer socialmente, são ansiosas, alérgicas, muitas têm disritmia, dislexia, e até convulsões por conta de um parto mal conduzido.</p>
<p><strong>É verdade que a maioria das mulheres têm condições de ter um parto natural? </strong><br />
O parto é absolutamente fisiológico. Desde que a mulher tenha boa saúde, e isso tenha sido constatado durante a gravidez, no acompanhamento do pré-natal, e o bebê esteja bem posicionado dentro do ventre, é só deixar que a natureza se manifeste, não precisa fazer mais nada.</p>
<p>É importante explicar para a mulher que o parto natural é possível e que ela é capaz. E ela, com a sua autoestima, numa atitude de autoconfiança, vai conseguir realizar essa tarefa que é intransferível.</p>
<p><strong>Quais são as vantagens do parto natural para a mulher?</strong><br />
As mulheres que conseguem confiar no seu próprio corpo, na sua natureza feminina, têm uma atividade sexual muito mais prazerosa e saudavel, têm mais paciência e confiança para cuidar da criança e para educá-la, principalmente nos seus primeiros anos de vida. São mulheres mais saudáveis em todos os aspectos e que têm muito menos problemas quando chegam à menopausa. Além disso, elas vão estimular outras mulheres a terem essa mesma experiência.<br />
<strong><br />
A presença do pai é importante para a realização do parto natural?</strong><br />
É fundamental. Nós temos um hormônio do prazer, chamado de feromônio, que é estimulado através do cheiro. Quando a mulher e o homem estão concebendo esse novo ser, uma memória fica gravada em nossas células e nas do bebê, mas principalmente no corpo da mulher. Fica gravado o cheiro e o prazer desse momento. Nove meses depois, quando esse ciclo está se encerrando, o ideal é que se os pais iniciaram juntos esse ciclo, que eles concluam juntos.</p>
<p>Na hora do parto, é importante para a mulher ser amparada e prestigiada na sua grande tarefa de parir. Ela se abraça com ele e sente o toque dele, o corpo dele junto do dela, o cheiro do homem dela e ele a ajuda, amparando, fazendo massagem. É coisa de macho e fêmea, é inerente a nosso estado primitivo animal e podemos usar isso a nosso favor.</p>
<p>E quando o parto é em casa, a parteira precisa muito do trabalho do homem, porque muitas coisas precisam ser feitas e a força masculina ajuda. Por exemplo, em alguns casos, a mulher fica sentada nas pernas do companheiro e ele serve de banquinho de parto.</p>
<p>Naquele momento, ele segura a mulher embaixo dos seios e eles estão tão colados que, quando ela faz força, ele faz força junto, e na hora que ela relaxa, ele também relaxa. Ele está com a mão apoiada na barriga dela e sente quando a contração começa. De repente, existe ali uma simbiose quase inexplicável, é um milagre.</p>
<p><strong>Qual é exatamente o papel do feromônio no momento do parto?</strong><br />
O cheiro do corpo do homem com quem aquela mulher iniciou um ciclo, nove meses antes, chega no cérebro e acessa a memória do momento da concepção e ela se sente segura, se sente amparada, num momento de amor, de carinho, de prazer e ela relaxa. E quando ela relaxa o parto acontece.</p>
<p>No interior do Brasil, as parteiras tradicionais, mesmo sem conhecer nada sobre feromônios, usam essa sabedoria com muita propriedade. É que no interior, os homens são pescadores, construtores ou agricultores e, normalmente, têm uma roupa que usam todos os dias para ir trabalho. Aquela roupa não é lavada nunca, uma calça e uma camisa. Eles vestem de manhã, trabalham o dia todo e penduram no prego atrás da porta no final do dia. Na manhã seguinte, vestem a mesma roupa, até ela acabar.</p>
<p>Quando o trabalho de parto está demorando um pouco e a parteira percebe que a mulher é que está segurando, prendendo essa evolução normal, ela pega essa camisa usada do homem, vira do avesso e veste na mulher. O resultado é imediato. Dali a pouco ela está fazendo força e o bebê nasce.</p>
<p>Também é importante para a história de vida do bebê saber que o pai dele esteve junto na hora em que ele nasceu. Eles vão poder contar para o filho uma história muito linda da sua chegada nesta vida.</p>
<p>O parto normal é uma recepção que registra no ser humano uma marca de amor. É uma forma de amar com as entranhas, com o útero, com o nosso próprio leite. Para mim, é um gesto divino de amor, o mais surpreendente que a gente conhece.</p>

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		<title>Deixe seu bebê mamar</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Aug 2010 13:55:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thays Prado</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A OMS comemora a Semana Mundial de Aleitamento Materno em mais de 170 países. Amamentar pode evitar a morte de 1,5 milhão de crianças por ano. Defenda essa causa! ]]></description>
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			</a>
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<p><em><a href="http://www.maistato.com.br/wp-content/uploads/2010/08/mamar1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-765" title="mamar1" src="http://www.maistato.com.br/wp-content/uploads/2010/08/mamar1.jpg" alt="" width="680" height="346" /></a>Por Thays Prado<br />
</em><br />
De 1 a 7 de agosto, a <strong>Organização Mundial de Saúde (OMS) comemora a Semana Mundial de Aleitamento Materno</strong> em mais de 170 países. A orientação do órgão é que o bebê comece a mamar no peito logo após o nascimento, tenha o leite materno como seu alimento exclusivo até os seis meses de idade e continue a ser amamentado até os dois anos, recebendo também alimentos sólidos. Isso porque uma nutrição adequada nos primeiros dois anos de vida de uma criança é particularmente importante para evitar a mortalidade, reduzir o risco de doenças crônicas e melhorar seu desenvolvimento geral.</p>
<p>Amamentar é muito saudável tanto para o bebê quanto para a mãe. A própria OMS diz que <strong>o leite materno poderia evitar, anualmente, a morte de 1 milhão e meio de crianças de até 5 anos de idade</strong>, pois contém todos os nutrientes de que elas precisam e os antibióticos naturais que protegem o recém-nascido de infecções, alergias, pneumonia e diarreia &#8211; <strong>a subnutrição infantil pode ser a causa de 35% das doenças que acometem os pequenos</strong>. Nas mamães, a amamentação ajuda a combater diabetes tipo 2 e pressão alta e previne câncer de mama e de ovário.</p>
<p>Ainda assim, <strong>apenas 35% dos bebês que nascem hoje, no mundo, são amamentados exclusivamente no peito até os seis meses</strong>. Por isso, a OMS e o Unicef têm os &#8220;Dez passos para uma amamentação bem sucedida&#8221; que já são utilizados em maternidades de mais de 150 países e incluem:</p>
<p>- Ter uma política de aleitamento escrita que seja comunicada a todo os profissionais de saúde;<br />
- Treinar todos os funcionários para implementar essa política;<br />
- Informar todas as mulheres grávidas sobre os benefícios e o processo de amamentação;<br />
- Ajudar as mães a iniciar o aleitamento dentro de até meia hora após o nascimento;<br />
- Mostrar às mães como amamentar e como manter a produção de leite mesmo se forem separadas de seus bebês;<br />
- Não dar alimento ou bebida ao recém-nascido que não seja o leite materno, a menos que haja indicação médica para isso;<br />
- Permitir que mães e bebês permaneçam juntos 24 horas por dia;<br />
- Encorajar a amamentação sempre que o bebê estiver com fome;<br />
- Não oferecer bicos artificiais ou chupetas para os lactentes;<br />
- Promover a criação de grupos de apoio à amamentação e encaminhar as mães a eles após a alta do hospital ou da clínica.</p>
<p><strong>Mesmo sob circunstâncias críticas, o aleitamento é, quase sempre, a opção mais recomendada para alimentar as crianças</strong> &#8211; ainda que elas estejam sob os cuidados de assistência social ou mesmo que suas mães possuam deficiências físicas e mentais, estejam na prisão, tenham abusado de álcool e drogas ou sejam portadoras de HIV. Com as intervenções de drogas antiretrovirais em mães soropositivas e em seus bebês, o risco de transmissão do vírus para os pequenos pelo leite materno é de 1% a 2%, e pode ser muito inferior ao risco de mortalidade pela falta de amamentação.</p>
<p>Amamente seu bebê, esse é um direito seu e dele. E defenda essa causa.</p>

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		<title>Seu colo de mãe</title>
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		<pubDate>Sun, 09 May 2010 21:14:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thays Prado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Umbigo]]></category>
		<category><![CDATA[amor materno]]></category>
		<category><![CDATA[criança interior]]></category>
		<category><![CDATA[dia das mães]]></category>
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		<category><![CDATA[mãe interna]]></category>

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		<description><![CDATA[Neste domingo, honremos nossas mães pelo que puderam nos oferecer em termos de amor e botemos, nós mesmos, nossa criança interior no colo]]></description>
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<p><em><a href="http://www.maistato.com.br/wp-content/uploads/2010/05/mae1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-600" title="mae1" src="http://www.maistato.com.br/wp-content/uploads/2010/05/mae1.jpg" alt="" width="680" height="346" /></a></em></p>
<h6 style="text-align: right;">imagem: <a href="http://www.worldphotographyawards.org/" target="_blank">sony world photography awards 2008</a></h6>
<p><em>Por Thays Prado</em></p>
<p>De vez em quando eu sinto falta de mãe. E vejo que com a maioria dos adultos que conheço não é diferente. Se boa parte das crianças tem, de fato, a figura materna por perto e os adolescentes, em sua busca desenfreada por identidade, aparentemente, querem se ver livres dela, <strong>nós, adultos, nos sentimos meio órfãos</strong>. Vez ou outra, bate aquela vontade de ter um colo aconchegante, um afago no cabelo, um olhar atento, um conselho, uma alegria verdadeira por cada conquista nossa, um abraço forte e um sorriso manso que dizem, em silêncio, que tudo vai terminar bem.</p>
<p>Muitos de nós já não podem ter isso da própria mãe &#8211; porque ela se foi, porque mora longe, ou mesmo porque ela não sabe como fazê-lo (muito provavelmente, por também nunca ter recebido nada disso de ninguém). No entanto, a maioria de nós não se dá conta de que, <strong>como adultos, temos a capacidade de exercer essa função materna para nós mesmos</strong>. &#8220;O impulso para maternar independe da maternidade biológica, como bem o demonstram mulheres e homens que dedicam sua vida a cuidar de outros, independentemente de serem crianças ou seus filhos biológicos. <strong>Em condições normais, o amor materno é uma emoção resistente e teimosa, que pode ser expressa por todo ser humano</strong>&#8220;, escreve a terapeuta Mokika von Koss, em seu artigo &#8220;<a href="http://www.monikavonkoss.com.br/site/indice-de-artigos/142-matriz-mae-maternidade" target="_blank"><strong>Matriz, mãe, maternidade</strong></a>&#8220;.</p>
<p>Em um outro texto, &#8220;<a href="http://www.monikavonkoss.com.br/site/indice-de-artigos/134-a-crianca-como-ponto-de-partida" target="_blank"><strong>A criança como ponto de partida</strong></a>&#8220;, ela diz que <strong>nossa criança interior ferida precisa de uma mãe para crescer</strong>, mas, &#8220;depois que nos tornamos adultos, nenhuma pessoa poderá preencher esta função, porque ninguém terá acesso à nossa criança, a não ser nós mesmos&#8221;. <strong>A solução está em encontrar nossa &#8220;mãe interna&#8221;, algo dentro de nós que se disponha a nos amar por inteiro</strong>. &#8220;Quando começamos a nos amar incondicionalmente, a nos aceitar como somos, sem restrições, a escolher situações que reforçam nosso valor como pessoa, então ativamos nossa mãe interna e podemos começar a recuperar nossa confiança na vida. Começamos a perceber as coisas belas e alegres, as possibilidades que se descortinam diante de nós a cada dia. Começamos a mobilizar os recursos que ficaram guardados, enriquecendo nossa vida em todos os sentidos. Começamos a nos relacionar de forma mais saudável, mais amadurecida, mais satisfatória, respeitando não apenas os nossos próprios limites, mas igualmente os limites das outras pessoas&#8221;, afirma Monika.</p>
<p>Nesse exercício constante de amor, ela recomenda <strong>que nossa mãe interna acolha todas as nossas partes, especialmente as que não gostamos e costumamos deixar de lado, esquecidas</strong>. &#8220;Enquanto você materna a si mesma, você estará maternando a humanidade&#8221;, diz.</p>
<p>Por isso, neste domingo, honremos nossas mães pelo que puderam nos oferecer, seja isso, em nosso julgamento, muito, médio, pouco ou bem diferente do que esperávamos. E botemos nossa criança interior no colo.</p>
<p>Um feliz dia para todas as mães internas deste planeta!<br />
<strong><br />
Leia também<br />
<a href="http://www.maistato.com.br/2009/12/08/simplesmente-amor/" target="_blank">Simplesmente amor: uma tentativa de desmistificar as inúmeras exigências sobre o &#8220;amor de mãe&#8221;</a></strong></p>

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		<title>Simplesmente amor</title>
		<link>http://www.maistato.com.br/2009/12/08/simplesmente-amor/</link>
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		<pubDate>Tue, 08 Dec 2009 17:39:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thays Prado</dc:creator>
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		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[maternidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Dizem que amor de mãe é ilimitado, incondicional e único. Ninguém ama tanto quanto elas. Mas será que apenas as mães têm o privilégio de senti-lo?]]></description>
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			</a>
		</div>
<p><img class="size-full wp-image-63 alignleft" title="simplesmente_text1" src="http://www.maistato.com.br/wp-content/uploads/2009/12/simplesmente_text1.jpg" alt="simplesmente_text1" width="680" height="280" /></p>
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<p style="text-align: left;"><em>Por Thays Prado</em></p>
<p>Dizem que amor de mãe é incondicional, que não tem limites, que mãe é mãe, que mãe só tem uma, que ninguém ama tanto quanto mãe e, claro, que ser mãe é padecer no paraíso. Não tenho experiência própria no assunto, mas imagino que deva ser muito difícil conviver com todas essas exigências – feitas pelos filhos, pelos pais, por outras mães, pela maioria de nós.</p>
<p>Além de se descobrir grávida, de saber que a vida vai mudar de maneira radical, que o corpo está se transformando e que agora se é responsável pela existência de um outro ser que ainda nem conhece, cobram que a gravidez seja um mecanismo que descarrega os melhores sentimentos no corpo da mulher – evidentemente casada – e que o parto seja o auge da glória, a consagração do amor eterno entre mãe e filho.</p>
<p>Repito: não tenho experiência nisso; mas olhando mais de perto e procurando não se deixar levar pelos preconceitos sociais, qualquer um é capaz de perceber que, quando se trata de gente, não há regras. Há amor, mas também há raiva, há carinho e impaciência, doação e egoísmo, preguiça, medo, alegria, dor. Porque ser mãe não exclui, absolutamente, o fato de ser humana.<strong> </strong></p>
<p><strong><img class="size-full wp-image-64 alignleft" title="simplesmente_text2" src="http://www.maistato.com.br/wp-content/uploads/2009/12/simplesmente_text2.jpg" alt="simplesmente_text2" width="160" height="680" />HORMÔNIO DO AMOR?<br />
</strong>Para o psiquiatra e escritor José Ângelo Gaiarsa é inegável que exista uma ligação natural entre mães e filhos. “Filhote sem mãe, na natureza, não dura nada. Ela é o eixo da espécie. Não duvido que algo disso exista na fêmea-mulher. É difícil distinguir o que é amor materno instintivo, convenção social, ou costume de cada família”. Mas a natureza favorece a criação desse elo desde o nascimento do bebê.</p>
<p>Gaiarsa afirma que a Medicina tem feito observações sobre a ocitocina, produzida pela mulher para facilitar as contrações do útero, e acredita que esse é o hormônio do amor entre mãe e filho. O psiquiatra defende que um dos grandes crimes do mundo moderno e das maternidades é a separação dos dois após o parto. “Vários animais se reproduzem em enormes multidões. Quando a mãe sai para buscar comida, como acha o filhote naquela bagunça? Se você separá-los durante uma ou duas horas depois do nascimento, ‘tchau e bênção’, eles não vão se achar nunca mais. Eu diria às mães que jamais permitam que façam isso com elas. Não se pode ignorar esses fatos, é questão de cheiro e de presença. O elo básico entre mães e filhos se faz imediatamente após o parto”.</p>
<p>Obviamente, não basta aplicar uma injeção de ocitocina na mulher para que ela se apaixone pela criança, mas o psiquiatra brinca que até não seria uma má idéia. Ele diz que a crença de que toda mulher quer ou pode exercer a maternidade precisa ser posta à prova e que, em todas as espécies, há algumas fêmeas que jamais deveriam ser mães. Uma das alternativas, que é também um projeto pessoal de Gaiarsa, seria a existência de uma “escola de família”. “Ninguém teria o direito de ter filhos sem passar por uma formação específica e fazer alguns testes para ver se tem capacidade, gosto, paciência e jeito. Isso seria para o bem da própria mãe, porque crianças são fascinantes, super lindas, encantadoras. Se se dispuser a aprender com elas, você refaz sua vida, mas se a mãe não se entender com o filho, é diabólico, eles se torturam reciprocamente”.</p>
<p>O psiquiatra também discute a afirmação consensual de que toda criança precisa de uma ligação forte com a mãe e um ambiente familiar tradicionalmente estruturado para se sentir segura no mundo. Ele acredita que a vida das mães e a própria constituição da família são tão variadas atualmente, que talvez fosse melhor pensar em uma nova forma de organização. “Por que não arrumar várias mães para um filho? Eu digo que quanto mais pessoas adultas e que gostem de crianças estiverem por perto, melhor. A desgraça da família, consagrada por Freud no Complexo de Édipo, é uma mãe só para cada filho. É uma ligação muito amarrada, muito densa, muito excessiva entre duas pessoas”.</p>
<p><strong>RELATOS<br />
</strong><strong>Luzimar</strong> <strong>Marcelino</strong> casou-se aos 24 anos, engravidou um mês depois. “Primeiro a gente se apaixona pela idéia de ser mãe e vai sentindo: ‘olha que poder o meu, que coisa linda’. Ao mesmo tempo, eu pensava: ‘Meu Deus, o que eu vou fazer com essa coisinha?’”. Hoje, Maria Carolina tem 22 anos e, no ano passado, ganhou um irmão. Luzimar e o marido estavam há três anos em uma fila de espera para adoção, quando receberam um telefonema para buscarem o bebê.</p>
<p>Antes de Luzimar vê-lo, a assistente social informou que o ele era negro e ela não precisava ficar se não gostasse. Ela não estava preocupada com isso: “Não estou fazendo uma compra, como não vou gostar? E aí ele te olha e você tem a certeza de que é seu, nasceu para você. É amor à primeira vista”. Ela diz que sentiu os mesmos medos de quando teve a filha e se perguntava se ia conseguir correr atrás do menino, ou se seria capaz de cuidar dele. No primeiro banho, teve a confirmação de algo que o coração já sabia: “Vi que Henrique tinha uma manchinha na perna igual à minha e à da Carol. Não tinha o que discutir, era meu filho”.</p>
<p>Aos 48 anos, Luzimar tem tranquilidade para dizer: “Às vezes, sinto raiva da minha filha, fico chateada, acho alguns defeitos dela horríveis. Ela também deve sentir isso em relação a mim. Até hoje, ela acha que pode falar tudo o que a chateia em relação a mim e dizer ‘eu sou sua filha’”. Henrique ainda não aborreceu a mãe, ainda assim, ela sabe que os questionamentos vão surgir. “Será que devia ter tido filhos? Será que era esse o filho que eu queria?” E se isso já gerou culpa na mãe de primeira viagem, hoje é encarado como um direito de Luzimar, como ser humano, de expressar o que sente.</p>
<p><strong>Cristiane Seabra</strong>, 34<strong>, </strong>estava saindo com uma pessoa, “deu uma vacilada” e ficou grávida. “Quando descobri achei um horror. Tinha uma vida tranquila, sem filhos, morando com a mãe e, de repente, existia uma pessoa completamente dependente de mim”. Ela conta que o que “pegou” foi o fato de não ter tido um filho com alguém que amava. Além disso, ficar em casa o dia todo, por conta de um bebê, e dormir pouco e picado, foram motivos de irritação.</p>
<p>Ela pôde contar com o apoio da mãe, e com uma enfermeira e uma babá nos primeiros meses. Mesmo assim, no começo foi difícil para a moça trocar tantas fraldas ou distinguir o que era um choro de dor de barriga, de ouvido ou de garganta. Ela se perguntou muitas vezes: “Tudo ele? E eu? Cadê minha vida, o que eu fui fazer com a minha vida? Mas depois a gente se acostuma”. Hoje, “Dudu” consegue expressar melhor para a mãe os seus desejos, mas a fase das birras começou.</p>
<p>Cristiane faz questão de almoçar com o filho, já que trabalha perto de casa, mas se sente culpada por ficar dois horários fora, porque o desenvolvimento da criança passa rápido e ela pode perder muita coisa. Ela tem vontade de ter outro filho e acha que “deve ser mais tranqüilo, a gente deve aprender a amar mais rápido. Mas sem casar, nunca mais”. Mesmo com todas as dificuldades de adaptação à nova vida, para ela, ser mãe “é tudo de bom, é um pedacinho seu que tem aí fora, é muito gostoso quando a criança te chama de ‘mamãe’ e começa a apresentar traços físicos e da personalidade que você sabe que são seus. Só tendo mesmo pra saber”.</p>
<p><strong>Geraldo Silva</strong>*, 43, tinha clara em sua cabeça a divisão entre o que era responsabilidade de mãe e de pai. “Papel de mãe seria dar carinho e amor, cuidar. O de pai, prover os valores materiais. Existe sentimento de pai, mas a gente não consegue igualar ao da mãe”. Há três anos, sua mulher foi embora para os Estados Unidos e deixou a filha de 12 para ele cuidar. Passado o desespero inicial, o garçom assumiu as tarefas domésticas, arrumou um segundo emprego e acabou descobrindo o grande amor que sentia pela filha.</p>
<p>“Procuro entender o que uma mãe dá a um filho e representar isso para ela”. Geraldo diz que conseguiu construir uma relação de confiança com a adolescente, mas às vezes se pergunta por que precisa criá-la sozinho e critica a atitude da ex-esposa. “Abandonar um filho por valores materiais é imperdoável. Criar por telefone é muito fácil”. Ele pretende encontrar uma mulher com quem possa viver, mas ainda tem medo de magoar a filha com isso e prefere esperar que ela complete 18 anos. Geraldo se preocupa com a garota o tempo todo e quer dar à filha tudo o que não pôde ter. “Não me acho bonzinho, esse é o meu papel de pai mesmo”.</p>
<p><strong>Tatiana Peixoto*,</strong> 22, não sabe se a falha foi dela ou da pílula, mas o fato é que a descoberta da gravidez a assustou. Envolvida em um relacionamento instável, sem emprego fixo e apavorada com a provável reação da mãe, viu no aborto a primeira saída. Mas o namorado, que era mais velho e queria muito ser pai, espalhou a notícia da gravidez para evitar que a moça tirasse o bebê. A tática funcionou.</p>
<p>Quando a mãe soube da novidade, ficou chocada e passou toda a gravidez da filha conversando com ela apenas o essencial. A futura avó também havia sido mãe muito jovem e não queria ver a história se repetir. Tatiana se culpou por não se apegar ao bebê que carregava, principalmente quando via a outra grávida da faculdade ficar o tempo todo alisando a barriga. E ela só se deu conta do amor que sentia por Júlia quando o bebê começou a se comunicar com ela através do olhar.</p>
<p>Hoje, a menina é o xodó da mãe e da avó. “Não me arrependo. A cada dia que passa, sinto que foi a decisão mais certa que tomei na vida”, conta Tatiana. Enquanto dá a sopinha de chuchu para Júlia e coloca um DVD sobre bichos, que a filha adora, define: “Amor de mãe é quando você morre por ela. Se tiver que tirar o coração e dar a ela, você faz. E é uma coisa constante, mesmo quando fico com raiva e a seguro com força”. Tatiana diz que acha lindo cada aprendizado da filha. O que ela aprendeu com Júlia? “Além de trocar fraldas?”, brinca. “A me doar mais, a compartilhar e a sentir que não estou sozinha, existe uma pessoa no mundo que depende de mim”.</p>
<p><strong>Roberto de Oliveira Filho</strong>, 27, também ficou responsável pela criação dos três filhos após a separação. A ex-mulher até então não trabalhava e se mudou para São Paulo, onde morava a mãe, para refazer sua vida. Roberto fazia Direito e trabalhava como auxiliar administrativo em uma loja de Belo Horizonte, mas decidiu deixar o curso e se dedicar à decoração de festas e serviço de <em>buffet</em>. Há dois anos, o rapaz se interessou por um outro homem. A família lidou bem com a nova relação e as crianças, que já tinham contato com ele desde que era apenas amigo do pai, se deram muito bem com seu novo namorado.</p>
<p>A mãe das crianças se casou novamente e tem mais uma filha. No final do ano passado, por causa do excesso de trabalho de Roberto, Gabriel (9), Camila (6) e Ana Clara (4) foram morar com a mãe. “Ela estava muito ausente e os meninos sentiam falta. Ficarem com a mãe é o melhor para eles neste momento, porque sei que não vão ser maltratados por uma pessoa desconhecida”. Roberto e o namorado sentem falta das crianças e, até o ano que vem, os meninos vão voltar a morar com o pai, que pretende estar com seu serviço de <em>home fest</em> mais estabilizado. “Depois que eles nasceram, nunca mais dormi completamente em paz, estou sempre preocupado. Mas quando estou triste e ouço um “pai, eu te amo”, tenho forças para tudo. Minha vida é para os meus filhos”.</p>
<p><strong>Lídia Pereira</strong>, 25, é mãe de Lucas (8) e Eduardo (5). Os meninos moram com os respectivos pais e ficam com ela nos finais de semana em que não precisa trabalhar. Funcionária de uma loja de departamentos, ela se sente culpada por não poder estar mais presente. “Dizem que o tempo quem faz é a gente, mas não é mesmo. Estou lutando para melhorar”. Lígia sempre gostou de se relacionar com mulheres, mas por pressões familiares, se viu obrigada a se envolver com um homem e foi aí que ela engravidou de Lucas, aos 15 anos.</p>
<p>Casou-se e se separou três meses após o nascimento do filho. “Dudu” veio três anos mais tarde, quando a mãe estava sendo novamente pressionada. Depois disso, Lígia resolveu assumir sua orientação para a família e exigiu respeito. E foi Ana Paula, a penúltima namorada, que a despertou para o fato de que ela era mãe e precisava cuidar dos filhos. “Antes eu era muito ‘porra-louca’ e não media as conseqüências do que fazia, queria recuperar minha adolescência perdida. Mas a Ana dizia: ‘não, você vai buscar seus filhos agora’, e seu não ia, ela mesma buscava e me ajudava a cuidar deles”.</p>
<p>Hoje, Lígia afirma que seu amor pelos meninos é incondicional. “Se eu tiver que dar o mundo para eles, eu vou dar, eu ultrapasso todos os meus limites”. Ela sonha em morar com os filhos e percebe o olhar de reprovação de outras mães por não fazê-lo, mas sabe que eles estão melhores com os pais e diz que seria egoísta se quisesse ficar com eles sem ter condições.</p>
<p>Ao ouvir essas histórias, meu objetivo era questionar se o amor de mãe estava realmente acima de todos os outros e se isso poderia ser provado através de atitudes, intenções ou escolhas. A única constatação que tive foi a de que ninguém pode saber exatamente o que vai dentro de cada um. Deixo o aprendizado por conta de quem tiver chegado até o final destas linhas. Afinal, por que estamos aqui, se não para aprendermos uns com os outros?</p>
<p><em>*nome fictício criado a pedido do entrevistado.</em></p>

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